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Polícia acusada de destruir provas em cena de crime

Dois relatórios de especialistas forenses internacionais apontam para a destruição de provas de uma cena de crime pela Polícia, na morte de nove pessoas numa operação em comunidades pobres do Rio de Janeiro, Brasil, em Fevereiro do ano passado.

04/02/2020  Última atualização 10H31
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Encomendada pela organização de direitos humanos Human Rights Watch, a análise dos especialistas identifica ainda falhas sérias na recolha e preservação de provas neste caso.
Os documentos, baseados em análises independentes detalhadas aos relatórios das autópsias a nove das 13 pessoas mortas durante a operação, sugere que a Polícia militar pode ter levado os corpos das pessoas que mataram para o hospital, com a desculpa de que os estavam a tentar salvar.
Durante mais de uma década, a Human Rights Watch documentou casos semelhantes de “falsos resgates” no Rio de Janeiro, nos quais a polícia usava este ardil para destruir as provas do crime e dificultar as investigações.
“As autoridades estatais do Rio de Janeiro precisam de acabar com a prática dos ´falsos resgates`, exigindo que a polícia solicite serviços médicos, como procedimento regular, para levar as vítimas de tiroteio policial para os hospitais e punirem os policiais que destruam as provas do crime”, afirmou José Miguel Vivanco, director da Human Rights Watch para as Américas.
A organização enviou ontem os dois relatórios dos especialistas forenses internacionais para os procuradores estaduais. A alteração ou destruição de provas, se ficar demonstrada, constitui um crime de fraude processual segundo a lei brasileira, punida com pena de prisão até quatro anos.
Em 8 de Fevereiro de 2019, a polícia militar - que patrulha as ruas brasileiras - conduziu uma operação nos bairros Fallet, Fogueteiro e Prazeres matando 13 pessoas. Os polícias militares afirmaram que abriram fogo após os suspeitos atirarem contra eles. A polícia não relatou qualquer ferimento de agentes policiais.

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