Economia

Petrolífera Total assegura 15 mil milhões de dólares para gás em Moçambique

A petrolífera francesa Total deverá assinar em Junho acordos de financiamento com duas dezenas de bancos no valor de 15 mil milhões de dólares, devendo retomar nesse mês as operações do projecto de gás natural em Moçambique.

20/05/2020  Última atualização 14H45
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De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, que cita fontes próximas do processo, a primeira e mais significativa fase dos financiamentos para o projecto de gás natural liquefeito no norte do país, na Área 1, o maior investimento privado em África, envolve instituições financeiras, incluindo 20 bancos.

A garantia de 15 mil milhões de dólares em financiamento para a construção do projecto orçamentado em 23 mil milhões de dólares, que vai liquefazer gás natural para exportação, surge numa altura em que as companhias de petróleo e gás estão focadas no controlo dos custos, num contexto de redução da procura por energia e pressão nos preços, cortando os lucros das empresas.

O projecto Mozambique LNG será o primeiro empreendimento em terra de exploração de gás natural na bacia do Rovuma, constituído inicialmente por dois módulos com uma capacidade nominal de 12,88 milhões de toneladas por ano (mtpa). Os projectos de gás natural, com os quais o Governo espera receitas na ordem dos 38 mil milhões de dólares, devem entrar em produção dentro de aproximadamente cinco anos e colocar a economia do país a crescer mais de 10% anualmente, segundo o Fundo Monetário Internacional e outras entidades.

O grupo de 20 bancos inclui o Rand Merchant, o Standard Bank e a Societe Generale, que é também o consultor financeiro da operação, apontou a Bloomberg. "Estamos muito agradados em ver progressos, aprovámos grandes participações em Moçambique e em empréstimos comerciais e estamos ansiosos por assinar os acordos nas próximas semanas", disse o chefe do departamento de petróleo e gás no Standard Bank, Dele Kuti, em declarações à agência.

Um porta-voz da Total confirmou que o projecto deverá recomeçar as operações em Junho, na sequência do encerramento devido à propagação da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Na terça-feira, a Total tinha já reafirmado a data de exploração de gás natural em Moçambique, sete semanas após suspensão temporária de atividades devido à descoberta do primeiro caso de covid-19 no futuro complexo industrial de processamento de gás natural em Cabo Delgado.

"Com base nas previsões actuais, essa suspensão temporária de actividades não terá um impacto material no cronograma do projecto e continuamos no caminho certo para efectuarmos a entrega das primeiras cargas de Gás Natural Liquefeito em 2024", lê-se na 'newsletter' da petrolífera francesa distribuída na terça-feira.

Os primeiro caso de Covid-19 descoberto no complexo industrial de processamento de gás natural da Total em Afungi, Cabo Delgado, foi anunciado em 02 de abril, seguindo-se várias outras infecções que tornaram o local um foco de contaminação e que colocaram a província com maior número de casos de covid-19 em Moçambique. A petrolífera foi obrigada a isolar alguns trabalhadores e suspender temporariamente as suas actividades, deixando em funcionamento apenas "trabalhos mínimos" na área do projecto para a exploração de gás no Norte de Moçambique.

"Por enquanto, os que permanecem em Afungi estão a trabalhar na segurança e na logística, bem como no programa de desinfecção. Depois que o sítio for declarado livre da Covid-19 e em conformidade com as directrizes do Ministério da Saúde, retornaremos gradualmente ao trabalho", acrescentou a petrolífera francesa. Em África, há 2.912 mortos confirmados, com mais de 91 mil infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

 

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