Opinião

Parecer e ser mesmo

Luciano Rocha

Jornalista

A pandemia que assola o Mundo, virando-o, autenticamente, de pernas para o ar, pondo a nu fragilidades globais, mesmo em países que se apresentam como expoentes da evolução, tem sido, igualmente, usada como capa de incapacidades.

25/11/2021  Última atualização 08H15
A pandemia da Covid-19, nas mais variadas estirpes e baptismos, acentuou cinismos, egoísmos, incapacidades, petulâncias, que se têm a vindo a alastrar pelo Mundo, como chagas putrefactas. O espanto manifestado por alguns dos "senhores do mundo”, a ser verdadeiro, revela o descuido com que olham o Universo, que situam no umbigo de cada um, incapazes, pela sobranceria, de ver o que se passa em redor.

O vírus que alimenta a pandemia que tomou conta de todas as vidas, enche estabelecimentos hospitalares, morgues, cemitérios, até ruas e praças em certos casos, foi detectado há anos laboratorialmente.  Os "senhores do Mundo” não se deram ao trabalho de mandar encontrar  formas de lhe fazerem frente. As atenções deles continuavam centradas, por exemplo, em invenções e modernizações de armamento a usar em guerras que fomentam e alimentam.

Nem que para isso tenham de "descobrir” esconderijos  inexistentes, com material radioactivo. Que eles têm, mas opõem-se a que outros tenham. Recusam dilatar o naipe restrito de parceiros do jogo, com regras impostas por eles. Os restantes têm de limitar-se a ver, bater palmas e receber trocos, como andrajosos de mãos estendidas.  Os teimosos, se quiserem jogar têm de o fazer sem poderem baralhar, cortar, dar cartas. Além disso, jamais com direito a trunfos.

A pandemia que ensombra a Humanidade, também ela, serviu para  satisfazer os intentos dos "senhores do Mundo”. O surgimento de testes para detectar o vírus que a move e, posteriormente, das vacinas que podem retardar-lhe a caminhada assassina, ressuscitou  a esperança das economias nacionais, com avanços e recuos, hesitações e determinações. À mistura com os chamados "negacionistas”: neologismo surgido para definir os que se opõem a todas as medidas restritivas das liberdades impostas como forma de impedir o aumento, por contágio, da Covid-19.

O negócio dos testes e vacinas, como se percebe facilmente, aproveitou alguns, os mesmos, os "senhores do Mundo”, não que os poupe ao contágio da doença, até da morte ( talvez, por isso, a Covd-19 seja considerada das doenças menos discriminatórias, como já foi o Sida), mas engordou-lhes contas bancárias.

Verdade é que "os senhores do Mundo”, independentemente das formas como enriquecem, se notabilizam, são vistos por parte do cidadão comum, como pessoas de êxito, engenho, bem vestidos, melhor perfumados, frequentadores e promotores de "galas fantásticas”, "banquetes de arromba”. É a parte visível, que lhe interessa mostrar. Ora, se "à mulher de  César, não bastava ser era preciso parecer”, em alguns casos, apetece dizer que "não basta parecer, é preciso ser mesmo”.

Angola, que no referente à actual pandemia não pede meças a quem quer que seja, como demonstrou mesmo antes dela chegar a nós, apesar de não dispor de meios técnicos e humanos suficientes, em quantidade e qualidade,  não cruzou os braços, nem os baixou. Arregaçou as mangas usou as medidas de que dispunha. Acima de tudo, agiu de imediato.

Os serviços de vacinação,  apesar das naturais limitações que ainda tem, são dignos de apreço e exemplo a seguir. Funcionassem assim, todos os sectores públicos, empresas de todos os ramos e estávamos mais próximos do país com que tantos sonharam. É que, insista-se, "não basta ser, é preciso parecer”, também, porventura mais importante, "não basta parecer é preciso ser mesmo” .

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