Sociedade

Peregrinos rezaram pela salvação das famílias

Roque Silva e Kílssia Ferreira

O padre Venâncio Branco, da Diocese de Viana, pediu sexta-feira, segundo dia da peregrinação ao Santuário da Mamã Muxima, aos fiéis católicos que estejam mais unidos e rezem pela salvação das suas famílias.

06/08/2022  Última atualização 07H30
© Fotografia por: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Numa celebração eucarística, o padre defendeu que os peregrinos devem colocar-se no caminho da salvação, com ajuda de orações, no intuito de obterem o discernimento suficiente para a abstenção de "más práticas, acções e comportamentos erróneos”. 

O sacerdote, que orientou a primeira celebração eucarística do segundo dia da peregrinação, que decorre até amanhã, sob o lema "Mamã Muxima, em tuas mãos colocamos o povo de Angola”, recomendou aos fiéis a orarem frequentemente, a pedirem a intervenção da Mamã Muxima e a cultivarem a união com Deus, para que as famílias estejam próximas da salvação. 

"Oremos sempre e estejamos em comunhão com Deus, para salvar quem está à volta de nós e garantir que estejamos à altura de evitar as tentações, ter ordem na vida, em casa, na família… Ser como Maria, humilde e Santa até nas acções”, disse. 

Na primeira celebração eucarística de ontem, dedicada ao tema "Cada dia colocar-se no caminho da salvação”, o prelado da Diocesse de Viana aconselhou os peregrinos a viverem em paz, como filhos de Deus.  

"Maria é o único motivo que nos traz cá, por isso devemos honrá-la”, frisou.

Na celebração eucarística, o prelado católico pediu ainda aos cristãos que cultivem as virtudes de Maria, que são a fé, viver na pobreza com dignidade e ter confiança em Deus e na Sua palavra, como a solução para todos os problemas.  

"Deus ouve as orações e responde. O cristão é que não deve ficar surdo”, realçou o padre Venâncio Branco, aconselhando os peregrinos a aproveitarem todas as oportunidades para fazer o bem e a cultivarem as virtudes da Virgem Maria, como o espírito de observação, para fazer o bem. 

 O padre Venâncio Branco manifestou o desejo de ver a vida cristã do povo angolano cada vez mais intensa, tendo Jesus Cristo como uma das prioridades.

"Que Jesus Cristo seja sempre o primeiro nos nossos pensamentos e em tudo que fazemos, pois todo o trabalho deve ser feito com espírito de Cristo, para servi-lo. 

O maior santuário de devoção Mariana na África Subsariana reúne, desde quinta-feira, milhares de fiéis católicos, em representação de várias Dioceses espalhadas por Angola. 

A peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, popularmente conhecida como Mamã Muxima, é a maior festa católica realizada em Angola e remonta ao ano de 1883.  

O local sagrado pelos católicos está na vila da Muxima, sede do município da Quiçama, localizada a cerca de 130 quilómetros da cidade de Luanda. O Santuário da Muxima, localizado nas margens do Rio Kwanza, o maior de Angola, está no território pastoral da Diocese de Viana.
Kilssia Ferreira e Roque Silva   


  Cresce o número de fiéis

Até ontem, cerca de 12 mil fiéis católicos provenientes de várias partes do país já se encontravam na vila da Muxima, em mais uma peregrinação anual à Nossa Senhora da Muxima, a 130 quilómetros de Luanda.Foi notória uma maior movimentação de pessoas e viaturas, a cada minuto que passava.

Segundo o porta-voz da Diocese de Viana, o padre Queirós Figueira, o número de peregrinos resulta do facto de estarem a ser os últimos dias da peregrinação. O prelado, que assumiu que são esperados à volta de um milhão de fiéis católicos, disse que o número registado ontem vai aumentar, por estar a aproximar-se o final de semana.

O mesmo movimento frenético foi registado na Estrada Nacional 110, onde várias viaturas transportam peregrinos.

Autocarros de transportes colectivos urbanos, azuis e branco e outras viaturas cobram entre 500 a mil kwanzas por pessoa, de Luanda à vila da Muxima, um percurso que inicia na zona da Estalagem, em Viana.

Ao longo da via é visível a venda de muitos produtos do campo, bem como agentes reguladores de trânsito e cones para separar os dois sentidos. Os automobilistas são aconselhados a reduzir a velocidade.

