Cultura

Património histórico no Namibe carece de protecção

João Luhaco |Moçâmedes

Jornalista

O Gabinete Provincial da Cultura, Turismo e Ambiente do Namibe, controla 39 monumentos e sítios históricos e culturais, oito dos quais classificados como património nacional, nomeadamente, a Fortaleza de São Fernandes, Paróquia de Santo Adrião , Palácio do Governo, Edifício da Alfandega, Sítio Histórico da Torre do Tombo, Forte de Kapangombe, Estação Arqueológica de arte rupestre do Tchitundu-Hulu e Makahama.

18/04/2022  Última atualização 09H50
Um ângulo da Paróquia de Santo Adrião em Moçâmedes, classificado como Património Histórico © Fotografia por: rafael tati | edições novembro
Por ocasião do 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o director da instituição, Pedro Hangula,  afirmou, ao Jornal de Angola, que este  "enorme” mosaico arquitectónico, antropológico e cultural que a  província do Namibe  possui deve ser valorizado e conservado.

A região, disse, é  detentora de um rico património cultural herdado dos povos que habitaram a região ao longo dos tempos, representado por pinturas e gravuras rupestres, muitas das quais agrupadas em estações arqueológicas, furnas e sítios históricos.

Durante os debates, realizados recentemente na província,  num fórum no qual foram abordados temas como "A legislação e visão mundial”, "Namibe tem História, oportunidades e intervenção responsável”, "O estado do património”, "Património como destino turístico” e "Intervir no património com responsabilidade”  uma alta entidade da direcção nacional dos Museus de Angola afirmou que o Namibe é uma das regiões do país com um rico património cultural que merece uma atenção especial para a sua salvaguarda  e valorização.

O Executivo angolano, adiantou, está a apostar no desenvolvimento sustentável, procurando trilhar novos caminhos e diversificar a economia, recorrendo a todos os recursos disponíveis no território nacional, entre os quais, o património cultural e natural.

 

Preservar a paisagem rural

A província do Namibe é caracterizada, maioritariamente, por uma paisagem rural que, nos dias actuais, pela sua essência, constitui território fundamental para as práticas de conservação patrimonial afirmou a vice-governadora do Namibe para o Sector Técnico e Infra-estruturas, Ema Guimarães.

A governante sublinhou que as paisagens rurais apelam a factores como o envolvimento das comunidades e constituem uma oportunidade de sensibilização  da sociedade para a importância deste património.

"Através desta paisagem rural, podemos estabelecer laços mais fortes rumo ao desenvolvimento sustentável e criar políticas de preservação a todos os níveis. Apelamos, por isso, à consciência do bem colectivo e à necessidade de transformarmos o melhor de nós, que é a nossa cultura, na nossa maior potencialidade”, disse.

Para a governante, só com recursos patrimoniais, com destaque para as edificações, sítios, lugares de memória, artes rupestres, parques naturais, fauna e flora usados de forma racional na sociedade contemporânea,  pode-se preservar a identidade local e a ligação às comunidades num mundo cada vez mais globalizado.

Ema Guimarães lembrou que a preservação do património deve ser encarada como um  projecto de cidadania, com a mobilização de todos os cidadãos, tendo apelado à participação pública num exercício diário de manutenção e divulgação do património.

 

Enquadramento histórico

Um fórum sobre valorização e conservação do património histórico do Namibe, realizado recentemente, em Moçâmedes, concluiu  que a história da província remonta a milhões de anos, pois que recentemente foram encontrados na zona do Bentiaba fósseis de duas espécies de dinossauros datados "em laboratório” pela Universidade Nova de Lisboa e expostos na Feira de Nova Iorque, que registou a visita de mais de dois milhões de pessoas.

Constam ainda das  pesquisas as milenares estações Rupestres conferidas pela Universidade de Soubourne e, mais recentemente, as estelas Funerárias dos Mbali, desenvolvidas pelo povoamento da localidade, há cerca de 150 anos, interesse de estudo desde meados do século XX.

A maior parte do Património Arquitectónico da cidade de Moçâmedes, de meados do século XIX e início do século XX, encontra-se em avançado estado de degradação, o que é, igualmente, preocupante. " Todo este acervo material, aliado a uma herança imaterial que remonta a um período pré-colonial e pre-bantu em risco de extinção, constitui preocupação e é merecedor de atenção urgente por parte de autoridades e cidadãos em geral”, sublinha a conclusão do fórum sobre valorização e conservação do património histórico do Namibe .

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