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População de Mocímboa da Praia é forçada a fugir

Confrontos armados na vila de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, estão desde a madrugada de ontem a provocar a fuga da população, três meses depois de uma invasão por rebeldes.

29/06/2020  Última atualização 12H29
DR © Fotografia por: População de Mocímboa da Praia é forçada a fugir

Residentes na vila de Mo-címboa da Praia descreveram à Lusa que os militares moçambicanos estão a combater grupos armados que se supõe serem os mesmos que em 23 de Março ocuparam a vila costeira durante um dia, numa acção depois reivindicada pelo grupo Estado Islâmico.

Em pelo menos dois dos depoimentos é relatado que há mortes na sequência dos confrontos armados, mas sem mais detalhes.

Este é o maior confronto militar de que há relato em Cabo Delgado desde a ocupação, por rebeldes da vila de Macomia, entre 28 e 30 de Maio, e confrontação com as forças de defesa e segurança moçambicanas.

Mocímboa da Praia é uma das principais vilas da província, situada 70 quilómetros a Sul da área de construção do projecto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais liderado pela Total.

Um residente relatou que os estrondos de armas e disparos começaram nos subúrbios da localidade, durante a madrugada de sábado e que dadas as experiências anteriores, logo ao ouvirem os primeiros disparos, começou a debandada dos moradores para o mato e para o porto. Nessa altura, um morador mostrava estar num barco cheio de gente em fuga, posicionando-se ao largo da vila e aguardando pela evolução da situação para decidir se regressavam, ou se se refugiavam noutra ilha.

É relatado haver sempre som de armas de fogo, mas sem que os confrontos tenham chegado ao centro da vila, mantendo-se, sobretudo, nos bairros em redor. A agência Lusa contactou o porta-voz do Comando Geral da Polícia, Orlando Modumane, que remeteu quaisquer esclarecimentos para comunicados sobre a situação, a emitir pelo comando conjunto das operações militares.

Anterior ocupação

Mocímboa da Praia foi ocupada por um dia, em 23 de Março, por rebeldes armados, que destruíram várias infra-estruturas numa acção reivindicada pelo grupo Estado Islâmico. Na altura, o grupo disse ter invadido cinco posições do Exército e Polícia moçambicanos, apreendido armas e provocado dezenas de mortes e feridos. As autoridades anunciaram ter retomado o controlo da vila em 24 de Março, numa altura em que parte da população já tinha fugido para o mato, estimando-se que a vila concentrasse cerca de metade dos 124 mil habitantes do distrito.

Depois de Mocímboa da Praia, os confrontos armados levaram nos meses seguintes à ocupação temporária por insurgentes das vilas de Quissanga, Muidumbe e Macomia, no final de Maio, altura em que as forças moçambicanas anunciaram ter abatido 78 “bandidos”, entre os quais dois cabecilhas.

A violência armada dos últimos dois anos e meio causou a morte de, pelo menos, 700 pessoas e uma crise humanitária que afecta cerca de 211 mil habitantes da região. As Nações Unidas lançaram, no início deste mês, um apelo de 35 milhões de dólares à comunidade internacional para um Plano de Resposta Rápida para Cabo Delgado para ser aplicado de Maio a Dezembro.

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