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Parabéns, cidade do Huambo!

A cidade do Huambo, capital da província homónima, completa, hoje, 110 anos desde que foi elevada à categoria de urbe, em plena era colonial, marcando, há mais de 100 anos, uma época de crescimento e afirmação, independentemente dos percalços.

21/09/2022  Última atualização 06H10

Hoje, uma cidade em crescente expansão, mais ou menos como as periferias das grandes cidades angolanas, a cidade deve o seu nome, no original Wambu, a um dos 14 antigos reinos Ovimbundos do Planalto Central angolano que, embora desfrutasse de um grau considerável de independência, estava, na verdade, hierarquicamente subordinado ao Reino do Bailundo. Diz-se que a origem do Huambo e a importância económica que atingiu sob a administração colonial esteve  intimamente ligada à construção do Caminho-de-Ferro de Benguela, que se iniciou na vila costeira do Lobito em 1902.

Embora tenha recebido uma designação eminentemente colonial, a partir de 1928, recuperou a sua toponímia histórica, Huambo, em 1975, que passou por extensão a designar a província com os seus onze municípios, Huambo, Bailundo, Ecunha, Caála, Cachiungo, Londuimbale, Longonjo, Mungo, Chicala-Choloanga, Chinjendje e Ucuma.

Não há dúvidas de que os recursos naturais, a vasta rede hidrográfica e o clima ameno que tornam a província especialmente vocacionada para o desenvolvimento de actividades agropecuárias e agro-alimentares, terão contribuído decisivamente para o crescimento da província ao ponto de "rivalizar" com as outras, entre elas Luanda.

Huambo, a província, foi a primeira do país a atingir a cifra de um milhão de habitantes, no início da década de 80 do século passado, tendo se tornado no maior parque industrial do país há dada altura.

Infelizmente, o conflito militar que se seguiu, sobretudo durante os últimos dez anos que antecederam a chegada da paz, com forte incidência no casco urbano, fez regredir drasticamente a cidade e a província no seu todo.

Foram anos difíceis na medida em que, para a grande maioria dos habitantes da província em geral e da cidade em particular, tudo quanto tinham de material e imaterial tinha sido destruído pela guerra, realidade que, porém, não demoveu o povo dos esforços para a reconstrução.

Com projecções demográficas de 2018, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontam para uma população estimada em 2 309 829 habitantes, numa área territorial de 35 771 KM2, a província do Huambo é hoje a quarta província mais populosa de Angola e uma das mais ricas da Nação.

Ao lado da componente económica, favorecido pela característica geográfica da região em que se insere a província, vale recordar o Huambo com as suas gentes dedicadas ao trabalho, amantes da sua terra e comprometidas com a ciência. Afinal, e salve-se o eventual exagero, Huambo já foi uma espécie de viveiro da nata intelectual do Centro e Sul do país, realidade que prevalece até os dias de hoje e que orgulha os herdeiros e descendentes de Ekuikui e Katiavala.

Num dia como hoje e passados que foram 110 anos de existência como cidade, ocorre dizer, em nome do sucesso e bem-estar de todos os que vivem na cidade, parabéns, Huambo!

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