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Planeta perde anualmente 24 mil milhões de toneladas de solo fértil

Todos os anos, o Planeta perde em torno de 24 mil milhões de toneladas de solo fértil e até 2045, cerca de 135 milhões de pessoas poderão ser deslocadas devido à desertificação, fenómeno que, segundo as Nações Unidas, provoca o maior número de mortes e obriga mais indivíduos a deixarem as suas terras.

17/06/2020  Última atualização 11H52
DR © Fotografia por: Planeta perde anualmente 24 mil milhões de toneladas de solo fértil

Entendida como a degradação da terra em áreas sub-húmidas, áridas, semi-áridas e secas, a desertificação tem como causas principais a actividade humana e as variações climáticas, afecta diariamente 250 milhões de pessoas, coloca em risco cerca de um bilião de seres humanos e está na origem da pobreza e instabilidade política em várias regiões.

Ainda assim, o Homem dá continuidade a práticas nefastas, como o desmatamento e o pastoreio excessivo, além de utilizar métodos errados de irrigação, que tornam as populações dessas áreas ainda mais pobres e enfraquece-as politicamente. O avanço dos desertos é um problema em muitos países.

Cidades e vilas são totalmente tomadas pelas areias e acabam abandonadas pelos moradores. A seca e a desertificação preocupam sobremaneira os organismos internacionais, tendo a ONU escolhido o 17 de Junho para celebrar o Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação. A data foi comemorada em 1995 e visa promover a sensibilização pública e a cooperação internacional para lidar com o problema.

O 17 de Junho é apontado como momento único para lembrar a todos que o combate à degradação dos solos só é possível com uma forte vontade em resolver os problemas, o envolvimento da comunidade e a cooperação a todos os níveis.

Várias iniciativas nesse sentido tornaram-se referência, como a Grande Muralha Verde Africana, que começou a ser construída em 2008, com vários locais de plantio, envolve onze países do continente, com o apoio das Nações Unidas e do Banco Mundial.

O objectivo é criar uma enorme barreira florestal, com 15 quilómetros de largura e 7.775 quilómetros de comprimento, da Mauritânia ao Djibuti, para travar o avanço do deserto, melhorar a gestão dos recursos naturais e combater a pobreza. Nessa região, perdem-se em média todos os anos 1.712 hectares de floresta.

A Grande Muralha Verde Africana encontra vários obstáculos, sendo o principal a instabilidade política na região, onde proliferam grupos armados e organizações terroristas, que impedem a entrada de estrangeiros e mantêm as populações locais reféns da escravidão.

Outra iniciativa do género é a Grande Muralha Verde da China, ao longo de 500 quilómetros, criada com o objectivo de travar o deserto do Gobi. Cerca de 70 mil árvores já foram aí plantadas desde 1978.

Embora não tenham conseguido estancar por completo o avanço dos desertos, os projectos tiveram avanços significativos, como o regresso de muitos animais, que não eram vistos na região há mais de 50 anos.

A degradação dos solos devido à desertificação requer a busca de soluções científicas e alguns Estados destacam-se nessa área, nomeadamente Israel, considerado o único país do Mundo, localizado numa região desértica, que não sofre com a desertificação, tendo conseguido inverter a situação, com algumas zonas que antes eram deserto a tornaram-se férteis.

As iniciativas de combate à desertificação, assim como a maioria dos projectos e programas de defesa do ambiente e preservação das espécies, são vistas em muitos países como atitudes de grupos de elementos contrários aos regimes estabelecidos, os quais apelam ao populismo para se manterem no poder, vendo na fome e na pobreza reflexos da falta de iniciativas dos cidadãos no tocante aos negócios.

Mais do que uma situação recorrente, a grave seca no Sul de Angola é reflexo da má gestão dos recursos hídricos da região, a qual só pode ser combatida com a intervenção do Estado. Doutra forma, as populações continuarão a sofrer, os campos a secar e o gado a morrer.

Executivo e parceiros
estão juntos no combate

António Félix

O ano passado a seca no Sul de Angola afectou, grandemente, durante 8 meses, as províncias do Cunene, Benguela, Namibe, Huíla e Cuando Cubango, ceifando vidas de pessoas e animais.

Investigadores, no país e no exterior, explicaram que um dos factores do alastramento da seca se deve(u) à inexistência de produção científica sobre esse fenómeno natural, aliado ao longo período de devastação natural e humana.

As consequências, não tendo sido novas, foram, no entanto, menos devastadoras que as verificadas em 2017. Naquele ano, recorde-se, o fenómeno se abateu a mais províncias. Bengo, Benguela, Bié, Cuanza-Sul, Cuando Cubango, Cunene, Huambo, Huíla, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Malanje e Namibe sentiram os efeitos.

Diante deste quadro, o Executivo, através do Ministério do Ambiente, elaborou o Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação, que, nesses anos, sustenta um programa de combate e prevenção à desertificação. Fá-lo através do uso sustentável de recursos naturais, conservação do ambiente e prática agrícola adaptada às condições ecológicas.

A par do Executivo, que tem o Ministério do Ambiente e Pescas à testa, existem, ainda, outras instituições empenhadas, como a Associação Científica de Angola, União Europeia e bancos privados.

 

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