Cultura

Poetisa pede mais apoio para as mulheres escritoras

Matadi Makola

A escritora Ngonguita Diogo é a convidada da edição de Agosto do programa “Textualidades - Conversas com os Leitores”, que se realiza na quinta-feira, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

08/08/2022  Última atualização 10H33
Ngonguita Diogo interage quinta-feira com leitores no Memorial © Fotografia por: DR

Uma voz feminina da poesia angolana, a escritora mostra-se descontente com a disparidade de publicação entre homens e mulheres no circuito literário angolano.

Segundo observa, em entrevista ao Jornal de Angola, é notória a falta de maior representatividade das mulheres na literatura angolana. Ngonguita Diogo reclama que as mulheres na literatura são pouco aplaudidas, apesar de consentirem os mesmos esforços para a afirmação das letras dentro e fora do país. 

"Elas existem de facto e algumas trabalham arduamente, porém, não têm voz, não são chamadas para intervenções importantes, não são acarinhadas de forma a motivá-las. Por isso, murcham, deprimem, e muitas desistem frustradas. Portanto, a representatividade das mulheres na literatura angolana é fraca, não nos orgulha”, conclui.

Por outro lado, a escritora também levanta a problemática da falta de patrocínio, o motivo que obriga muitos escritores a engavetarem as suas obras por um período indeterminado. Por essa razão, está parada mas não por falta de inspiração, tem alguma coisa escrita à espera de patrocínios.

"Não tenho condições financeiras para fazer publicações, por outro lado, acho injusta a política de publicação das editoras angolanas. Limito-me a participar em antologias nacionais e internacionais quando sou convidada e faço publicações periódicas na minha página virtual, onde escrevo pequenos contos, reflexões, crónicas e poemas”, disse.

Voz poética conhecida e elogiada, Ngonguita Diogo garante que o seu trabalho literário é bem recebido no Brasil e Portugal.

Etelvina da Conceição Alfredo Diogo, conhecida no meio literário por "Ngonguita Diogo”, é uma escritora angolana e circula entre a poesia e a prosa, com sete livros no mercado e um CD com poemas musicalizados. Participa de várias antologias nacionais e estrangeiras.

É ainda membro da União dos Escritores Angolanos e da Academia de Letras do Brasil, onde foi distinguida, em 2016, com o "Grau Doutora em Filosofia Univérsica, Honoris Causa”. Em 2018, recebeu o Título de Comentadora da Ordem dos  Benfeitores Culturais da Humanidade e também o Prémio Caneta de Ouro 2018, atribuído pela Federação Brasileira dos Académico das Ciências, Letras e Artes, assim como foi distinguida com um Diploma de Mérito Cultural.

Actualmente é embaixadora de África pela Academia Internacional de Artistas e Poetas (AIAP) e também membro da Liga Africana e do Movimento Lev’arte Angola.

É parceira do Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), em Luanda. É directora da Academia de Letras do Brasil para Questões Humanitárias no Continente Africano.

O "Textualidades - Conversa com os Leitores” é um espaço de tertúlia entre escritores e leitores e visa motivar a aparição de novos escritores no processo da comunicação literária.

Pretende também motivar a aparição de novos escritores, num espaço onde os autores desmistificam a sua imagem perante aqueles que querem saber mais sobre o percurso literário, conteúdo das obras, e processo criativo dos escritores, na sua relação com os leitores reais e virtuais.

O programa contará com a presença de vários académicos, leitores e escritores, estando aberto a todos os interessados.

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