 Polícia em prontidão

A Polícia Nacional deteve, ontem, um cidadão pelo crime contra a integridade física e apreendeu dez grades de cerveja.

O segundo comandante provincial da Polícia Nacional, Gerson Vieira, disse, ao Jornal de Angola, que as grades de cerveja foram apreendidas pelo facto de ser proibida a comercialização da referida bebida no local da peregrinação.

O comissário Gerson Vieira considera calma a situação, acrescentando que a Polícia continua a sensibilizar os fiéis, desde os postos de partida dos autocarros de Luanda (Ramiros, Cazenga e Kilamba Kilamba) e do Cuanza-Norte e Malanje, no sentido de conduzirem com cuidado, evitando o excesso de velocidade, e a pautarem por uma conduta condigna.

Garantiu que a intenção é evitar registos de triste e má memória de 2019, em que viaturas com incapacidade técnica e operacional causaram acidentes e avariaram pela via.

Apelou, por outro lado, a população a manter o comportamento registado nos dois primeiros dias da peregrinação, para que a mesma termine sem sobressaltos, como uma verdadeira festa religiosa. "O nosso trabalho é mais pedagógico, para que essa missão corra com sucesso e tenhamos uma verdadeira festa religiosa. Por isso pedimos prudência, devendo-se evitar o uso de bebidas alcoólicas”, disse.

Durante as actividades, ao longo do dia, foi anunciado o desaparecimento de algumas crianças, mas, com a pronta intervenção dos Bombeiros e da Polícia Nacional, foi possível encontrá-las e entregá-las aos progenitores, numa tenda montada para o efeito.

Moradores da região aproveitam o momento para fazer negócios

A peregrinação à Mamã Muxima, tal como qualquer actividade que congrega inúmeras pessoas, é vista por alguns cidadãos como uma oportunidade de negócios.

Moradores de localidades do município da Quiçama e de outras artérias da província de Luanda aproveitam os dias da peregrinação para facturar.

Maria Neto, moradora da vila da Muxima, tem a sua residência à disposição dos peregrinos que pretendem fazer as suas necessidades vitais e higiene pessoal. 

Disse à nossa reportagem que cobra 200 kwanzas por cada pessoa que pretende urinar, 300 para defecar e 500 para tomar banho. Ontem, a quitandeira facturou 16.400 kwanzas, pois a sua residência, que está a escassos metros do Santuário da Mamã Muxima, foi muito concorrida por peregrinos que pernoitaram na romaria. "Alugo a minha casa para conseguir um pouco mais daquilo que tem sido habitual com as vendas de produtos do campo”.

Carla Damasco, residente no município de Icolo e Bengo, aproveita todos os anos a peregrinação à Mamã Muxima para fazer negócios. A jovem, de 37 anos, deixa dois filhos menores aos cuidados dos pais, com quem vive, na Urbanização Zango 8 mil, e desloca-se à vila da Muxima para vender refeições aos peregrinos.

Disse à reportagem do Jornal de Angola que chega a facturas por dia mais de 20 mil kwanzas, valor que já havia conseguido até às 16h00 de ontem. "Nesta fase as pessoas concentram-se e têm sempre necessidade de se alimentar, por isso faço esse negócio”.

Outra senhora que vê a peregrinação à Muxima como oportunidade para facturar é Cândida Inácio, moradora na Urbanização do Kilamba, no município de Belas. Desempregada, Cândida tem uma bancada recheada de produtos diversos. Mudou-se temporariamente, na passada terça-feira, para a residência de familiares, onde comercializa, à frente do portão, sumos naturais, sandes, kissângua e bombô com ginguba.

Referiu ser uma prática antiga que aprendeu com a mãe, que é descendente da Quiçama, que permite ganhar algum dinheiro. "Estou desempregada desde o aparecimento da Covid-19. Com o pouco que ganho consigo suportar algumas despesas”, explicou.

Pedro Carlos, que foi ao local da romaria na companhia da esposa, considerou a atitude das senhoras oportuna, por haver poucas alternativas na vila da Muxima. A sua esposa, Ana Carlos, defende que alguns moradores, em alturas de peregrinação, deveriam pensar em transformar as suas casas em hospedarias, pois a vila da Muxima tem apenas dois pequenos complexos hoteleiros, insuficientes para atender o número de fiéis católicos. Pela capacidade limitada, peregrinos pernoitam em tendas e fazem as refeições em barracas, montadas em quase toda a extensão da vila. Muitos confeccionam as suas refeições junto das tendas. 

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