Sociedade

Papel da mulher no continente é celebrado por todo o país

Edna Mussalo

Jornalista

O papel da mulher no continente e o contributo desta para o desenvolvimento da sociedade angolana foi enaltecido, este domingo, em Luanda, pela directora nacional para as Políticas Familiares, Igualdade e Equidade de Género, do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher.

01/08/2022  Última atualização 07H00
Mulheres angolanas celebraram a data com a realização de diversas actividades por todo o país © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro

Santa Ernesto destacou, por ocasião do Dia Internacional da Mulher Africana, celebrado ontem, que as conquistas das mulheres no continente continuam a ser acentuadas em vários sectores, desde públicos, aos políticos e sociais, "a tal ponto do empoderamento delas ser fundamental para os Estados”.

Os grandes desafios do continente, destacou, incluem o combate ao estereótipo de género, o que torna essencial incentivar as mulheres a enveredarem para as áreas "culturalmente” tidas como dos homens, como Engenharia e Mecânica.

Entre os principais desafios, para o futuro, no empoderamento das mulheres, disse, consta o combate ao casamento e a gravidez precoce, principalmente no meio rural, a luta contra a violência e alguns aspectos culturais nefastos, que atentam contra os direitos humanos e a dignidade destas, assim como o acesso aos recursos e oportunidades.

Em Angola, realçou, a semelhança de outras realidades em África, a mulher está a conquistar mais espaço e já é representada, também, nos poderes Legislativo, Executivo e Judicial, fruto da própria meritocracia.

A directora informou que, no país, existem 33 por cento de ministras, num universo de 21 ministros, 21 por cento de secretarias de Estado, num universo de 43 secretários de Estado. "É um ganho da meritocracia feminina, que ainda está representada em 22 por cento nos Governos Provinciais”, avançou, acrescentando que há 3,5 por cento de mulheres na diplomacia e no poder judiciário.

As mulheres, prosseguiu, estão, ainda, representadas em 26 por cento nos tribunais de comarca ou provinciais e em 38 por cento na magistratura judicial, bem como em 34,4 por cento na magistratura do Ministério Público. "Em-bora a mulher tenha alcançado lugares e conquistado avanços nas áreas em que está inserida, ainda assim há um longo caminho a percorrer”, reconheceu.


Bengo realiza gala para distinguir personalidades

Maria João, fotógrafa da Edições Novembro, fez parte do grupo de 30 mulheres, de vários estratos sociais, homenageadas na noite de sexta-feira, no Aldeamento "Cais do Panguila”, no Bengo, em gala promovida pelo Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Igualdade de Género.

Maria João foi homenageada pelo trabalho que desenvolve na província, sobretudo na produção de imagens que realçam a beleza paisagística e o desenvolvimento socioeconómico da região.

A repórter fotográfica ingressou na Edições Novembro, em 2004, a partir da direcção provincial da empresa no Bengo, com a função de auxiliar de limpeza, para oito anos depois (2012) ter sido promovida à fotógrafa. "Estou muito feliz e orgulhosa por fazer parte deste grupo de mulheres, homenageadas pelo empenho e dedicação ao trabalho. Isso é um grande estímulo” .

Quem também foi homenageada é a antiga pára-quedista das Forças Armadas Angolanas, Amélia Caquinda, que actualmente trabalha como jornalista na Rádio Bengo. "Não esperava ser homenageada pelo que fiz no passado, como pára-quedista, porque era uma coisa que não se falava muito. Mas sinto-me orgulhosa pela distinção”, agradeceu.

A antiga administradora municipal do Dande e dos Dembos, Josefa José, também foi homenageada, na gala que encerrou as jornadas da mulher africana, pelo seu contributo em prol do desenvolvimento destas duas localidades da província do Bengo.

Durante a homenagem, a governadora do Bengo, Mara Quiosa, que também fez parte do grupo das consagradas, destacou o facto de, actualmente, as mulheres ocuparem vários cargos de destaque na vida política, económica e social, na cultura e no desporto.

A Gala da Mulher Africana, que decorreu sob o lema "Empoderamento da mulher e da rapariga face às mudanças climáticas” foi animada pela cantora Yola Araújo, que interpretou, na ocasião, vários temas do seu vasto repertório musical.

Alfredo Ferreira | Bengo


 Acto na Namíbia

O Dia da Mulher Africana, data instituída em 1962, na Conferência das Mulheres Africanas em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, foi celebrado ontem, por todo o continente, com o acto central a ser realizado na Namíbia, numa cerimónia onde foi lembrado os feitos da mulher Africana rumo ao desenvolvimento de África.

A cidade de Windhoek, capital da Namíbia, acolheu as representantes da Organização Pan-Africana das Mulheres (OPM), entre as quais a secretária da instituição para África Austral, Luzia Inglês Van-Dúnem, que destacou, no acto, os desafios da classe feminina ao nível do continente.

"O dia é de grande reflexão. Hoje as mulheres representam em todos os países africanos o maior segmento da população e para impulsionar o empoderamento feminino, a OPM está a formar em Angola, desde 2021, mulheres em matéria de empreendedorismo”, disse a dirigente angolana.

Em Angola, acrescentou, o secretariado regional vai continuar a trabalhar com os Governos africanos, para influenciarem na aprovação de leis que favoreçam as mulheres, quanto à violência doméstica, ou à paridade no género”.

O Dia da Mulher Africana que se assinalou ontem, 31 de Julho,  consagra-se à reflexão sobre o papel da mulher no continente. Apesar dos progressos, a desigualdade de género ainda persiste.

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