Cultura

Paulina Chiziane: “Eu vim do chão”

Xavier António

Jornalista

A escritora moçambicana, Paulina Chiziane, vencedora do Prémio Camões de 2021 considera que “um reconhecimento para alguém que veio de lugar nenhum é sem dúvidas uma inspiração para uma outra geração”.

26/10/2021  Última atualização 00H23
© Fotografia por: DR

"Não sou aquela pessoa que se pode dizer eu vim de um estrato social x e nobre, não! Eu vim do chão”, disse Paulina Chiziane, admitindo ter ficado meia transtornada com a informação do prémio. "De alguma forma foi uma informação feliz”, disse citada pela Lusa TV.

"O Meu lugar preferido é ao lado da minha fogueira. Mesmo que seja num dia quente eu não consigo ficar sem a minha fogueira. E de repente alguém me liga a diz: Paulina provavelmente... (...) eu nem se quer me lembrava de que existia o Prémio Camões.

Estes tempos de Covid-19, contou, em que estão todos confinados em casa, estava tranquila na sua vida camponesa. "Então recebo a notícia que era vencedora do prémio Camões”, disse.

"Só sei dizer que a verdura que normalmente faço com aquele prazer, requinte e gosto, porque sou eu quem vai comer acabou queimada, nem sei que sabor tinha. Fiquei transtornada", enfatizou. 

Para a escritora, este reconhecimento não vem para ela mas para todo um povo que vê nela alguém que faz parte deles próprios. "Tudo que tentei escrever nos diferentes livros parte da nossa memória colectiva”, enfatizou.

"O meu percurso foi uma luta própria. É verdade que encontrei amigos e gente que meu deu força. Neste momento, me recordo do doutor Zeferino Coelho da minha editora portuguesa A Caminho”, sublinhou Paulina Chiziane.

A escritora recordou, igualmente, que Zeferino Coelho encontrou-a quando tinha 30 anos, com sonhos de fazer um grande percurso, olhou para os seus escritos e achou que podiam ter um lugar no mundo.

"Este prémio apanhou-me sem dinheiro no bolso. Não estou em condições de festejar ainda preciso de comprar champagne quando o dinheiro chegar (risos)”, concluiu Paulina Chiziane.

Aos 66 anos, ela é a primeira mulher africana a vencer o prémio e leva para casa 100 mil euros. 

Paulina Chiziane é hoje uma das vozes da ficção africana mais conhecida internacionalmente, sendo também a primeira mulher a publicar um romance por lá, a obra Balada de amor

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