Opinião

Pedagogia do ambiente

“Há um consenso entre aqueles que se dedicam a pensar a Educação: o Ensino Tradicional não é adequado à nossa sociedade contemporânea. Porém, a sua inadequabilidade não significa, necessariamente, que dele nada se aproveite”, consta de um ensaio publicado na revista electrónica de “Geografía y Ciencias Sociales”. Na verdade, precisamos de adequar a nossa educação aos desafios actuais e futuros, muito mais virados para a consciencialização sobre o que está em causa, sobretudo quando falamos em preservação do meio, do uso racional dos recursos naturais, do desenvolvimento sustentável, entre outros pressupostos.

09/11/2022  Última atualização 06H10
As preocupações relativas ao ambiente, ao facto de a sobrevivência humana estar inseparavelmente ligada à preservação do meio, obriga não apenas a que se repense a educação nos moldes em que temos hoje, mas também a preparar o homem e mulher para a componente ética, responsável e altruísta das práticas sociais.

Mais do que os paradigmas do capital e da industrialização que, regra geral, tendem a relegar para segundo plano os valores da formação de um homem ético e consciente, vale a pena, provavelmente, levantar o debate em torno dos modelos de produção e consumo.

Ao fazermos apologia da pedagogia do ambiente, numa altura em que os pressupostos em que devem assentar a nossa caminhada para o desenvolvimento têm de se pautar por ética e responsabilidade, é expectável que evoluamos como uma sociedade e Estado comprometido com a causa comum da humanidade.

Está em jogo na localidade de Sharm El-Sheikh, estância balnear do Norte do Egipto, em que se realiza a 27ª Conferência Anual das Partes da ONU (COP 27), a necessidade de "as partes” lá representadas chegarem a compromissos relativamente às emissões de gases poluentes, ao financiamento dos países e regiões mais vulneráveis, entre outras estratégias para fazer face ao aquecimento global.

Os objectivos perseguidos com as várias conferências da ONU, seguramente, serão melhor alcançados com o engajamento do sector da Educação em que sobressaia a pedagogia do ambiente.

Diz-se que a "educação ambiental, nas suas diversas possibilidades, abre um estimulante espaço para se repensar práticas sociais”, facto que, em termos práticos, nos deve levar a pensar a nossa realidade de Cabinda ao Cunene.

Muitas das práticas que testemunhamos ao nível do ambiente no nosso país precisam de verdadeiras rupturas, como por exemplo as queimadas, sob pena de assistirmos às consequências mais gravosas relacionadas com este fenómeno secular das comunidades. Quando se fala em queimadas, pode-se falar igualmente sobre a caça indiscriminada, o abate de árvores, a gestão pouco sustentável dos resíduos, traduzida na deposição em aterros sanitários desprovidos dos processos de reutilização e reaproveitamento, práticas que podem ser contornadas por uma pedagogia do ambiente.

Com  uma educação ambiental virada para preparar as comunidades, famílias e pessoas no sentido de maior consciencialização sobre o meio, ganhamos mais fazendo pouco,  proporcionamos ética, responsabilidade e  sustentabilidade aos nossos processos de produção e consumo.

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