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Paul-Henri Damiba afastado do poder no Burkina Faso

Ibrahim Traore, capitão do exército do Burkina Faso, anunciou, ontem, numa mensagem transmitida na televisão nacional, que afastou o líder militar que chefiava o Governo do país, tenente-coronel Paul-Henri Damiba, e dissolveu o executivo do país.

01/10/2022  Última atualização 06H10
© Fotografia por: DR

Este é o segundo golpe de estado no país nos últimos oito meses.

Traore diz que o grupo que ajudou Damiba a subir ao poder em Janeiro decidiu afastar o líder, devido ao que diz ser a sua capacidade com o problema da insurgência islâmica que o país atravessa. No passado mês de Janeiro, Damiba afastou o Presidente Roch Kabore pelo mesmo motivo.

A constituição foi suspensa, as fronteiras estão fechadas indefinidamente. Ibrahim Traore instituiu também recolher obrigatório depois das 21 horas.

"Diante da deterioração da situação, tentámos várias vezes fazer com que Damiba reorientasse a transição para a questão da segurança”, disse o comunicado assinado por Traoré e lido por outro oficial na televisão, ladeado por um grupo de soldados em uniformes militares.

A população da capital do Burkina Faso, Ouagadougou, acordou, ontem, de madrugada, com tiros e detonações no perímetro da Presidência e do Quartel-General da Junta Militar que tomou o poder em Janeiro, onde as estradas foram fechadas, noticiou a AFP.

Os soldados chegaram a estar estacionados no cruzamento principal da cidade, particularmente no distrito de Ouaga 2000 onde se encontram a Presidência e o campo militar da Junta no poder, mas também em frente às instalações da televisão nacional, cujo sinal foi cortado.

De acordo com fontes dos serviços de segurança, soldados das forças especiais, membros da unidade "Cobra”, estão na origem desse movimento. Em particular, exigiram o pagamento de prémios que lhes haviam sido prometidos. Por sua vez, os soldados do Exército que compõem o Grupo Republicano de Segurança e Protecção (GSPR), encarregado da segurança da Presidência e do líder da Junta Militar, teriam realizado disparos de advertência.

Desde que chegou ao poder, Damiba reside numa vila ministerial perto do Palácio Kosyam. Um dos seus principais colaboradores, disse à Reuters que falou com ele no início da manhã e garantiu que o Chefe de Estado estava "bem”, em Ouagadougou.

Damiba, que na semana passada viajou para Nova Iorque, onde se dirigiu à Assembleia-Geral das Nações Unidas na qualidade de líder do golpe de Estado do país, deslocou-se na quinta-feira ao Norte do país, a Djibo, onde fez um discurso, mais uma vez relacionado com a segurança, na sequência de acontecimentos recentes. 

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