Coronavírus

Pessoas vacinadas podem ter a mesma quantidade de vírus que as não vacinadas

Um estudo sobre um surto de casos de infecção com o novo coronavirus no Estado do Massachusetts, nos Estados Unidos, concluiu que as pessoas vacinadas podem ser portadoras da mesma quantidade de vírus que as não vacinadas.

03/08/2021  Última atualização 02H00
© Fotografia por: DR
Na sexta-feira, dirigentes do sector da saúde dos EUA divulgaram detalhes desta investigação, que foi decisiva na medida dos Centros de Controlo e Prevenção de Doença (CDC, na sigla em Inglês) de recomendar às pessoas vacinadas que voltem a usar máscara em espaços fechados, nas zonas dos EUA onde a variante delta está a alimentar uma subida das infeções.

Os autores do estudo afirmam mesmo que as conclusões sugerem que a orientação dos CDC sobre o uso das máscaras deve ser expandida para o conjunto do país, mesmo para eventos fora de portas.
As conclusões têm o potencial de alterar o pensamento sobre a forma como a doença é transmitida. Antes, pensava-se que as pessoas vacinadas que foram infectadas tinham baixos níveis de vírus e não os deveriam transmitir a terceiros. Mas a nova informação mostra que não é o caso com a variante delta.

O surto em Provincetown - uma estância turística no cabo Cod, no condado com a maior taxa de vacinação do Massachusetts - já conta com mais de 900 casos. Destes, cerca de três quartos respeitam a pessoas que tinham sido totalmente vacinadas.
Como muitos Estados, o Massachusetts levantou todas as restrições associadas ao novo coronavirus no final de Maio, antes do Memorial Day, que marca o início da época de Verão. Mas, na semana que termina, Provincetown reinstituiu a exigência da máscara para todas as pessoas.

Documentos internos do CDC, que vieram a público, sobre o surto de infecções e a variante delta, sugerem que o CDC pode estar a considerar outras alterações no aconselhamento da luta contra o coronavirus nos EUA, como recomendar o uso generalizado de máscaras e exigir a vacinação de médicos e outros trabalhadores da saúde.
A variante delta provoca infecções que são mais contagiosas que a gripe comum, a varíola e o vírus Ébola e é tão contagiosa como a varicela, segundo os documentos, que mencionam os casos de Provincetown.

Os documentos foram obtidos pelo Washington Post. Como salientam, as vacinas contra o novo coronavirus são muito eficazes contra a vari-ante delta na prevenção de mortes e doenças graves. O surto em Provincetown e os documentos realçam o enor-me desafio que o CDC enfrenta no encorajamento da vacinação, enquanto admite que os surtos podem acontecer, mesmo que raros.

Os documentos parecem ser guias para declarações públicas dos quadros do CDC. Um ponto aconselha: "Reconhecer que a guerra mudou", em referência aparente à preocupação crescente com a possibilidade de muitos milhões de vacinados poderem ser fonte de contágios generalizados.
Uma porta-voz da agência declinou fazer comentários.

Se bem que os peritos concordem com a posição revista do CDC sobre o uso de máscaras em espaços fechados, alguns afirmam que o relatório do surto de Provincetown não prova que as pessoas vacinadas são uma fonte significativa de novas infecções.

"Há uma plausibilidade científica para a recomendação (do CDC). Mas não deriva deste estudo", disse Jennifer Nuzzo, uma investigadora em saúde pública da Johns Hopkins University.
O estudo do CDC é baseado em cerca de 470 casos de infecções ligados às festividades em Provincetown, que incluíram eventos com muitas pessoas, em espaços fechados e abertos, em bares, restaurantes, casas de aluguer e outras habitações.

Os investigadores fizeram testes a parte deste universo e encontraram sensivelmente o mesmo nível de vírus nas pessoas que foram vacinadas e nas outras.
Três quartos das infecções foram em pessoas totalmente vacinadas. Entre os que tinham todas as doses da vacina, cerca de 80% tiveram sintomas, como tosse, dor de cabeça, febre, dores de garganta e dores musculares.

Os dirigentes do CDC adiantaram que há mais estudos, e de âmbito superior, a serem feitos e a chegar, em que se estão a seguir dezenas de milhares de vacinados e não vacinados em todo o país.

 
INCENTIVO Em NOVA IORQUE

Quem se vacina ganha 100 dólares


O município de Nova Iorque oferece, desde sexta-feira, um incentivo financeiro de 100 dólares às pessoas que se vacinem contra a Covid-19, anunciou o presidente da Câmara, Bill de Blasio.
A medida visa dar um novo impulso à campanha de imunização na cidade, onde as autoridades sanitárias já aplicaram cerca de 10 milhões de doses, mas onde o índice de aceitação das vacinas está a diminuir.

Segundo os dados oficiais mais recentes, 54,4% da população de Nova Iorque (cerca de 8,3 milhões de pessoas) está totalmente vacinada contra o novo coronavírus, uma percentagem que sobe para 65,5%, se forem contabilizados apenas os adultos.

De Blasio insistiu que a vacinação é a única forma de garantir a recuperação da cidade e defendeu a importância deste tipo de incentivo económico para encorajar todos os cidadãos.

"Nos postos de vacinação administrados pela autarquia, quando tomarem a primeira dose (...) receberão 100 dólares”, sublinhou o presidente da Câmara, ao anunciar o programa, que teve início na sexta-feira.

Nova Iorque já antes tinha oferecido incentivos de vá-rios tipos para aumentar a administração de vacinas, incluindo sorteios de prémios de cinco milhões de dólares (cerca de 4,2 milhões de euros) até hambúrgueres e batatas fritas grátis.

Entretanto, no Estado de Nova Iorque, os funcionários públicos vão ser obrigados a estar vacinados contra a Covid-19 ou, caso se recusem, a fazer testes semanais, numa tentativa das autoridades para travar a disseminação da variante Delta.

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