Desporto

Petro derrota 1º de Agosto

Honorato Silva

Jornalista

Com golpes certeiros e providenciais, o Petro de Luanda venceu o 1º de Agosto, por 3-0, ontem no Estádio Nacional 11 de Novembro, resultado que clarificou a capacidade competitiva das equipas envolvidas na disputa da conquista do título do Girabola, prova que conta na presente edição com o Sagrada Esperança como candidato de corpo inteiro.

13/06/2021  Última atualização 04H30
© Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
O clássico dos clássicos número 81 confirmou a ascensão dos tricolores e o esvanecer dos rubro e negros, pela quase consumada descrença na conquista do quinto troféu consecutivo da competição, feito exclusivo do clube do Eixo Viário, que cerra fileiras para impedir a consumação do objectivo do arqui-rival.


Numa adaptação da música de Dionísio Rocha, o relato cantado da história vitoriosa dos petrolíferos, assenta como luva, puxar o titular da crónica do desafio para a primeira estrofe, que afirma, de forma categórica, que na hora da verdade, "ninguém segura o Petro”.


Com toda a sinceridade, nem os tetracampeões foram capazes de travar a marcha triunfal da equipa empanturrada de confiança montada por Mateus Agostinho "Bodunha”, prata da casa que está a ganhar a aposta do presidente Tomás Faria, na substituição do espanhol Antonio Cosano, afastado no calor da campanha menos conseguida na Liga dos Clubes Campeões Africanos.


Job, aos 16 segundos, quando muitos telespectadores ainda procuravam aquecer as poltronas, Thiago Azulão, aos 45+1 minutos, antes de Hélder Martins apitar para o intervalo, e Vidinho, aos 49, logo no reatamento do jogo, fizeram com contornos dramáticos os golos que valeram um triunfo merecido aos tricolores, apesar da elasticidade do resultado esconder a reacção do adversário.


Morro difícil de escalar


Um golo a abrir e outro a fechar a primeira parte deram aos tricolores uma vantagem preciosa no confronto directo com os arqui-rivais, recolhidos aos balneários assoberbados de falhas a corrigir. Anular um atraso tão acentuado, frente a um opositor de grande monta, afigurava-se tarefa espinhosa, semelhante à escalada dos 2.620 metros de altitude do Morro do Moco, o ponto mais alto de Angola. 


O 1º de Agosto até conseguiu recuperar do golpe que levou em cheio, na boca do estômago. Ganhou vantagem no comando e controlo do desafio, mas sem discernimento para violar a baliza defendida por Élber. Melono Dala, Mabululu e Bito tiveram várias situações que, caso fossem melhor aproveitadas, forçariam a alteração da crónica do jogo, que teve 45 minutos iniciais dignos da importância dada à disputa mais aguardada do desporto angolano.


A vitória deixa os petrolíferos com uma avenida aberta rumo à consagração, agora líderes isolados, 54 pontos, enquanto os militares, puxados para o terceiro lugar, 51, ficam a depender de terceiros, quiçá de um milagre, por terem de passar primeiro pelo Sagrada Esperança, segundo, 52 pontos. O clássico dos clássicos passa a registar 33 triunfos dos homens do Catetão, 26 da formação do antigo RI-20 e 22 empates. Resta saber de que forma o português Paulo Duarte, contratado com o foco num brilharete africano, vai recuperar a equipa, visando as últimas seis jornadas. Em resumo, ficou confirmada a espiral recessiva do 1º de Agosto.

  Sagrada vence em Malanje e sobe ao segundo lugar 

O Sagrada Esperança deu passo importante para manter a luta pela liderança do Girabola, ao derrotar de forma convincente a Baixa de Cassanje, por 3-1, e assumiu a segunda posição da tabela classificativa, com  menos dois pontos que o novo líder, Petro de Luanda.

Contra todas as previsões, o Interclube não soube capitalizar o factor casa e deixou-se surpreender pelo Cuando Cubango, ao permitir igualdade a um golo, já na parte final da contenda, resultado que deixa cada vez mais longe dos lugares cimeiros a formação afecta ao Ministério do Interior.

De mal a pior vai o Sporting de Cabinda que não tem tirado proveito do factor casa, para amealhar os pontos que garantem a permanência, ao perder ontem, por 0-1, frente ao Recreativo da Caála. Progresso Sambizanga e Académica do Lobito repartiram pontos, num empate que teve sabor a derrota para os "estudantes” lobitangas. Os sambilas podem dar-se por satisfeitos com a igualdade, já que nos últimos desafios têm somado apenas derrotas.   Na sequência da jornada, hoje estão agendados os seguintes jogos: Santa Rita-D Huíla e Wiliete-Ferrovia. O desafio entre Bravos do Maquis e Recreativo do Libolo foi adiado, devido a casos positivos da Covid-19 na equipa do município de Libolo.

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