Economia

Perto de 80 empresas norte-americanas trazidas ao país com apoio da AmCham

Hélder Jeremias

Jornalista

Cerca 80 grandes, médias e pequenas empresas norte-americanas operam no mercado angolano, o que confirma o balanço positivo do trabalho desenvolvido, ao longo de cinco anos, pela Câmara de Comércio Americana em Angola (AmCham- Angola).

07/08/2022  Última atualização 15H39
Embaixador dos Estados Unidos, Tulibano Mushingi, fala aos participantes na comemoração do 5º aniversários da AmCham © Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Estas declarações foram proferidas à imprensa, pelo presidente da AmCham-Angola, Pedro Godinho, no acto de comemoração do quinto aniversário da organização, realizado na quinta-feira, em Luanda, sublinhando que, ao longo desse período, a confiança das empresas norte-americanas no mercado angolano aumentou, permitindo a absorção de investimentos fora do sector petrolífero, até ao ponto de permitir perspectivar uma parceria estratégica entre os dois países.

"A nossa grande dedicação e esperança é que, um dia, Angola possa ser um parceiro estratégico dos Estados unidos do ponto de vista comercial e económico e é aí onde temos estado a nos debruçar nas nossas actividades”, disse.

Os primeiros cinco anos, segundo Pedro Godinho, tiveram maior incidência na advocacia, ou na orientação e defesa dos interesses das empresas dos Estados Unidos no mercado angolano, "para que  se sintam  bem acolhidas” e canalizem para Angola investimentos que incluem a transferência de conhecimento e de tecnologia, com reflexo na abertura de linhas de financiamento e o envolvimento de fundos de investimento.

O presidente da AmChm-Angola apontou que a principal dificuldade  das empresas norte-americanas  reside em "entender em que sectores é que  poder-se-ia fazer esta mobilização”, razão pela qual  Câmara elegeu os sectores da Energia e Infra-estrutura,  Agricultura, Economia Digital, Turismo e Cultura, bem como os Serviços Bancários e Financeiros, este último, pela importância dos bancos correspondentes.

Entre as empresas mais bem implementado, destaque para a John Dear, especializada no fornecimento de equipamentos, suportada por uma equipa que permite avaliar, enquanto promotor, as necessidades em termos de ferramentas e equipamentos, ao mesmo tempo que dispõe de uma estrutura financeira que financia os produtores.

"Eles têm desenvolvido esta experiência em África com excelentes resultados, de maneira que, caso  Angola conte  com um sector agrícola desenvolvido, o resultado será o alcance da auto-suficiência alimentar, uma vez que fomos ‘bafejados’ por terras férteis, um clima tropical favorável, entre outras vantagens comparativas”, salientou Pedro Godinho.

 

Domínio científico

O presidente da Câmara de Comércio Americana em Angola, Pedro Godinho, anunciou um projecto que visa a constituição de parceria entre universidades angolanas e norte-americanas, para ajudar a melhorar a qualidade de ensino superior  em Angola e a reforçar a capacitação dos quadros nacionais.

Pedro Godinho informou que o projecto tomou forma, aquando da realização do  Fórum de Negócios entre os Estados Unidos e Angola, em Nova Iorque, há quatro anos, altura em que os empresários daquele país inteiraram-se das reformas económicas que o Executivo está a aplicar, acrescentando que, passado esse tempo, "conseguiu-se conquistar o coração das empresários e das instituições americanas”.

O responsável enalteceu o facto de o Presidente norte-americano, Joe Biden, ter anunciado, no fim de Junho, que o seu Governo aprovou 2,0 mil milhões de dólares para apoiar Angola, no quadro de um programa de apoio aos países em vias de desenvolvimento, em particular para o continente africano. "Se tivermos em conta que, dos 54 países africanos, apenas Angola foi focada, significa que os Estados unidos acreditam na parceria com o nosso país”, disse.

"Este gesto do Presidente Joe Biden anunciar o interesse dos Estados Unidos por Angola, junto dos líderes de seis das maiores potências, representa um convite para eles também  enveredarem pelo mesmo caminho, pois o grupo G7 está a trabalhar num fundo de 600 mil milhões de dólares destinados a ajudar os países  pobres, sobretudo do continente africanos”, sustentou Pedro Godinho.

 

Arrecadação de receitas

O secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, considerou, na ocasião,  que as acções levadas a cabo pelo Executivo para  melhoria do ambiente de negócios são fundamentais para que as empresas norte-americanas e de outras regiões possam decidir fazer investimentos no nosso país.

Ao falar aos jornalistas, Ottoniel dos Santos garantiu que  o Ministério das Finanças, com todos os organismos com os quais trabalha, está determinado na permanente implementação de medidas que contribuam para a melhoria deste ambiente e atrair investidores.

A efectivação deste objectivo, na perspectiva do secretário de Estado, passa pelo melhoramento das receitas fiscais, de forma a diminuir a necessidade do Estado entrar para o mercado, permitindo, deste modo,  que o sector privado possa evoluir e participar no desenvolvimento da economia.

"Fizemos, recentemente, aprovar o Código de Benefícios Fiscais, que é um factor muito importante na atracção de investimento privado e tem vindo a mobilizar investimentos de outras  regiões e a facilitar, também, que projectos importantes possam ser implementados, assim como a captação de bons  financiamentos, à semelhança daquele que permitiu a materialização de projectos de energias fotovoltaicas”, referiu.

Ottoniel do Santos acrescentou que os Estados Unidos têm projectos com enfoque em África e "nós procuramos dar o nosso contributo singelo de modo a garantir que tudo seja, de facto, uma realidade. São pequenos contributos, mas de grande impacto na estratégia global do Executivo, o que poderá servir de base para que, cada vez mais, empresas dos Estados Unidos da América, com Ajuda da AmCham, venham operar em Angola”.

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