Sociedade

Pobreza contribui para surgimento de novos casos

A redução dos recursos para a prevenção, a pobreza, comportamentos e práticas culturais aumentam a vulnerabilidade ao VIH e estão directamente ligados ao surgimento de novos casos, às barreiras relacionadas ao diagnóstico e à retenção nos cuidados e tratamento, declarou ontem, em Luanda, o se-cretário de Estado para a Saú-de Pública.

19/06/2019  Última atualização 08H41
Santos Pedro| Edições Novembro © Fotografia por: Campanhas de prevenção ajudam a esclarecer a população

José Vieira Dias da Cunha, que falava num seminario de balanço da Subvenção VIH do Fundo Global, 2016-2018, disse que estes factores têm impedido o avanço das estratégias e ampliado os desafios para que as metas intermediárias, 90/90/90, sejam atingidas em 2020.
Apesar dos vários avanços, disse o secretário de Estado, as novas infecções em adultos não têm reduzido, permanecendo em cerca de 1,8 milhões ao ano. Em crianças, acrescentou, tem-se registado um decréscimo gradual, mas aquém das metas globais.
Angola tem uma prevalência de VIH de 2,0 por cento em pessoas de 15 a 49 anos, segundo o Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde (2015-2016), o que dá a estimativa de 310 mil pessoas a viver com VIH no país.
O secretário de Estado referiu que apesar dos investimentos do Executivo para expandir o diagnóstico e o tratamento, os determinantes sociais e o impacto negativo da crise económica impediram os progressos pretendidos. Actualmente a cobertura de tratamento com antirretrovirais está estimada em 27 por cento para adultos, 34 por cento em gestantes e 14 por cento em crianças.
“Para que todos os avanços que a ciência nos proporcionou em relação a esta epidemia sejam acessíveis a todos, precisamos de garantir que os direitos humanos sejam respeitados, que não haja discriminação de qualquer natureza e que tenhamos um mundo com maior justiça social”, sublinhou.
Referiu que, actualmente, cerca de 75 mil pessoas recebem tratamento para o VIH com antirretrovirais, mas ainda enfrentam muitos desafios, principalmente relativos ao abandono do tratamento que se estima em cerca de 50 por cento.

Fundo global
Na luta contra a epidemia, Angola tem tido a colaboração do Fundo Global. Entre Julho de 2016 e Junho de 2018, esta instituição disponibilizou cerca de 30 mi-lhões de dólares a serem aplicados em actividades da resposta ao VIH/SIDA, sendo que cerca de 70 por cento deste recurso foi para a aquisição de antirretrovirais.
“Não é possível vencer o estigma e a discriminação, chegar a todas as pessoas e oferecer apoio aos mais vulneráveis sem os seus pares, sem um forte elo entre as pessoas, na comunidade e unidades de saúde”, considerou José Vieira da Cunha, enfatizando que os recursos nunca são suficientes para todos os planos. O secretário de Estado admitiu que foram alcançados muitos avanços na prevenção de novas infecções, no acesso ao diagnóstico e, principalmente no tratamento com antir-retrovirais, que mudaram o rumo da epidemia no mundo, na medida em que permitiram a redução da morbidade e mortalidade pela doença.
“Mesmo para os países com recursos limitados, onde parecia impossível que se pudesse oferecer o tratamento com antirretrovirais, a realidade em 2019 é de redução na prevalência e na mortalidade”, referiu o secretário de Estado.
A ONUSIDA estima que há mais de 21,7 milhões de pessoas em tratamento antirretroviral no mundo.

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