Opinião

Parabéns Cidade de Luanda

Hoje, a cidade de Luanda, inicialmente "baptizada" com o nome de São Paulo de Assunção de Loanda", cuja pronúncia com o fecho da vogal na sílaba inicial acabou por legar às gerações posteriores às décadas e séculos da sua fundação o actual formato com o som da vogal fechada no fonema inicial, completa quase meio milénio.

25/01/2022  Última atualização 05H45
São 446 anos de existência que, como goza a gíria popular, "não são 446 dias", sendo um percurso de boas e menos boas experiências, de crescimento e expansão da cidade com a sua periferia a "engolir" boa parte do casco urbano.

Obviamente que o crescimento da cidade permitiu acomodar as suas populações que, como seria expectável, não caberiam todas na zona baixa da cidade, área em que se circunscrevia a cidade de Luanda, pelo menos durante os séculos XVII e XVIII.

As experiências menos boas, eventualmente, têm-se resumido na inexistência de um plano director que proporcionaria à cidade e à periferia um roteiro de crescimento e expansão dos espaços residenciais, dos equipamentos sociais, das áreas de conservação, entre outros pressupostos para gerar sustentabilidade.
Hoje, a zona que mais cresce em Luanda é precisamente a periferia, quase na mesma proporção em que o betão armado começa a suplantar o espaços verdes nos parcos locais em que era suposto existir alguma vegetação, numa cidade cujos níveis de humidade potenciam a criação e existência de jardins.

Luanda tornou-se num verdadeiro melting pot, provavelmente na mais cosmopolita de todas as cidades do país, na acepção endógena do termo, se quisermos, para dar a ideia, visível em todos os cantos da urbe, de que aqui todos os valores culturais de Cabinda ao Cunene encontram acolhimento.

É possível notar, aqui em Luanda,  a influência de diversas culturas na alimentação, arquitectura, costumes, forma de vestir, artes, tradições que, contrariamente às vozes mais conservadoras, apenas nos enriquece a todos, enquanto munícipes da cidade.

Afinal, além de que não é alcançável uma realidade de não influência de valores culturais externos, já não vamos a tempo da defesa de um ambiente em que a homogeneidade cultural, a preservação dos valores culturais, tradições e costumes a todo o custo se efectivem na sociedade angolana, para o bem de todos nós.

Independentemente de algumas situações menos boas, relativamente a perversão de certos costumes, por exemplo alguns rituais fúnebres, os luandenses têm de continuar a fazer prova da sua hospitalidade, tolerância, convívio na diversidade, respeito entre os todos os residentes da cidade. Parece começar a vingar a ideia de que não é apenas de Luanda quem nasce e reside nela, mas fundamentalmente aqueles que, tendo escolhido a cidade capital como o lugar para viver, continuem comprometidos e empenhados para contribuir para a melhoria das condições em Luanda.

Num dia como hoje, o Jornal de Angola felicita a todos os luandenses e augura que se empenhem para fazer mais e melhor pela cidade.

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