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Pescadores no Namibe solicitam apoios

As dificuldades na aquisição de material de reposição estão na base das limitações de captura de pescado nos mares do Lobito. Esta preocupação foi manifestada pelos pescadores e armadores locais, para quem a alta de preços aplicados para a aquisição de materiais, como as redes e anzóis, bem como a não subvenção dos preços de combustíveis para os motores das embarcações, estarão na base das dificuldades.

02/09/2022  Última atualização 08H05
Júlio Galiano| Edições Novembro © Fotografia por: JÚLIO GAIANO | EDIÇÕES NOVEMBRO

Está uma situação difícil de se remediar, porquanto na falta de meios, grande parte dos "profissionais” limita as suas actividades (pesqueiras) a menos duas milhas (equivalente a 3 quilómetros e 604 metros), quando o permitido para a pesca artesanal vai de duas (chata) a seis (traineira) milhas. Ainda assim, existem outros que, numa clara violação às normas estabelecidas pelas autoridades pesqueiras, estendem a actividade para lá das 10 a 15, arriscando inclusive a vida dos seus ocupantes.

No Lobito-Velho, uma das maiores zonas pesqueiras, o Jornal de Angola apurou que, além da carência dos meios, os homens do mar queixam-se das constantes violações do seu espaço de pesca, por altas de embarcações, praticando a pesca do arrasto, capturando grande quantidade de espécies não visadas para a comercialização, bem como a destruição do ecossistema.

E, como se não bastasse, as redes e "as barcaças apanham por tabela”, encarecendo assim o pescado. "Dificilmente são detectados. Ou seja, apagam as luzes, ante a perigosidade que provocam para os pescadores artesanais que, não raras vezes, vêm as suas barcaças e respectivos acessórios destruídos”, revelou Angelino Severino, 34 anos, 11 dos quais na actividade de pesca. Para o pescador, o mar está cheio de mistério, pelo que todo o cuidado é pouco quando se faz uso dele.

A associar-se a este problema, os "marinheiros” queixam-se, também, do excessivo trabalho de fiscalização. Na sua óptica, a sua acção inibe, de certa forma, na transportação dos pescados à costa, impactando, negativamente, na comercialização dos referidos produtos, segundo o septuagenário Augusto Kessongo.

O velho pescador confidenciou, à nossa reportagem, que, nos últimos tempos, o cerco tende a apertar, criando sérios embaraços aos armadores e pescadores, sobretudo para aqueles que estão em situação irregular para se fazer ao mar. "As coisas não estão fáceis para quem tem no mar o seu ‘ganha pão’, ser vistoriado só num dia, em três ocasiões, ante a incapacidade de poder impedi-los”. Lamentou.

O Jornal de Angola apurou ainda, no local, que o rendimento das actividades da pesca artesanal, nos mares do Lobito, estão associadas aos factores climáticos (temperaturas, precipitações e corrente marinha) que se fazem sentir em determinadas épocas do ano na região Sul e Centro Sul. "Nesta época, é frequente capturar-se o carapau, atum e cachucho, além de mariscos como polvo e chocos.

Tempo condiciona actividade de pesca  

A sardinha, a tainha e outros peixes, como a ferreira, arrancador e brota acontece mais em época de chuva, concretamente de Outubro a Maio”, contou o Manuel Candeeiro, acrescentando que parte do pescado é vendido ou entregue (a grosso) a seus clientes para venderem nos mercados locais e das províncias do Huambo, Bié e Moxico.

"Às vezes, quando estamos em alta, parte da produção é congelada ou seca para comercializar na República Democrática do Congo (RDC), Zâmbia, Rwanda e Burundi. É como tudo, nesse tipo de negócio tem havido as perdas resultantes dos gastos para a conservação e transporte dos produtos para os locais de venda”, disse Candeeiro, lembrando que a actividade pesqueira está associada às políticas fixadas pelo Executivo assente no combate à fome e à pobreza. 

Sérgio V. Dias  e Júlio Gaiano | Lobito

 

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