Cultura

Pavilhão de Angola na Expo recebe 300 mil visitantes em três meses

António Bequengue

Jornalista

O pavilhão de Angola na Exposição Internacional nos Emirados Árabes Unidos (Expo Dubai 2020) recebeu, entre 1 de Outubro e 31 de Dezembro do ano findo, cerca de 300 mil visitantes, revelou ontem, ao Jornal de Angola, o director do espaço, Kahina Ferreira.

05/01/2022  Última atualização 10H05
Diversidade artística numa simbiose entre o moderno e o tradicional marcou as festividades do Dia Nacional de Angola na Expo © Fotografia por: Dombele Bernardo| Edições Novembro
Adiantou que o espaço recebe diariamente uma média de três mil visitantes, pelo que se estima que até meados deste mês visitem o pavilhão de Angola cerca de 500 mil pessoas.


O número mais elevado de visitas que o pavilhão nacional recebeu, de acordo com o seu director, foi de 30 mil pessoas, a 2 de Dezembro, em que se comemorou o Dia Nacional dos Emirados Unidos, uma vez que as entradas ao recinto da Expo Dubai 2020 foram gratuitas.  


Para Kahina Ferreira, o dia em que o Pavilhão de Angola recebeu menos visitantes, um total de duas mil pessoas, foi a 22 de Dezembro, Dia Nacional de Angola, devido a cerimónia, presidida pelo Chefe de Estado angolano, João Lourenço. "O dia da semana em que o pavilhão de Angola recebe mais visitantes é quinta-feira, com um 'record' de seis mil visitantes de várias nacionalidades”, afirmou Kahina Ferreira. 


De acordo com o director do pavilhão, no espaço nacional na Expo Dubai 2020 os visitantes podem ver como a história de Angola e as suas inovações tecnológicas estão intimamente ligadas. "O pavilhão centra-se no povo angolano lunda (cokwe) e na sua relação com a modernidade, utilizando símbolos como um grande papagaio chamado Toje, que simboliza a liberdade de pensamento. Esse é um dos símbolos que o pavilhão usa para reintroduzir a arte de contar histórias”.



O área de educação no pavilhão, disse, apresenta oportunidades modernas para o povo angolano, exibindo o programa nacional para educar alunos interessados na indústria aeroespacial como parte do seu projecto para promoção de pesquisa espacial. "Inclui a oportunidade de participar num instituto espacial de tecnologia de maneira gratuita”.


A cultura é uma peça chave do pavilhão, nesta edição da Expo, com espectáculos em que músicos angolanos interpretam diversas músicas, entre clássicas e tradicionais.



O Pavilhão de Angola é uma homenagem à tradição e ao futuro da inovação. Apresentando a geometria Sona, a antiga arte dos desenhos na areia usada para transferir conhecimento entre gerações, a sabedoria tradicional é usada para mostrar, também, maneiras inovadoras de repensar os problemas locais e globais.


Celebração do Dia Nacional foi a 22 de Dezembro

Angola celebrou o Dia Nacional na Expo 2020 a 22 de Dezembro passado, com um espectáculo tradicional, na cúpula de Al Wasl - "We Shall Return”, na qual fundiu música e dança tradicionais com instrumentos clássicos para contar a história angolana desde a revolução à nação livre.


Na ocasião, o Presidente da República, João Lourenço, disse: "Estou aqui hoje para festejar o Dia Nacional de Angola na Expo Dubai 2020, e testemunhar, em nome de todos os angolanos, a capacidade empreendedora que nos distingue, com particular criatividade no nosso pavilhão. Observo o papel activo dos angolanos, em geral, e dos jovens em particular, por serem uma força activa na construção do presente e do futuro e pela relação que estabelecem com as novas tecnologias, ferramentas fundamentais na processo de construção de pontes entre os fortes valores de nossas tradições e os da modernidade”.



Os dias nacionais e de honra na Expo  Dubai 2020 são momentos para celebrar cada um dos mais de 200 participantes internacionais, iluminando a sua cultura e realizações, e apresentando os seus pavilhões e programação. A exposição de arte "Conexões”, que juntou obras de 16 artistas plásticos angolanos, inaugurada a 22 de Dezembro último, no Pavilhão de Angola na Expo 2020, inserida nas festividades do Dia Nacional, encerrou segunda-feira.


"Conexões” reuniu uma colecção de obras com motivos de temas tradicionais e modernos, num total de 16 obras, entre pinturas, instalações e esculturas de bronze. Com curadoria de Carla Peario, a exposição esteve alinhada ao tema do Pavilhão de Angola: "Conectar-se com a tradição para inovar”, que consiste em tirar partido das experiências e da cultura dos seus antepassados e integrar esse conhecimento com formas modernas e diversas de pensar para encontrar soluções para os problemas actuais.


A arte exposta em "Conexões” é tão variada no uso de materiais quanto na técnica.  A curadora disse que "as obras reflectem as preocupações, esperanças e motivações de artistas, sob técnicas do impressionismo, expressionismo, surrealismo, abstracção e o figurativo”.


Carla Peario também utilizou a exposição para partilhar a sua paixão pela reinterpretação de "Sona", os desenhos de areia das populações do leste de Angola. "Eu queria mostrar a ligação entre uma tradição ancestral e o seu uso em novas técnicas artísticas para que eu pudesse reapropriar o legado dos nossos ancestrais e chamar a atenção para a importância dos desenhos na transmissão de mensagens universais e ensinamentos para a sociedade”.


A curadora expôs uma caixa de areia interactiva inspirada em "Sona”, onde os visitantes puderam criar as suas próprias "Sonas" e desfrutar de uma experiência táctil e visual da cultura e história angolana.


A decorrer até 31 de Março de 2022, a Expo 2020 convidou visitantes de todo o mundo, para se juntarem à construção de um novo mundo, numa celebração de seis meses de criatividade humana, inovação, progresso e cultura.




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