Cultura

Pinturas de Van expostas no Espaço Luanda Arte

Manuel Albano |

Jornalista

O artista plástico Francisco Van-Dúnem “Van” inaugura hoje, às 18h00, no Espaço Luanda Arte (ELA), na Baixa de Luanda, a exposição individual de artes plásticas, intitulada “Arte, Natureza e Objectos”.

08/09/2022  Última atualização 14H45
© Fotografia por: DR

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, Van disse que a mostra reúne um conjunto de 15 obras de arte, que ficará patente ao público  até ao próximo dia 30 de Outubro.

 Um dos objectivos da exposição, disse, é de contribuir para a revalorização do ambiente natural como fonte inesgotável de conhecimentos e de aplicações artísticas.

 Quanto à evolução das artes plásticas em Angola, o artista assegura que as mesmas têm bons artistas e muita produção artística, mas "faltam sobretudo consumidores e coleccionadores”, o que está a limitar todos os esforços que visam o desenvolvimento.

 Van frisou que antes da sua participação na última exposição colectiva, em dueto com o fotografo belga Kristof Degrauwe, de 7 de Maio a 30 de Junho deste ano, na mesma galeria de arte, expos individualmente, no Camões, em Luanda, na exposição de pintura "Formas, Kitandeiras e Zungueiras”, um projecto que nasceu da necessidade de mostrar ao público um conjunto de obras, no qual o autor aborda, plasticamente, a mulher no mercado informal de trabalho.

 Sobre a mostra "Arte, Natureza e Objectos”, o escritor, poeta e crítico Lopito Feijó,  escreve que "uma vez mais, fazendo jus à sua presente, regularidade e constância pictórica nos mais visíveis, representativos e significativos da urbe luandense, Van surpreende-nos com mais esta proposta impregnada de um forte apelo para a leitura visual e fruição de uma parte dos motivos da sua inspiração e criatividade dos últimos tempos.”

Lopito Feijó, refere, ainda, que com mais de três dezenas de exposições individuais e centenas de exposições colectivas em que participou, esta nova mostra de Van "é multidisciplinar e reúne artes visuais e plástica desde desenho, pintura, escultura  vídeo e instalação”.

O crítico afirma que, como refere o próprio Van, "o conceito é fruto dos meus ambientes e vivências locais - misturando arte tradicional angolana, arte popular, arte indígena , arte rupestre e arte contemporânea”.

Os objectivos da exposição de Van, realça, são "contribuir para a educação social e cultural da população angolana e não só, assim como revalorizar o ambiente natural como fonte inesgotável de conhecimentos e de aplicações artísticas”. 

  Uólofe Griot mostra "Libota Ya Motema”

"Libota Ya Motema” é o título da quarta exposição individual de artes plásticas do artista e designer Uólofe Griot que é inaugurada, também hoje, a mesma hora,  no espaço de arte e cultura.

 A mostra, que fica patente ao público até ao dia 30 de Outubro, com entrada livre, vai reunir um conjunto de 15 obras (mix mídia) - uma fusão de duas técnicas de artes, a fotografia e a pintura.

 Uólofe Griot revelou que se define como um artista contador de histórias, cujo processo de criação busca um estilo próprio tendo como base o seu trabalho da apropriação da escrita pictográfica e ideogramas africanos, principalmente a mitologias de várias culturas.

 Todos esses elementos, explica, têm uma relação com os Doodles que caracterizam a sua pintura, que são como as veias onde percorrem todas questões que permeiam o seu trabalho artístico: experiências, memórias, conhecimento e a sua própria espiritualidade.

Sobre a mostra "Libota ya Motema”, que traduz para "Família de Coração”, como refere o Escritor e Curador Zaci Dombaxi Xinavane sobre esta nova obra do Uólofe Griot: "o artista transforma a galeria, um espaço caracterizado por paredes brancas que simbolizam o vazio ou a falta de privacidade, em um Bélo, para discutir e descortinar as nossas relações familiares, interpessoais e ao mesmo tempo sociais. O artista estica e estende as veias sanguíneas criando nós/pontos de ligação buscando unir todo público presente na galeria e questionar silenciosamente, a cada um sobre o estado das nossas relações familiares.”

O jovem artista Uólofe Griot, recentemente, premiado na XVI Edição da ENSARTE com o "Grande Prémio, 1º Classificado, Pintura”, define-se como: "um artista contador de histórias. Um Griot! O seu processo de criação busca um estilo próprio tendo como base o seu trabalho e a apropriação da escrita pictográfica, ideogramas africanos e principalmente mitologias de várias culturas. Todos estes elementos têm profunda relação com os "doodles” que caracterizam a sua pintura onde, como as veias, percorrem todos as questões que permeiam o seu trabalho artístico: experiências, memórias,  conhecimento e sua própria espiritualidade.”

Conta com três exposições individuais e participou em mais de treze mostras colectivas. Participou em três residências artísticas, sete "performances” e nove pinturas de murais. Nesta exposição, apresenta 15 fotografias inéditas com intervenção "doodles” do próprio artista.

 De nome próprio Simão André Sebastião, mais conhecido no mundo das artes por Uólofe Griot, nasceu em 1989, na capital angolana. É um artista e designer, membro da União Nacional de Artista e Plásticos (UNAP) e estuda na Faculdade de Artes, na Universidade de Luanda.

 Desde que apostou na carreira, o artista já realizou várias a mostras individuais todas desenvolvida no espaço ELA, destacando-se, "Desde o Período Paleolítico até aos Nossos Dias” (exposição virtual ), em 2020, "A UtoretraTO” (2017) e "Ideia”, em 2019.

 Entre as mostras colectivas em que participou estão a exposição " Water For Life” - Resiliart Angola, no Palácio de Ferro, em Luanda (2021), "II Bienal de Luanda - Fórum Pan - Africano para Cultura e Paz ”, Museu de História Militar, ex-Fortaleza de São Miguel (Luanda), em 2021,  "Atlântico: Angola e São Tomé e Príncipe Contemporânea” CircleArt, em Nairobi, Quénia (2019), "UNAP 45 Anos ”, na UNAP, (2019) e "Cape Town International Convention Centre”, em Cape Town, África do Sul.

Participou também em mostras como na "Coopeart ”, na ex-galeria Celamar, da ceramista Marcela Costa, na Ilha do Cabo (2012), no Luanda Cartoon, no Centro Cultural Português - Instituto Camões (2018), pintura mural, no viaduto da avenida Deolinda Rodrigues, (2017), no Festival Nacional de Cultura (FENACULT),na  viaduto do 21 de Janeiro, (2014), no Bai Arte, Academia Bai, no Morro Bento (2017), na II edição "Meu Gueto Minha Bandula”,  Kassequel do Lourenço, (2018), na Expo Cultura e Artes, UNAP, (2017), no "Projekta”, Baia de Luanda e no Ensa-Arte, XIV edição (Prémio Juventude), no Museu da Moeda, em 2018.

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