Sociedade

Polícia Nacional detém cidadão por burlar 800 mil kwanzas

Kátia Ramos

Jornalista

A Polícia Nacional apresentou, esta segunda-feira, alguns marginais que praticavam crimes em várias zonas de Luanda, entre os quais Óscar Matias, de 49 anos, acusado de burla de 800 mil kwanzas, de sete indivíduos, com a promessa de empregabilidade no Ministério do Interior.

04/10/2022  Última atualização 05H20
Durante a operação policial, foram apreendidas várias armas de diversos calibres e detidos dezenas de jovens que se dedicavam à prática de crimes © Fotografia por: Kátia Ramos | Edições Novembro

O porta-voz do Comando Provincial de Luanda, superintendente Nestor Goubel, disse que o cidadão foi detido por estar envolvido no crime de falsa qualidade, através da promessa de ingresso entre os quadros da polícia. "Durante a detenção, foi encontrado em posse deste uma quantia significativa de dinheiro”.

Os marginais apresentados, esclareceu, são os que têm causado um clima de insegurança em várias localidades de Luanda. "A operação da Polícia Nacional permitiu a detenção de 27 cidadãos, envolvidos em vários crimes”, adiantou, acrescentando que os processos crimes já estão nos Serviços de Investigação Criminal (SIC), para os devidos procedimentos.

A acção, contou, é o resultado de um trabalho que o Comando Municipal tem realizado, com vista à prevenção e combate à criminalidade. "Vamos continuar a trabalhar  engajadamente no sentido de contrapor as acções dos malfeitores”, prometeu.

Além dos grupos de marginais detidos, resultante de um trabalho de várias investigação, adiantou, foi possível prender também alguns meliantes, que fingiam ser taxistas, entre eles um dos assaltantes da ourivesaria do hotel Skina. "Os outros praticavam furtos de bens dos passageiros”.

Com as detenções, a Polícia Nacional conseguiu recuperar 25 armas de fogo, sendo 12 pistolas e 13 AKM, 17 carregadores, quatro viaturas, oito motorizadas, vários electrodomésticos, fogões e 3.747 tacos de liamba.

Gangues perigosas

As operações, revelou, foram efectuadas no mês de Setembro e permitiram o desmantelamento de duas associações de malfeitores, uma delas "Os demoníacos”, que actuavam na Ilha do Cabo, com crimes como roubos a residências e viaturas, assim como furtos qualificados na via pública, com recursos à armas de fogo.

"Tudo resultante de uma acção conjunta, com os órgão de investigação e as denúncias feitas no terminal 111. Esta associação de malfeitores, da qual três indivíduos estão detidos, teve um membro que ainda disparou contra a Polícia Nacional e os efectivos do SIC, durante o acto de detenção, em Viana”, explicou.

Os detidos, assim como os membros de outra associação de malfeitores, denominada "Os Morenos”, que actuava na zona do Catinton, onde realizavam vários crimes com recurso a arma de fogo e roubos em residências e meios como motorizadas e viaturas, vão ser entregues ao Ministério Público para as acções subsequentes.

Entre os membros do grupo "Os Morenos”, Nestor Goubel alertou para o perigo que era um dos líderes, um menor de 16 anos, tido como o mais temido do Catinton. "Tínhamos já o registo de várias denúncias sobre ele. Quando foi capturado estava a tentar assaltar um estabelecimento comercial. Quando viu a presença da polícia, disparou contra os efectivos”.

Quando questionado sobre os actos praticados, ST disse que realizou os assaltos sob efeito de álcool e drogas. O bairro 11 de Novembro era o local de actuação do menor. A preferência eram os estabelecimentos comerciais, as lojas revendedoras da ZAP e cantinas. "A gangue era composta por mais quatro. O menor era eu”, disse. Entre os crimes cometidos, confessa, disse já ter alvejado três seguranças. "Mas nunca matei ninguém”.


Vítimas conseguem reaver  meios roubados

A operação realizada pela Polícia Nacional permitiu, além da detenção de marginais, a restituição de muitos dos bens roubados. Vanilsom Nhuca foi um dos restituídos desta vez, embora muitos ainda estão a espera.

Residente no bairro da Gamek, conta que foi assaltado de regresso a casa, na motorizada que usava para fazer trabalhos de táxi. "Eram quatro e queriam receber a motorizada. Como resisti, fui alvejado no braço esquerdo”, lamenta.

Outra vítima beneficiada é Nelson Dalla, proprietário de uma motorizada, que foi assaltado, por volta das 18h00, quando também regressava à casa. "Pediram para ficar de joelhos, enquanto apontavam uma AKM de cano cortado. Como não resisti, apenas levaram a moto, mas ainda fizeram vários disparos, ao ponto de um deles atingir o passageiro que estava comigo”.

Além das vítimas de roubo, outros como José Mendes, a quem a promessa de emprego o fez entregar 200 mil kwanzas para obter uma vaga, viu o valor restituído. Ao Jornal de Angola, disse que só começou a desconfiar da burla, quando achou o comportamento do burlador estranho.  


 Mentores de rixas nos bairros da capital

A operação  realizada pela Polícia Nacional permitiu, também, a detenção de vários elementos, membros de grupos, que realizavam rixas em vários municípios de Luanda. Um dos detidos, apresentados, ontem, foi "Hury”, líder dos "Tropas Gaza”.

A gangue, reconhece, causou inúmeros estragos pelas ruas de Luanda. "Quando fumava liamba era outra pessoa”, confessa, acrescentando que já chegou a atacar cidadãos na rua, a quem roubou pertences. "O dinheiro era para comprar liamba”.

Porém, destacou, era nas rixas com outros grupos, alguns de outras zonas, onde realmente causavam muitos danos. "Às vezes ,era o pretexto usado para assaltar alguns estabelecimentos comerciais, ou residências”, disse, acrescentando que nunca usou uma arma de fogo. "Sempre lutamos com catanas ou facas. Mesmo os assaltos eram com essas armas. Não gosto de armas de fogo”, adiantou, sem conseguir precisar se já matou alguém, devido ao caos criado durante as rixas.

Os locais mais frequentes de lutas dos "Tropas Gaza”, contou, eram o Largo da Salga, na Ilha de Luanda, a rua da vaidade, no Rangel, contra grupos como os Hulix-Boy e os VS. "Não sei quantos membros tem o grupo, mas a união é enorme. As rixas eram causadas por coisas mínimas”.

"Hury” se considera uma pessoa famosa, por não ter medo de lutar ou roubar. "Antes das rixas trabalhava como pescador, mais sempre fui um bom lutador. Quando criamos o grupo, primeiro era para defender as pessoas do bairro”.

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