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Polícia usa gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes

A Polícia zimbabweana usou gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes em Bulawayo, no Sul do Zimbabwe, no segundo dia de protestos contra a subida dos preços de combustíveis decretada pelo Governo.

16/01/2019  Última atualização 10H09
Dr © Fotografia por: Elevado número de manifestantes invadiu as ruas

Um elevado número de manifestantes invadiu, pelo segundo dia consecutivo, as ruas da segunda maior cidade do país, considerada  bastião da oposição ao regime, pilhou lojas e exigiu a demissão do Presidente Emmerson Mnangagwa, avançou a agência France Press (AFP).
Os sistemas de telecomunicações, incluindo o acesso à Internet, foram bloqueados ontem em todo o país, pelo próprio Governo, de acordo com declarações de uma fonte da operadora telefónica, à AFP. “Não temos equipamento para o fazer, portanto, adivinhem quem o fez”, disse sob anonimato.
A autoridade local de re-gulação da Internet desmentiu  qualquer interferência no sistema. “Não fui informado da existência de qualquer problema”, afirmou à AFP, o director-geral da instituição, Gift Machengele.
Várias pessoas foram mortas no Zimbabwe, na segunda-feira, durante manifestações violentas contra a subida do preço dos combustíveis.
No primeiro dia, de uma greve geral de três, a Polícia dispersou centenas de pessoas que bloquearam as estradas e pilharam estabelecimentos comerciais, nas duas maiores cidades do país, Harare e Bulawayo.
Estas operações “provocaram perdas de vidas e bens, assim como pessoas feridas entre as forças policiais e a população”, anunciou ao final da tarde de segunda-feira o ministro da Segurança, Owen Ncube, sem detalhar o número de vítimas.No sábado à noite, Mnangagwa anunciou a multiplicação dos preços da gasolina por 2,5, na esperança de reduzir o consumo e os tráficos associados à desvalorização da moeda. Esta subida exaltou os ânimos, com numerosos zimbabweanos a recearem a subida generalizada dos preços.
A Confederação Sindical do Zimbabwe apelou à população para parar o trabalho até quarta-feira.
Importantes efectivos militares foram deslocados, no início da greve geral, para vários bairros de Harare e Bulawayo.

Greve
Um grupo de 13 trabalhadores moçambicanos, da Embaixada do Zimbabwe em Maputo, está em greve desde segunda-feira, por falta  de salários há três meses, disse à agência noticiosa Lusa  um dos funcionários.“Há três meses que não estamos a receber. Passámos as festas de Natal e Ano Novo, de qualquer maneira, com as nossas famílias”, disse um dos funcionários, que não quis ser identificado.
A greve começou na segun-da-feira, depois da missão diplomática falhar a promessa de liquidar os ordenados em falta, na sexta-feira.
“O embaixador, que disse não haver problemas, confirmou que todas as missões receberam os valores, menos Moçambique, mas que até sexta-feira, a situação estaria resolvida”, declarou a fonte.
Os trabalhadores reclamam, também, o facto de es-tarem há dez anos sem aumentos salariais.
“Desde há três anos que temos passado por situações difíceis. Para receber o salário é um problema, temos de fazer barulho e não explicam o que está a acontecer”, acrescentou. A Lusa tentou ouvir uma fonte da Embaixada, mas sem sucesso.

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