Opinião

Parabéns Nações Unidas

"Os valores que impulsionaram a Carta das Nações Unidas nos últimos 76 anos - paz, desenvolvimento, direitos humanos e oportunidades para todos - não têm prazo de validade.

25/10/2021  Última atualização 10H40
Neste Dia das Nações Unidas, vamos unirmo-nos através destes ideais e cumprir em pleno a promessa, o potencial e a esperança das Nações Unidas" escreveu o secretário-geral da ONU, António Guterres, por ocasião do aniversário da organização, celebrado ontem. 76 anos depois, a ONU continua a fazer o papel que muitos esperam, aspiram e pretendem que continue, independentemente das esperadas críticas relativamente à gestão de numerosos diferendos, não resolvidos à luz da Carta, mas que a leva a instar os Estados ao recurso político, diplomático e pacífico.

Para muitas vozes, sobretudo aquelas que criticam o papel nem sempre consentâneo com os problemas que procura resolver, a experiência destas sete décadas de existência da ONU, seriam piores, obviamente, sem uma entidade arbitral em todo o mundo como a maior organização mundial.

É verdade que a ONU não soube inviabilizar a divisão do mundo em dois blocos, o ambiente de Guerra-Fria por força do qual numerosos Estados membros foram vítimas da guerra por procuração das grandes potências.

Mas ela foi bem sucedida em acolher no seu seio os países descolonizados, quando a Assembleia-Geral tinha criado, em 1962 o extinto Comité Especial sobre a Descolonização, através da Resolução 1514, de 14 de Dezembro de 1960.
A Declaração sobre a Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais, ou simplesmente Declaração sobre a Descolonização, foi crucial, ao lado, obviamente, da  Luta Armada dos movimentos nacionalistas, para que países como Angola se tornassem independentes e pouco depois membros de pleno direito do Sistema das Nações Unidas.

Em Angola, a presença da ONU é histórica, quer por razões ligadas à agressão militar do então regime do Apartheid, que vigorou na África do Sul entre 1948 a 1994, quer por força da guerra civil, desde 1976 até 1991 e desde 1992 a 2002, em que as várias agências da ONU marcaram presenças notáveis no país.

Vale recordar a vinda a Angola dos secretários-gerais, o peruano Javier Peres de Cuellar, o egípcio Boutros Ghali e o ghanense Koffi Annan, todos já falecidos e que deixaram, indelevelmente, as suas marcas nos esforços para a busca da paz no nosso país, razão pela qual importa sempre lembrá-los e honrá-los.

Hoje, a presença da ONU em muitas partes de África e do mundo continua a fazer-se necessária para ajudar a dirimir conflitos, a instar as partes em disputa a optar pela via pacífica e promover sempre as relações bilaterais e multilaterais livres do Diktat, da pressão económica  e da chantagem política.

Num dia como hoje, as aspirações da maioria das populações em todo o mundo prevalecem as mesmas que nortearam a criação da maior tribuna política e diplomática mundial. Imperfeita, mas insubstituível, burocrática, mas necessária, nem sempre actuante, mas sempre disponível para interceder pelos Estados, a ONU é e continuará a ser, por muito tempo, uma organização indispensável para os esforços de manutenção da paz e segurança internacionais.    

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