Economia

Pólos industriais da Huíla podem criar oito mil postos de trabalho

Arão Martins | Lubango

Jornalista

O Director-Geral do Instituto de Desenvolvimento Industrial, António Quiala Eduardo, disse, recentemente, que a implementação dos pólos industriais do Lubango, Matala e Cassinga-Tchamutete (Jamba Mineira), na província da Huíla, poderá criar cerca de oito mil postos de trabalho.

28/11/2022  Última atualização 08H43
Empreendedores da cidade do Lubango atentos as explicações do director-geral do IDI © Fotografia por: Arão Martins| Edições Novembro

"Os três pólos da Huíla, se estiverem em funcionamento, vão poder superar os 8 mil empregos do Pólo de Viana. Quer dizer que será desnecessário os jovens irem a Luanda ou a República da Namíbia, à procura de emprego”, sublinhou durante um encontro na cidade do Lubango (Huíla). Segundo António Quiala Eduardo, o Pólo Industrial do Lubango ainda só existe "no papel".

"Tratou-se o registo de superfície do pólo, mas fisicamente é inexistente. Não conseguimos prosseguir porque existem alguns pendentes que devem ser tratados com o Governo da Huíla”, lamentou.

A fonte explicou que a par do Pólo do Lubango, a província da Huíla tem, também, os pólos industriais de Cassinga-Tchamutete (Jamba Mineira) e da Matala, onde foram projectados loteamentos industriais e de serviço (este último para instalar bomba de combustível, hotel e plataforma logística). "Temos essas condições todas no computador e resta espaço para a sua implementação”.

 

Potencialidades

A Região Sul é a mais "crítica" na implementação de pólos industriais, tendo destacados que os projectos devem contar com a intervenção dos investidores, empresários e empreendedores.

De acordo com o responsável, a criação de pólos industriais é uma intenção ambiciosa do Governo, que além de criar empregos, proporciona o desenvolvimento industrial do país.

Indicou que os projectos devem ser criados nas regiões próximas das matérias-primas a serem transformadas.

"Uma vez um pólo industrial criado num município ou província, é um ganho para todos os cidadãos, não apenas para os nativos daquela área”, reconheceu.

A implementação dos pólos é um dos desafios constantes do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), cujos resultados ainda não são assinaláveis.

"Esse trabalho ainda não conheceu resultado desejado. Por isso, vai se continuar a procurar formas de alavancar este sector no quinquénio 2023/2027”, adiantou.

O responsável informou que, existem 22 pólos industriais criados a nível do país, sendo que há províncias com mais de um.

Exemplificou a província da Huíla que tem três pólos (do Lubango, Matala e Cassinga-Tchamutete, na Jamba Mineira). Do total dos pólos, referiu que o de Viana (Luan-da) é o maior com mais de 470 unidades industriais criadas e 8 mil empregos, seguin-do-se o da Catumbela, em Benguela, com cerca de 1.100 trabalhadores. Acrescentou que, existem mais cinco pólos que totalizam sete, com uma unidade industrial a funcionar.

 

Vantagens das infra-estruturas

A criação dos Pólos Industriais está a permitir a retenção dos jovens nas áreas de origem.

"Ao invés dos jovens se deslocarem, com a criação de pólos faz-se a retenção, conforme acontece, actualmente, com o Pólo Industrial de Lucala, na província do Cuanza-Norte onde é coordenador e já se criou duas unidades industriais. Todos jovens do Lucala já têm emprego garantidos, disse.

António Quiala Eduardo disse que há jovens que saem de Cacuso, na província de Malanje, Uíge e encontraram oportunidade de emprego no Cuanza-Norte.

 

Sete pólos destacam-se

Para além de Viana e Catumbela, existe também o Pólo Industrial de Futilá, em Cabinda, a par do Negaje (Uíge), Malanje, Lucala (Cuanza-Norte), Caála (Huambo).

Os sete pólos têm, pelo menos, uma unidade industrial em funcionamento. Segundo a fonte, dos 22 pólos, 14 estão inactivos.

"Esses pólos existem no papel, porém, ainda não há nenhuma indústria a funcionar”, esclareceu, depois de apontar os que serão implantados nas províncias da Huíla, Namibe e do Cunene.

Recordou que em cada pólo, existem, mais ou menos 1.000 a 2.000 hectares disponíveis para poderem alavancar as unidades industriais, dependendo das potencialidades em matéria-prima de cada província.

O Director do Instituto de Desenvolvimento Industrial, António Quiala Eduardo, frisou que a concepção de um pólo industrial obedece requisitos básicos, que toda ou qualquer unidade industrial precisa, como são os casos de água, energia, vias de acesso, infra-estruturas básicas, internet entre outros.

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