Mundo

Pedida ajuda de urgência para milhares de afectados

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) alertou, quarta-feira (24), que cerca de 8,1 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no Norte da Etiópia devido à guerra entre o Governo central e os rebeldes em Tigray.

25/11/2021  Última atualização 09H40
Mais de oito milhões de etíopes têm necessidades urgentes © Fotografia por: DR
Num relatório com dados até ao dia 18, a OCHA afirma que a situação no Norte do país "permanece volátil e altamente imprevisível” devido ao conflito, que se propagou de Tigray para as regiões vizinhas de Amhara e Afar.
Além disso, sublinha que as operações humanitárias estão "severamente limitadas devido à insegurança, impedimentos burocráticos e outros factores que dificultam a prestação de assistência humanitária urgente”.
De acordo com o relatório, nenhuma ajuda humanitária organizada pela ONU chegou a Tigray, desde 18 de Outubro.

"Actualmente, mais de 300 camiões estão posicionados em Semera (capital de Afar), à espera de autorização das autoridades”, afirmou.

Em Amhara e Afar, "dezenas de milhares de pessoas” tornaram-se deslocados devido aos combates, segundo a OCHA.

Além disso, a situação alimentar em Tigray "continua precária, com o número elevado de crianças com desnutrição aguda grave e o nível de subnutrição aguda entre mães grávidas e lactantes acima dos 60 por cento, nos últimos meses”.

Sobre o conflito, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) salientou, num comunicado divulgado on-tem, que "as necessidades humanitárias urgentes continuam a crescer” em Amhara e Afar.

"É uma corrida contra o tempo para responder a algumas das necessidades humanitárias mais urgentes”, avisou o chefe da delegação do CICV em Addis Abeba, Nicolas Von Arx.

A guerra eclodiu em 4 de Novembro de 2020, quando o Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, ordenou uma ofensiva contra a Frente de Libertação do Povo Tigray (FLPT), no poder na região, alegadamente como retaliação a um ataque a uma base militar federal e na sequência de uma escalada de tensões políticas.

Até agora, de acordo com a ONU, milhares de pessoas foram mortas e cerca de dois milhões são deslocados internos em Tigray.

O FLPT, que antes de Abiy chegar ao poder na Etiópia, em 2018, dominou o Governo etíope, formou também uma aliança com outros grupos insurgentes, tais como o Exército de Libertação Oromo (OLA), activo na região de Oromia, perto da capital do país, Addis Abeba.

Os receios de que os rebeldes pudessem assumir a capital do segundo país mais populoso de África (mais de 110 milhões de pessoas) suscitaram esforços diplomáticos por parte da comunidade internacional, no sentido de levar a uma cessação das hostilidades e a um acordo negociado.

Contudo, estes esforços têm-se revelado, até agora, infrutíferos.

 
Enviado dos EUA evoca
"progressos emergentes”

O enviado dos Estados Unidos da América (EUA) para a Etiópia evocou, terça-feira, "progressos emergentes” para uma solução diplomática do conflito na Etiópia, mas advertiu que a actual "escalada” militar corre o risco de os anular.

"O que nos preocupa é que os graves acontecimentos no terreno avançam mais rápido do que estes frágeis progressos”, disse Jeffrey Feltman à CNN após regressar de uma nova missão em Addis Abeba. Face o aumento do conflito, a Organização das Nações Unidas (ONU) vai retirar as famílias dos seus funcionários internacionais na Etiópia, segundo um documento oficial divulgado terça-feira.

O documento interno dos serviços de segurança da ONU, datado de segunda-feira e citado pela AFP, exorta a organização a "coordenar a retirada e a garantir que todos os membros da família elegíveis do pessoal estrangeiro deixem a Etiópia. Também na terça-feira, a França apelou aos seus cidadãos para deixarem a Etiópia "sem demora”, uma vez que os combates se aproximam de Addis Abeba, após mais de um ano de guerra entre as forças governamentais e os rebeldes de Tigray.

Antes da França, vários países, incluindo o Reino Unido e os EUA, exortaram os seus cidadãos a deixar o país. Estes últimos também retiraram o seu pessoal não essencial.




Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo