Opinião

Paz e Segurança em África

Na sua primeira deslocação ao estrangeiro depois da reeleição a 24 de Agosto, o Presidente João Lourenço estreia hoje com um discurso na 8ª edição do Fórum Internacional de Dakar sobre a Paz e Segurança em África, que decorre no Centro Internacional de Conferências Abdou Diouf, Senegal.

24/10/2022  Última atualização 06H10

Na qualidade de presidente em exercício da  Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL),  que muito se tem empenhado para ver efectivado, pelo menos, dois dos mais problemáticos casos de instabilidade regional, nomeadamente no Leste da República Democrática do Congo (RDC) e na República Centro-Áfricana (RCA), João Lourenço está em Dakar como "Campeão para Paz e Reconciliação", atribuição outorgada pela União Africana, na 16ª Cimeira Extraordinária sobre o Terrorismo e Mudanças Inconstitucionais de Governo em África, que decorreu em Malabo, Guiné-Equatorial. É nesta condição, acreditamos, que vai cingir a sua intervenção no aspecto da paz e segurança, como factores insubstituíveis e sem os quais os desafios económicos, de integração regional, de industrialização e desenvolvimento da sub-região ficam condicionados.

Na sua intervenção, como é expectável, o Chefe de Estado não vai deixar de fazer referência, de modo muito particular, aos casos de instabilidade na RDC e na RCA, informando sobre o ponto de situação no primeiro e reafirmando a necessidade de maior engajamento da ONU no segundo caso, em que urge o levantamento do embargo de armas decretado contra o Governo democraticamente eleito da RCA.

Sob o lema "África posta à prova por choques exógenos: desafios de estabilidade e soberania", o Fórum que começou hoje e termina amanhã, com a  presença de vários Chefes de Estado e de Governo, bem como de líderes de instituições internacionais  não-governamentais e do sector privado, é sempre uma oportunidade para as lideranças assumirem balanços e perspectivas das acções em curso.

Fazendo jus ao tema do fórum, o presidente em exercício da CIRGL vai, seguramente, fazer apologia de a uma África virada para a busca de soluções africanas para os seus problemas, em detrimento da adopção de "ementas" vindas do exterior, nem sempre consentâneas com a realidade e os interesses do continente.

É uma honra para Angola e demais países africanos de expressão portuguesa saber que esta 8ª edição irá homenagear particularmente a África lusófona, cujo desempenho político, diplomático, económico e comercial precisa de continuar a ganhar, cada vez, mais espaço em África para o bem da comunidade. Assim, esperemos que, nas várias plenárias e encontros temáticos que reúnem desde hoje até amanhã mais de 300 participantes africanos e internacionais, líderes empresariais, representantes de doadores institucionais internacionais e africanas, bem como especialistas de alto nível, sirvam para que a "África de expressão portuguesa" marque a sua presença.

Auguramos que os países africanos saiam, deste importante fórum, mais coesos nas abordagens dos problemas que os afligem, mais unidos na implementação de soluções concertadas e decididos a fazer das dificuldades de alguns Estados e povos problemas de todos.

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