Cultura

Partiu um grande patriota

Analtino Santos

Jornalista

“Conheci o Tchipa no início dos anos 80. Ele cantava no África Show e em centros recreativos, mas a nossa relação ficou mais forte quando recebi uma carta da Presidência da República orientando para divulgarmos a sua música.

07/11/2021  Última atualização 09H15
Jacinto Tchipa © Fotografia por: Edições Novembro
Na altura eu e o Dias Júnior éramos os realizadores do programa "Revista Musical” da TPA. Com isso fizemos um programa que foi emitido no dia 27 de Fevereiro de 1988. Foi um sucesso. Fruto da parceria que a TPA tinha com a URTNA (União das Rádios e Televisões Nacionais de África) produzimos outros programas, um dos quais ficou em primeiro lugar, o que levou Jacinto Tchipa a ir para o Burundi para um grande concerto. Quero lembrar que na altura alguns dirigentes não queriam que o Eduardo Paim também fosse, porque diziam que não estava a tocar a nossa música”.

Este depoimento é de Nguxi dos Santos, realizador da TPA que se notabilizou profissionalmente no mesmo período em que Tchipa se alicerçou e se consolidou como grande músico, isto nas décadas de 1980/1990.

"A nossa relação começa a fortalecer porque muitas vezes eu ia cobrir as actividades nas frentes de combate, onde ele actuava nas unidades militares. Tornou-se quase familiar, porque ele aqui (em Luanda) vivia quase sozinho, com o padrasto e alguns irmãos na zona da Sapú.

Trabalhava nas oficinas da Presidência da República, tanto que as vezes era no carro onde ele trocava de roupa. Outra pessoa muito próxima a ele era o Kinito Tambores de Fogo, que penso que também viveu com ele”, prosseguiu Nguxi dos Santos.
A zona da Sapú em que Tchipa vivia e tinha a sua oficina, entre o Calemba 2 e Viana, era tão referenciada que passou a chamar-se Jacinto Tchipa, até hoje.

"Há duas semanas falamos e dentre as várias conversas Jacinto Tchipa solicitou para rever os arquivos e realizarmos um documentário sobre a sua vida. Quero ficar com as coisas boas que vivemos e os momentos de companheirismo, como quando fui preso e ele esteve com os meus familiares a procurar-me em todas as esquadras”, conclui Nguxi dos Santos.

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