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Pandemia pode aumentar agitação social no continente

“Os governos, em toda a região, enfrentam um dilema difícil, que é impor medidas de contenção agressivas, que podem prejudicar o sustento da população, ou então permitir um aumento da pressão sobre os sistemas de saúde, que já estão fragilizados”, escrevem os analistas.

21/04/2020  Última atualização 10H02
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“Isto faz com que o maior risco de curto prazo seja a possibilidade de manifestações contra esta situação, apesar de as baixas expectativas relativamente à resposta do governo às perturbações económicas e de saúde acabem por limitar as ramificações políticas de longo prazo”, concluem os analistas num comentário sobre o impacto das medidas de contenção em África.
No documento, citado pela Lusa, a consultora Eurasia escreve que o número relativamente baixo de mortes em comparação com a população total africana deve ter a ver com o facto de 62 por cento da população ter menos de 25 anos.
“Isso torna mais difícil avaliar a extensão da pandemia, já que há menos probabilidade de as pessoas mais jovens revelarem sintomas severos”, dificultando assim a contabilidade dos casos.
Ainda assim, acrescentam, "apesar da trajectória mais suave da doença até agora, a incerteza sobre o futuro vai forçar as autoridades a manter as várias medidas de distanciamento social até que a batalha contra o vírus comece a ser vencida a nível global”.
Para a Eurasia, os países onde o risco de manifestações e agitação social são maiores são a Nigéria e a África do Sul, as duas maiores económicas da África Subsaariana.
“O risco de agitação social é maior na África do Sul e na Nigéria, onde grandes aglomerados de pessoas pobres vivem perto de bairros mais afastados. Nenhum dos países tem recursos suficientes para impor medidas orçamentais robustas. Até agora, os casos confirmados de vandalismo têm sido isolados e contidos, mas a classe média das áreas urbanas está a recear cada vez mais que possa ser um alvo para jovens pobres e frustrados que não consigam ganhar a vida devido às restrições impostas pelo isolamento social”, lê-se na análise.
A pandemia da Covid-19 em África matou mais de mil pessoas e infectou mais de 21 mil, segundo o boletim do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana.

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