Cultura

Paulo de Carvalho fala sobre o discurso libertador de Neto

A terceira conferencia do ciclo, por ocasião do centenário de Agostinho Neto, foi realiza quinta-feira, via Zoom, inserido na série “Conversa de Academia à quinta-feira”, da Academia Angolana de Letras, teve como conferencista Paulo de Carvalho.

17/09/2022  Última atualização 07H40
Presidente da Academia de Letras de Angola © Fotografia por: DR
Ao dissertar sobre o "Discurso libertador na poesia de Agostinho Neto”, para académicos de Angola, Arábia Saudita, Brasil, Itália e Portugal, sob moderação  de Mário César Lugarinho, da Universidade de São Paulo, o conferencista  destacou a dimensão do Presidente, António Agostinho Neto, tendo em atenção o contexto e a época, que lhe permitiram adquirir uma consciência de luta, desde a adolescência.

O conferencista lembrou a repressão colonial, retratada em vários poemas de Neto "A colonização reprimiu de forma  radical as populações, obrigando-as a simular as cultuas  do colonizador, o que causou sentimento  de revolta  entre os colonizados . Foi neste período que  Neto escreveu um período bastante marcado  pelo sentimento de angolanidade  e pelo desejo de despertar  para um amanhã  que se pretendia  de liberdade e harmonia  entre os homens”, realçou Paulo de Carvalho.

Durante a prelecção, o presidente da Academia Angolana de Letras referiu que a colonização conduziu a pilhagem do continente, cujos povos não podiam decidir sobre o seu próprio destino dai Neto denunciar, na sua poesia, a segregação do africano na sua própria terra.

Por isso, o poeta reclamava "a libertação do povo sofrido de Angola, o mesmo povo onde ele ia buscar  a força e a coragem para a luta. Há, por exemplo, poemas em que Neto deixa claro que a luta de libertação precisava de um timoneiro, tendo ele próprio sido  depois escolhido para a liderança da luta, culminando  com a proclamação da independência”.

Segundo o conferencista, pai fundador da Pátria angolana tem vincado o desejo de liberdade  na sua poesia e nela  está também presente a questão filosofa que dá conta da justeza dos princípios da gesta libertadora”. Entretanto, "não só sobre a luta o poeta cantava; também cantava o amor”, lembrou.

Na próxima "Conversa  da Academia à Quinta-feira”, agendada para o dia 22 deste mês, a partir das 19h30, sob moderação de crítico literário Mário César Lugarinho, o conferencista será a escritora Inocêncio Mata, que falará sobre "Ficções da memória na poesia de Agostinho Neto”. Como tem sido hábito, a participação, via Zoom, será livre.

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