Especial

Panguila conta com mais distribuição de energia eléctrica

José Bule e Alfredo Ferreira

Jornalistas

Em uníssono. A população salta e grita de alegria. Homens, mulheres e crianças correm de um lado para outro. Soltam fortes gargalhadas. Cantam vitória. Alguns choram de emoção, e outros, com máscaras ou sem o artefacto de protecção facial à Covid-19, abraçam-se. Estão felizes. Finalmente, a energia chegou à “Terra Prometida”.

18/01/2022  Última atualização 06H55
© Fotografia por: Edmundo Eucílio | Edições Novembro
Na noite de sexta-feira, 14, a governadora do Bengo deslocou-se ao Sector 11 do Panguila, na comuna da Barra do Dande, para inaugurar o projecto de electrificação da zona. Mara Quiosa levantou o disjuntor principal do sistema que passa a fornecer energia a mais de mil habitantes, que há mais de cinco anos aguardavam ansiosos por esse grande momento.

Visivelmente satisfeitos, Eliseu de Castro e Noémia Valente, pais de quatro filhos, não conseguem esconder os níveis de satisfação que sentem. Além de já terem energia em casa, a governadora visitou-os. "Sem energia, a vida era muito dura. Gastávamos muito dinheiro a comprar combustível para manter o gerador ligado, para conservar os frescos e assistir televisão”, recorda Eliseu, de 31 anos.

Já a Noémia, de 33, afirma que estava cansada de esperar. "Cheguei a pensar que este dia nunca mais chegaria. Por falta de energia, alguns moradores abandonaram as suas casas e foram viver noutras localidades do Bengo e de Luanda. Mas nós permanecemos aqui”, diz.

Com um sorriso contagiante, outra moradora, Isabel Miguel, corre de um lado para outro. Dá para sentir a felicidade da mulher, de 54 anos, que abraça as vizinhas, amigas e familiares. Está emocionada. "Finalmente, lembraram-se de nós. Ficamos muito tempo à espera de energia. Lembro-me que, foi por esse motivo que os moradores de outros sectores do Panguila começaram a chamar esse local de Terra Prometida. Zombavam de nós. Mas agora que a luz já chegou, como pensam chamar agora?”, questionou.

Ao Jornal de Angola, Isabel conta que, por falta de energia para conservar os frescos, via-se obrigada, por exemplo, a escalar o peixe e pôr a secar, enquanto a carne e o frango eram preparados e degustados no mesmo dia. Há quatro anos no Sector 11 do Panguila, a mãe de seis filhos nunca teve necessidade de comprar um televisor. Além da ausência da energia da rede pública, faltou-lhe dinheiro para comprar um gerador. "Mal chegou a energia, os meus filhos já estão a pedir um televisor. Ainda não sei onde encontrar dinheiro para comprar um”, lamentou.

O dembo da comuna da Barra do Dande, Júlio Diogo, sublinhou que este tipo de acções do Governo traz imensa alegria à população local, que esperou muito tempo para que a energia chegasse às suas casas. "Peço à senhora governadora para que continue a trabalhar no sentido de levar esses serviços a outras localidades”, suplicou. Para o presidente da Comissão de Moradores do Projecto Modular do Panguila, Isolde José, depois de o Governo colocar energia e água na zona, deve preocupar-se agora em melhorar as vias de acesso.

"Quando chove, ninguém sai e ninguém entra no sector 11 do Panguila. O terreno é bastante argiloso. Mas tenho a plena certeza que o Governo vai fazer tudo para melhorar as condições sociais da população local”, acredita.

Investidos mais de 673 milhões

Na ocasião, a governadora do Bengo disse que o Projecto de Electrificação do Sector 11 do Panguila conta com cinco Postos de Transformação de Energia (PTE), com as respectivas ligações domiciliares de baixa tensão.

Mara Quiosa disse que, na primeira fase, o projecto beneficia cerca de mil famílias, para na segunda serem efectuados trabalhos de iluminação pública da zona. De acordo com a governadora, o projecto ora inaugurado representa um grande ganho para a população local, que nunca tinha se beneficiado de energia eléctrica.

