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Polícia elogia o comportamento dos peregrinos à Muxima

A Polícia Nacional considera positivo o balanço dos quatro dias da peregrinação ao Santuário da Muxima, na Vila da Quiçama, em Luanda, pelo registo de, apenas, três infracções, num acto que reuniu mais de um milhão de fiéis.

09/08/2022  Última atualização 07H45
Tenda do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola não registou casos graves durante o período de peregrinação © Fotografia por: eduardo pedro | edições novembro

O porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, Nestor Goubel, disse que entre as ocorrências o destaque vai para o furto de um telemóvel, no sábado. "O ladrão foi detido no dia seguinte”.

Outros crimes registados, revelou, foram contra a integridade física e a venda ilegal de bebidas alcoólicas, também no sábado. "Fora estes casos, é preciso elogiar o comportamento dos peregrinos, que acataram as orientações das forças destacadas na Vila da Muxima”, adiantou, além de acrescer que não tiveram ocorrências capazes de comprometer a segurança dos fiéis. "Nunca vimos os fiéis tão satisfeitos com o trabalho da Polícia Nacional. Foi um sucesso. Superou as expectativas”.

Para a peregrinação à Muxima, contou, a Polícia Nacional mobilizou mais de mil efectivos, de vários departamentos, como a Ordem Pública, Investigação e Ilícitos Penais, Investigação Criminal, Guarda Fronteira e Informações Policiais.

As forças que asseguraram a peregrinação, entre as quais constaram o Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros e do Instituto Nacional de Emergências Médicas (INEMA), estiveram sob coordenação do comissário Gerson Miguel, segundo comandante provincial da polícia de Luanda.

"Tínhamos a lição bem estudada, porque previmos a presença massiva de peregrinos, pois após a Covid-19 ficaram privados de reunirem junto à Mamã Muxima”, disse, acrescentando que a polícia fez um trabalho de investigação e de antecipação, além de ter formado um cordão especial à entrada das zonas de acesso ao município da Quiçama.

Atropelamento

O atropelamento de uma peregrina, no domingo, foi a maior nota de registo das 294 ocorrências intervencionadas pelo Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA), durante a peregrinação.

O supervisor de serviço do INEMA disse ao Jornal de Angola que a peregrina apresenta ferimentos leves e após o primeiro socorro foi assistida por uma ambulância equipada para o efeito.

Kiesse Michel referiu ainda que das ocorrências constam 73 intervenções em peregrinos, com sintomas de cefaleia, em 41 casos de hipertensão arterial, 24 de diarreia, 12 dores de estômago, além de dores de dente e abdominais. "Todos os casos foram leves e contaram com o suporte de uma equipa de 8 médicos e 28 enfermeiros”, destacou.

Pequeno incêndio e outras ocorrências registadas

Um incêndio, de pequenas proporções, foi registado no interior do Santuário da Muxima, por volta das 12h00 de sábado, terceiro dia da peregrinação àquele lugar sagrado para os católicos, e prontamente extinto pelo Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.

A informação está num documento do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, no qual são mencionadas as ocorrências registadas pelo órgão operativo do Ministério do Interior nos quatro dias da peregrinação à Muxima, a maior festa católica em Angola, encerrada domingo.

Contactado por telefone, para dar informações adicionais sobre o incêndio, o porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros na província de Luanda, intendente Faustino Miguêns, disse que se tratou de "um pequeno incêndio, extinto rapidamente por dois efectivos do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, que estavam a 10 metros do Santuário, com recurso a dois extintores de pó químico ABC, de oito quilogramas cada um”, adequados para actuar contra incêndios das classes A, B e C. 

De acordo com Faustino Miguêns, o incêndio foi causado, presumivelmente, por uma vela acesa, que pode ter sido abandonada por um peregrino, e provocou, como danos materiais, a destruição de fotografias, velas e alguns panos.

O porta-voz adiantou que, quando ocorreu o incêndio, que caracterizou de classe A, havia fiéis no interior do Santuário, tendo "o pequeno foco” de incêndio sido rapidamente controlado”, apesar de ter havido, inicialmente, algum pânico entre os peregrinos, antes da chegada dos dois operacionais do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.

Depois da extinção do incêndio, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros recomendou aos fiéis católicos o uso correcto de velas, que devem ser apagadas sempre que for necessário e, além disso, não devem ser abandonadas no interior das tendas.

Outros casos

No total, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros registou, durante a peregrinação à Muxima, 214 ocorrências, encontrando-se no rol de casos uma pequena cirurgia, uma picada de escorpião e 12 casos de dores de dente.

O documento refere que, nas 214 ocorrências registadas, estão 42 casos de tensão arterial, 15 de dores musculares, 52 de cefaleia, 35 de dores abdominais, 52 de gastrite e três de febres altas.

A faixa etária das pessoas atendidas é dos três anos aos 70 anos, sendo que 27 são do sexo masculino e 195 do feminino.

Os incêndios da classe A são os causados, como fontes de combustão, por materiais sólidos, como papel, tecido, algodão, madeira, entre outros.


Roque Silva e Kilssia Ferreira

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