Economia

Petróleo financia recuperação económica prevista para 2022

Hélder Jeremias

Jornalista

O Governo conta com a entrada em operação de novos projectos petrolíferos, este ano, quando se espera que o sector registe um crescimento de 1,6 por cento, para financiar a recuperação da actividade económica do país, declarou ontem, em Luanda, o secretário de Estado para o Planeamento, ao descrever aspectos da estratégia institucional para manter as metas macroeconómicas adoptadas com o Orçamento Geral do Estado.

14/01/2022  Última atualização 08H10
Secretário de Estado para o Planeamento, Milton Reis © Fotografia por: Contreiras Pipa| Edições Novembro
"O sector petrolífero deverá dar-nos os recursos financeiros para continuar a financiar os demais sectores,  na medida em que o crescimento esperado de 1, 6 por cento  permite-nos esperar que venhamos ter uma produção média, em 2022, de 1 148 000 barris por dia”, disse Milton Reis num "briefing” com representantes da imprensa.

O secretário de Estado atribuiu a retoma do crescimento do sector petrolífero a actividades de perfuração de novos campos produtores no Bloco 0, com a entrada em fase de produção de novos poços, o início da campanha da perfuração de poços para desenvolvimento no Bloco 15 e a produção nos campos do Cuíca e Dungo, no bloco 15-06.

De acordo com o responsável, há, ainda, a perspectiva da entrada em produção da fase 2 do Campo Agogo no Bloco 15-06, actividades de perfuração de poços nos blocos 17 e 31, a entrada em produção do Campo Platina, no Bloco 18, assim como a primeira fase de produção do projecto Caril OPAP, no Bloco 32.

Milton Reis lembrou que a evolução esperada do Produto Interno Bruto (PIB), em 2022, é a de um crescimento global de 2, 4 por cento, com o sector petrolífero a contribuir 1, 6 por cento e o não petrolífero 3,0 por cento.

Nessa acepção, o Governo projecta um crescimento da produção de diamantes de cerca de  10 por cento, para se situar em torno dos 10 milhões de quilates, além de desempenhos positivos nos sectores da Agricultura, com uma expansão de 4,0 por cento, Pescas (idem), Transportes (2,0), Comércio (3,0 ) e a Indústria  (4, 5).


Sector não petrolífero

O crescimento esperado para o sector da Agricultura, frisou Milton Reis, deverá resultar das acções que estão a ser desenvolvidas no apoio às campanhas agrícolas desde Agosto de 2021, devendo levar ao aumento da produção de todas as fileiras, com destaque para o das frutas, com a banana a crescer 6,0 por cento, fileira de tubérculos, onde se pode esperar uma expansão da produção de mandioca e batata-doce de 5,0 e 4,5 por cento, respectivamente.

 Na fileira dos cereais, o destaque  recai para o milho e o arroz, com taxas de crescimento estimadas em 3, 5 e 3,2 por cento, sendo que o desempenho esperado no sector da Indústria deverá ser impulsionado pelo aumento da produção do açúcar em 27 por cento, de água de mesa (20), rações para animais (17),  sumos (9,2), assim como de cerveja (2,0).

"Estas estimativas  têm subjacente um grau elevado de incerteza, tendo em conta que ainda continuamos a viver a situação de pandemia que nos leva a identificar alguns riscos que poderão inibir a actividade económica, entre os quais o possível aumento dos níveis de contágio, que poderá obrigar a paralisação de alguns sectores da actividade económica, e  oscilações negativas de preços no sector petrolífero, com impacto no Tesouro e contas externas”, alertou.

Milton Reis referiu-se ainda aos riscos no sector da Agricultura, caso as chuvas forem  insuficientes ou excessivas, ou caso se coloquem dificuldades no acesso aos "inputs” tais como sementes, vacinas, adubos e fertilizantes.

As ameaças susceptíveis de constranger as previsões no domínio da Indústria colocam-se caso se verifique uma acentuada falta de crédito,  ou a indisponibilidade de acessórios e equipamentos  industriais.



  Reserva Estratégica Alimentar privilegia o mercado nacional

O Chefe de Departamento para o Planeamento Sectorial do Ministério da Economia e Planeamento (MEP) disse, ontem, em Luanda, que o processo de Implementação da Reserva  Estratégica   Alimentar de Angola terá como principal critério a compra de produtos de produção nacional com vista a estimular o desenvolvimento das unidades produtivas do país.

Adilson da Silva teceu estas considerações no "briefing” do MEP com a imprensa, onde foi   questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de a importação de elevadas quantidades de bens da cesta básica prejudicar os produtores nacionais.

O responsável indicou um diagnóstico elaborado pelo MEP, onde se procura catalogar os produtores a nível nacional, para avaliar os níveis de produção de cada unidade, num exercício que permite assegurar o intercâmbio com os potenciais compradores ao nível dos municípios e  dinamizar o circuito.

"Fica mitigada a possibilidade de haver maior disponibilidade de produtos da cesta básica importados em detrimento daquilo que são as nossas produções locais, em função das primeiras indicações da implementação da Reserva Estratégica Alimentar, que privilegia a compra da produção local”, garantiu.

O secretário de Estado para o Planeamento, Milton Reis, reforçou, afirmando que a Reserva Estratégica Alimentar tem como objectivos combater a especulação dos "bens de amplo consumo das populações”, num processo que envolve os departamentos ministeriais da Indústria e Comércio, Agricultura e Pescas e o MEP.

"A Reserva Estratégica é um instrumento de política económica do Executivo que visa, sobretudo, salvaguardar o poder de compra da população. Nesta conformidade, só cobrirá aqueles bens de amplo consumo, privilegiando a compra de produtos não refinados no nosso mercado, de forma que a sua transformação possa agregar valor e emprego na indústria, distribuição e comércio”, disse.





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