Opinião

Paradigma na luta contra a Covid-19, com o advento da variante Ómicron

Se inquestionavelmente a vacinação em adultos trouxe enormes benefícios na diminuição de formas graves da doença e, consequentemente, evitando a morte, por outro lado, a exigência de Certificado de Vacinação para aceder a certos serviços, como querem exigir para as escolas em crianças, para além das dúvidas éticas, carecem de evidência científica, sobre a sua utilidade na diminuição de contágios e casos graves, daí a minha discordância na vacinação em crianças.

16/01/2022  Última atualização 08H20
Põem-se igualmente questões clínico-epidemiológicas, se temos 98,6% de casos assintomáticos e ela ocorre mais amiúde nas crianças, como iremos vacinar sem saber se a criança tem Covid-19 e está assintomática ou já teve e estará já imunizada naturalmente, quando o Protocolo define a vacinação só seis meses após contágio?

Apesar de ser raro, mas é uma complicação grave, que Protocolos estão definidos para a detecção e tratamento da miocardite, cujo diagnóstico nestes casos é efectuado por ressonância magnética? Que unidade hospitalar é o centro para a referenciação? Se exigimos que as crianças que estudam têm de ser vacinadas, que atitude  tomar para as crianças fora do Sistema de Ensino?

Temos de começar a mudar de paradigma na actuação contra a Covid-19, agora com o advento da Ómicron (actualmente a variante dominante), que praticamente só atinge as vias respiratórias superiores, tornando praticamente inócuos os pulmões, não levando à falência respiratória, tratando-o como fazemos com a gripe. A Covid-19 deverá começar a ser tratada como o resto das doenças, a imunidade relativa por vacinação e/ou por infecção - a chegada do Ómicron permite essa equação. Assim, a mudança de paradigma significa:

1- Tornar irrelevante a publicitação diária do número de casos, já que 98,6% dos casos são assintomáticos. Focalizar, sim, a publicitação no número de internamentos e, fundamentalmente, na Unidade de Cuidados Intensivos, assim como o número de mortes diárias;

2- Com o surgimento da Ómicron, que não leva praticamente à falência respiratória e consequentemente à morte, os diagnósticos, julgo, deviam passar a constar "morte por Covid-19”, quando houver inequivocamente compromisso respiratório provocado por esta, e "morte com Covid-19”, por exemplo, para um indivíduo que tenha falecido de malária grave e que tenha acidentalmente Covid-19 ou uma emergência hipertensiva. O diagnóstico "morte” tem de ser aquele que provocou a morte e não a Covid-19;

3 - Devíamos somente exigir o uso de máscaras  nos espaços fechados ou estádios e levantar o seu uso externamente, desde que haja o respectivo distanciamento;

4 - Testar com antigénio rápido antes de vacinar (98,6% assintomáticos), porque estaremos a gastar recursos em indivíduos que têm infecção e o protocolo define seis meses após a infecção. Testes rápidos de antigénio são perto de 1200 Kz (1,79€) e as vacinas são entre 8-12 € (cerca de 9-10 mil Kz);

5- A não obrigatoriedade da vacinação de crianças, deixar a última e exclusiva responsabilidade aos pais, exceptuando-se, obviamente, as crianças imunodeprimidas e ou com doença crónica;

6- Manter a abertura livre dos restaurantes, desde que cumpram com as medidas de biossegurança;

7- Dado que a variante Ómicron se comporta como uma gripe, admitir a presença das pessoas no local de trabalho, se tiverem sintomas ligeiros ou assintomáticos, mantendo obviamente as medidas de biossegurança. Só dispensar as pessoas fortemente sintomáticas; 

8 - Reabertura das praias com limitação, pois a absorção de vitamina D é fundamental para o organismo e aumenta a imunidade natural.

9- Liberalizar as festas, condicionando o teste prévio de antigénio (ao preço de 1200 Kz- podiam estar incorporados no preço dos ingressos);

10- Se partirmos do pressuposto de que a variante Ómicron é já a dominante no nosso meio, pelo modo de apresentação clínica dos doentes, praticamente com sintomas gripais, sem envolvimento pulmonar, julgo que se deveria acabar com os testes pós-embarque, que não fazem sentido algum. O benéfico para nós é que a Ómicron, sendo dominante, não leva à morte e, como se comporta como quadro gripal, nunca constituirá problemas em países de clima tropical, nos nove meses de Verão;

11- Acabar com as quarentenas institucionais. Colocamos o serviço de atendimento Covid-19 24/24 horas e a vigilância epidemiológica verdadeiramente a funcionar;

12 - Liberalização da venda dos testes rápidos de antigénio a preços concorrenciais, para que os agentes económicos, da restauração, da cultura e recreação possam desenvolver as suas actividades sem restrições, desde que cumpram as medidas de biossegurança.
 
*Médico-nefrologista
coronel-reformado - Matadi Daniel l*


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