Opinião

Partidos políticos e as boas práticas

Os partidos políticos existem, nas sociedades modernas em que a prática democrática é uma realidade, para a conquista, o exercício e a manutenção do poder político, sendo importante que aos mesmos se associem às boas práticas. Algumas vezes, diz-se que falta ética no jogo político e que os actores deste processo nem sempre observam as boas práticas, entendidas estas aqui como a observância da Constituição, da Lei dos Partidos Políticos, dos estatutos e demais regras. Pode até ser verdade, atendendo que a obra humana é sempre acompanhada de imperfeição, sendo o mais importante a consciência dessa eventual insuficiência e predisposição para a correcção e superação permanente.

02/03/2019  Última atualização 10H44

Mas a experiência democrática angolana tem provado que o vale tudo, a ausência de ética e as más práticas no seio dos partidos políticos contribui muito negativamente para a indiferença, o descrédito e o afastamento dos cidadãos e eleitores. Não é bom que os nossos actores políticos, independentemente dos problemas internos que vivem os seus grupos, proporcionem à sociedade a ideia de que são incapazes de gerir os seus próprios problemas. Não é salutar que aqueles que escolheram a política como o seu campo de acção para contribuir para melhorar a sociedade sejam os primeiros a dar a entender que não conseguem resolver pequenos problemas. Insistimos que problemas todos os partidos têm e, muito provavelmente, vão continuar a ter, sendo o mais importante a capacidade de os ultrapassar por via do diálogo, da concertação, paciência e algum sacrifício. As cedências e concessões devem funcionar em nome da imagem e credibilidade da formação política junto do cidadão e eleitor. Este último quer ter certeza de que os actores políticos são capazes de resolver simples e eventualmente complexas questões de grupo, bem como serão capazes da gestão de uma autarquia ou de todo um país.
Independentemente de todas as leituras, particularmente das causas, o que vive hoje a coligação de partidos denominada CASA-CE, a terceira formação saída das eleições gerais de 2017, não é bom para a democracia angolana. Embora alguns círculos possam fazer festa, porque o enfraquecimento de uns resulta no fortalecimento de outros, na verdade, a leitura que grande parte da sociedade tende a fazer resvala quase sempre na desacreditação de quem faz política. E, independentemente desta leitura, pontualmente, fazer sentido, obviamente que é preocupante o surgimento de casos que deslizem para generalizações.
A democracia angolana precisa de partidos fortes, democraticamente liderados e que sejam capazes, fundamentalmente, de resolver os seus diferendos internos evitando sempre "lavar roupa suja" em hasta pública. O que esperamos, enquanto sociedade, é que os partidos sejam verdadeiramente instituições de referência na política e com boas práticas.

 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião