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Pequenos agricultores em Benguela incentivados a criar cooperativas

Sampaio Júnior (*) | Benguela

Jornalista

Os agricultores familiares em Benguela foram incentivados a criar cooperativas, para fazerem crescer o seu negócio. O incentivo foi feito pelo agricultor Bernardo Francisco, que destacou o papel do cooperativismo no aumento da produção agrícola e da empregabilidade.

11/01/2022  Última atualização 08H30
A agricultura familiar é tradição mas o apelo à criação de cooperativas configura um desafio © Fotografia por: DR
Para Bernardo Francisco, os agricultores familiares só juntos podem fazer crescer o seu negócio, com a venda da produção. Mas aponta como "grande desafio” a formação dos cooperativistas.

"É necessário que saibam a importância do cooperativismo para que cresçam e disseminem os seus valores democráticos e princípios sociais e económicos, a fim de dar continuidade ao crescimento das comunidades do meio rural”, disse o também funcionário bancário, que possui duas fazendas agrícolas no vale do Cavaco.

Referiu que os agricultores familiares enfrentam outros desafios, como a comercialização dos produtos e a compra de suprimentos e insumos para a produção agrícola. Apelou aos membros das cooperativas a empregarem correctamente os recursos mobilizados pelo Executivo em prol do desenvolvimento do meio rural. Aconselhou-os, igualmente, a deixarem de ser "meros pedintes”.
"É necessário que os cooperativistas tenham capacidade de se superar com os apoios que recebem, fazendo uma aplicação correcta desses apoios”, sublinhou.

Lamentou o facto de ainda existirem famílias ligadas à agricultura de subsistência que vivem em extrema carência material, porque não conseguem ter resultados satisfatórios na sua produção, mesmo com os apoios que recebem. Lembrou que o papel fundamental da cooperativa agrícola é o provimento de recursos para que o agricultor/produtor seja incentivado a realizar a sua actividade com alguma regularidade, contando com linhas de crédito especial aos produtores, recursos próprios (angariados com a comercialização dos produtos) ou através do crédito governamental.

"O maior problema são os oportunistas que se valem das cooperativas para sacarem o seu. Recebem os imputes agrícolas e depois vão vendê-los ao mercado informal. Isto é triste, quando há pessoas que querem trabalhar com estes apoios”, lamentou.
Para Bernardo Francisco, esse tipo de irregularidades no funcionamento de muitas cooperativas já não deviam estar a acontecer. "Há pessoas que nem vou chamar de agricultores, que pegam os imputes agrícolas que  recebem de borla e vão vendê-los no mercado informal, sem o mínimo de vergonha na cara”, desabafou.

Os mesmos produtos, prosseguiu, acabam por vir parar na minha fazenda ou noutra qualquer. "Acho que devia haver um pouco mais de exigência da parte de quem entrega os imputes agrícolas e aprimorar o sistema de fiscalização devido à crise que se vive, para não permitir que os produtos tomem destinos menos correctos”, apelou.

Bernardo Francisco referiu que os pequenos agricultores devem ser  incentivados a buscar informação e treinamento para os sócios e membros da comunidade, promovendo, por essa via, a educação, capacitação e o desenvolvimento da sociedade em que estejam inseridas, sempre da forma mais democrática possível.

Explicou que devido ao carácter social e económico das cooperativas, têm sido de grande valia como alternativa de meio de produção, porque estimulam o agricultor/produtor membro a buscar conhecimentos sobre técnicas de produção, administrar a produção, entre outros. Esclareceu que outra vantagem das cooperativas é a busca da dignidade da pessoa através do trabalho e da melhoria das condições sociais e económicas de grupos de minorias.

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