"Todos os encargos que os moradores tinham, em relação a compra de combustível para os geradores, deixarão de existir, e vão agora investir o dinheiro noutras coisas importantes e necessárias”, referiu, para acrescentar que "hoje a comunidade já dispõe de condições para conservar melhor os seus alimentos”.

Afirmou que é responsabilidade do Governo criar as condições necessárias para o bem-estar social das populações, e apontou o projecto de electrificação do Sector 11 do Panguila, como exemplo claro do compromisso que o Estado tem com o povo.

A governadora Mara Quiosa apelou os munícipes no sentido de cuidarem bem dos PTE, para que não sejam vandalizados, e prometeu, para breve, o arranque dos trabalhos de reabilitação das vias de acesso à zona.

Segundo o director do Projecto de Electrificação do Panguila, Domingos António, o trabalho realizado no Sector 11 do Panguila está orçado em 673.878,000,00 (Seiscentos e setenta e três milhões, oitocentos e setenta e oito mil kwanzas).

Avançou que, na primeira fase do projecto, os trabalhos decorreram, de Dezembro de 2020 a Novembro do ano passado. Explicou que, no local, a ENDE instalou um total de cinco PTE, sendo quatro de 250 KVA e um de 400 KVA.


Acrescentou que, a segunda fase do Projecto de Electrificação do Panguila começa no sentido de outras residências beneficiarem, também, do fornecimento de energia.

"Mas os moradores que ainda não fizeram o cadastramento das suas residências devem comparecer às nossas instalações. Existem ainda muitas casas que não beneficiam de energia eléctrica, porque os proprietários não se encontram na localidade”, justificou.

Agentes económicos poupam mais dinheiro

O empreendedor José  António André esfrega as mãos de contente. No dia em que foi inaugurado o sistema eléctrico do Sector 11 do Panguila, o proprietário do espaço comercial "JA2” teve a honra de receber a governadora, e a oportunidade de mostrar como funciona o seu negócio.

À governadora, o jovem apresentou a cantina, onde vende produtos alimentares e bens industriais diversos, o cyber café, snack-bar, e uma sala de cinema que funciona a céu aberto. Na "Terra Prometida”, é na JA2 onde a juventude desfruta os melhores momentos de lazer. No local, os jovens comem, bebem, assistem filmes, novelas e os grandes jogos de futebol.

"Não sou capaz de calcular o que sinto. Mas posso afirmar que é um grande privilégio beneficiar de energia da rede pública. É um bem social que vem assegurar o desenvolvimento desta comunidade”, sublinha.

Devido à falta de energia na zona, José André já teve grandes perdas financeiras. Mas agora parece sentir-se mais animado. Está motivado a prosseguir com a sua actividade comercial.

"Agora vejo e sinto que estão criadas as condições para fazer crescer o meu negócio. Vou deixar de gastar muito dinheiro na compra de combustível para o gerador, para iluminar o meu espaço comercial e manter as bebidas bem fresquinhas”, fundamentou o jovem empreendedor, que fazia gastos mensais na ordem dos 58 mil kwanzas, só a comprar gasolina e gelo. Conta que, a ideia de empreender na zona, apesar de todas as dificuldades que havia, já vem de longe, desde o tempo que viveu no Distrito Urbano da Samba, na província de Luanda.

"Todo o empreendedor trabalha no sentido de quebrar todas as barreiras que lhe surgem pela frente. Já cheguei nesta zona com outras experiências de negócios. Apenas tive que manter o foco nos meus objectivos, para não desistir. Mas para exercer esse tipo de actividade é preciso ter coragem e vocação”, salienta.

Na "Terra Prometida”, o jovem empreendedor começou o negócio com um capital inicial de 500 mil kwanzas, dos quais 300 mil correspondem ao valor do microcrédito que beneficiou, no quadro do Plano de Acção para Promoção da Empregabilidade (PAPE), depois de concluir o curso de empreendedorismo, num centro de formação profissional.

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