Economia

Pólo Industrial do Negage: Unidade fabril produz mais de 2 mil colchões por dia

A fábrica de colchões da empresa “VIMO-Indústria”, localizada no Pólo Industrial do Negage (PIN), no município do Negage, na província do Uíge, produz mais de duas unidades diariamente.

26/09/2022  Última atualização 06H25
© Fotografia por: Eunice Suzana |Edições Novembro

A única unidade fabril em funcionamento no PIN, e que nesta altura se debate com várias dificuldades, segundo conta um dos seus gestores,  Mohamed Balita, tem na sua linha de produção colchões normais e ortopédico, com tamanhos que variam entre solteiro, solteiro maior, casal, king e king size.

Mohamed Balita disse que a fábrica é a única na província do Uíge e, além de abastecer o mercado local, também fornece os seus produtos para outras regiões do país, como as províncias do Cuanza-Norte, Malanje, Zaire e Luanda, mas também para a Lunda-Norte onde tem uma representação de vendas.

O gestor sublinhou que o modelo de produção e gestão na unidade fabril de colchões do Negage permite colocar no mercado local produtos de qualidade aceitável e com as mínimas quantidades que podem suprir boa percentagem da demanda neste subsector produtivo, cujo objectivo é também divulgar a existência do Pólo Industrial do Negage e contribuir no crescimento económico da província e do país.

"Para o garante da nossa produção, usamos este tipo de produtos como matéria prima para fabricarmos os colchões, como Polypropylene glycol (POLYOL), Me-thelyne Chloride (MEC), Toluene Diissocyanate (TDI) entre outros. Substâncias que recorrem às importações nos mercados da China e África do Sul. Nossa capacidade de produção diária é estimada entre 2 mil a 3 mil colchões, dependendo sempre da disponibilidade do factor capital humano”, frisou Mohamed Balita.

 

Mão-de-obra

O empresário disse que a implementação da unidade fabril permitiu a criação de 20 postos de trabalhos efectivos com todas as condições de trabalho necessárias e políticas de segurança no trabalho salvaguardadas. A fábrica possui 10 máquinas, dentre as quais, duas para a produção, três para o corte dos colchões e cinco para costura e outra com memória computadorizada fazer desenhos nos tecidos de revestimento dos colchões.

 "Em 2019, foi implementado, nesta fábrica, a produção de um artigo de alta qualidade,  dos poucos existentes no país, que é a fabricação do colchão ortopédico, uma alavanca para o promissor parque industrial da província que tem sido o principal produto comercializado nas outras províncias de Angola. Esta espécie de colchão ortopédico é resultado da reciclagem do material do colchão de esponja, triturado em uma máquina específica e adicionado à mistura de outros produtos”, fez saber.

 

Investimento

O principal gestor da unidade fabril, Ahmud Bacawat Alex disse que o projecto de investimento privado entrou em funcionamento em Se-tembro de 2011, com a aplicação de um milhão de dólares norte-americanos, apesar de enfrentar várias dificuldades para poder manter-se funcional. 

Além da matéria-prima que deve ser importada, o Polo Industrial do Negage carece de várias infra-estruturas integradas para o seu normal funcionamento, como água, arruamentos, serviços bancários e outros.

"A nossa maior vantagem é por estarmos junto a uma estrada nacional e haver energia eléctrica proveniente do aproveitamento hidroeléctrico de Capanda", salientou.


Empresário aposta no mercado

Mohamed Balita anunciou a abertura de duas novas unidades fabris no município do Negage, sendo uma fábrica de tintas e outra de verniz, cujas obras de construção e implantação dos equipamentos já tiveram início.

"Estamos, agora, a direccionar os nossos investimentos em outras áreas da indústria. Está em curso a construção e implantação de toda maquinaria e outros equipamentos para nos próximos meses a província do Uíge, com particularidade do município do Negage, tenha também uma fábrica de tintas e de vernizes”, anunciou.

Mohamed Balita defende a necessidade do fim da burocracia no licenciamento e aprovação de projectos de investimento no PIN, tendo em conta que ainda existem muitos investidores disponíveis para materializar a sua ideia naquele espaço industrial.

Apelou, também, à classe empresarial nacional e estrangeira a investirem no Uíge pelas valências que a região possui.

"O Uíge é uma terra que precisa de mais investimentos. Tem terra fértil, uma vasta hi-drografia, capital humano e muitos recursos naturais, basta apenas que o governo local elimine algumas burocracia que têm servido de entrave para a tomada de decisão de muitos investidores direccionarem os seus projectos para a província”, referiu.


Qualidade atrai vários clientes

Francisco Cahima, um cliente que à reportagem do  Jornal de Angola encontrou numa das lojas revendedoras dos colchões da VIMO-Indústria. Na ocasião, o entrevistado disse estar satisfeito pela compra do colchão ortopédico da fábrica do Negage.

Sublinhou que os preços praticados são acessíveis para qualquer bolso e as qualidades também variam de acordo com a escolha do cliente.

"Os produtos desta fábrica são bons. Depende sempre do poder de compra do cliente. Comprei um colchão feito nesta unidade fabril e, até agora, não tenho motivos de queixas”, disse, recomendando que os uígenses podem adquirir os produtos da mesma, evitando se deslocar para outras províncias, sobretudo Luanda.

Bernardo Firmino, funcionário de uma loja revendedora de colchões, Localizada na cidade do Uíge, manifestou insatisfação com a qualidade dos colchões que estão a ser produzidos, actualmente, pela VIMO-Indústria, factor que fez com que o seu empregador reduzisse a quantidade de compra de mercadoria na fábrica.

"Gostaria que a fábrica voltasse a produzir como antes, para não sermos obrigados a recorrer a outros mercados do país para satisfazermos a demanda dos nossos clientes, porque já temos, há mais de 10 anos, uma fábrica na província”, atirou.


Albertina Miezi, Eunice Suzana e Lussilavova Lopes | Uíge


Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia