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Paris julga autores dos atentados de 2015

Salah Abdeslam, o único terrorista dos atentados de Paris de Novembro de 2015 que sobreviveu, começou a ser julgado, ontem, no histórico Palácio de Justiça da capital francesa, sob segurança máxima, num contexto de ameaça terrorista ainda elevada.

09/09/2021  Última atualização 06H25
Familiares das vítimas dos ataques ao Estádio de França e “Bataclan” recordam o massacre © Fotografia por: DR
Salah Abdeslam participou activamente nos atentados de 13 de Novembro de 2015, contra o portão D do estádio de futebol Stade de France, em Saint-Denis, cafés e restaurantes de dois bairros da capital e a sala de espectáculos Bataclan, em que morreram 130 pessoas e mais de 4000 ficaram feridas.

Quando o julgamento começou, Abdeslam identificou-se como sendo um "combatente do Estado Islâmico”.
Questionado pelo tribunal de Paris para confirmar a identidade no início do processo, Salah Abdeslam, disse: "em primeiro lugar, quero declarar que não há deus senão Alá e Maomé é o seu mensageiro”, citando uma declaração da fé islâmica conhecida como Shahadah, segundo o Diário de Notícias e a agência Lusa.

Quando lhe perguntaram pela profissão, Salah Abdeslam respondeu: "abandonei todas as profissões para me tornar um combatente do Estado Islâmico”, o grupo extremista que reivindicou aqueles atentados.  O julgamento dos piores ataques 'jihadistas' realizados em solo francês iniciou-se pouco depois das 13h00 locais (12h00 em Angola) no histórico Palácio de Justiça de Paris, sob segurança máxima.

Vinte acusados vão ser julgados durante cerca de nove meses, incluindo aquele franco-marroquino que fez parte dos executores dos atentados - bombistas suicidas no Stade de France, esplanadas de cafés e a sala de espectáculos Bataclan no centro de Paris varridas a metralhadora -, que além dos mortos deixaram mais de 350 feridos.



  12 dos 20 acusados enfrentam prisão perpétua

Dez outros homens, presos durante o período do julgamento, ocuparam, ontem, os lugares ao lado de Abdeslam no banco dos réus, julgados pela participação nos atentados. Três réus comparecem em liberdade sob controlo judicial e outros seis são julgados à revelia. No total, 12 dos 20 acusados enfrentam a prisão perpétua.

Os primeiros dias da audiência vão servir só para enumerar as vítimas, perto de 1800. Os primeiros testemunhos vão ser ouvidos a partir do dia 13 deste mês e as vítimas começam a ser ouvidas a 28. Durante cinco semanas, as pessoas tocadas directamente pelos atentados vão contar o terror vivido no Stade de France, no Bataclan e nos cafés do 11º bairro.

O francês de origem marroquina ajudou a preparar os ataques coordenados, deixou os seus companheiros no Stade de France para cometerem o ataque, mas acabou por deitar fora o seu próprio colete de explosivos. O julgamento deve prolongar-se até Maio de 2022. Devido às acusações que lhe são imputadas, Abdeslam poderá ser condenado a prisão perpétua.

Desde a sua prisão, no início de 2016, Abdeslam está em silêncio, recusando cooperar com as autoridades, referindo apenas que o que fez foi a pedido do irmão, Brahim, que morreu nos atentados.

Quanto às vítimas, há pelo menos 1765 pessoas que se constituíram como partes civis, ou seja, directamente afectadas pelo ataque. Entre elas há os feridos, mas também as famílias das vítimas mortais, assim como todas as pessoas que testemunharam o terror naquela noite no Stade de France e no 11º bairro de Paris.

 No total, há 330 advogados que vão intervir directamente no processo, alguns para defender os alegados terroristas, mas a maior parte pertencem à acusação. Alguns dos melhores escritórios de advogados da capital defendem associações de vítimas, outras vítimas individuais ou ainda grupos de vítimas que não se inserem nas associações.

 Ao contrário de muitos crimes graves em França, os crimes de terrorismo não têm júri.
O caso vai ser julgado por cinco juízes, com outros quatro juízes de reserva, caso haja necessidade de fazer trocas durante as audiências.

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