Política

Pandemia impede o recadastramento dos antigos combatentes na Huíla

Domingos Mucuta | Lubango

Jornalista

O processo de recadastramento dos antigos combatentes e veteranos da pátria, previsto para este ano, foi adiado devido às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, disse, quarta-feira, no Lubango, a directora do Gabinete Provincial do Sector na Huíla.

25/12/2020  Última atualização 08H54
Antigos combatentes devem actualizar documentos pessoais para beneficiarem de direitos © Fotografia por: Edições Novembro
Verónica Rito, que falava à margem da cerimónia de abertura das jornadas alusivas aos dias 4 e 15 de Janeiro, respectivamente dos Mártires da Repressão Colonial e Nacional dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, disse que a declaração do Estado de Emergência, devido à Covid-19, interrompeu o recadastramento dos antigos combatentes, veteranos e viúvas.

A directora do Gabinete Provincial dos Antigos Combatente e Veteranos da Pátria referiu que as restrições de participação e movimento de pessoas afectaram em grande medida a realização de muitas actividades previstas. "O recadastramento não foi realizado. 

Estamos a articular com as associações para ultrapassarmos os constrangimentos e retomarmos o processo. A pandemia impediu-nos de trabalhar com os nossos assistidos pois não conseguimos reunir o número que gostaríamos”, afirmou.Verónica Rito aguarda pelo sinal do Ministério da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria para a retoma do processo no próximo ano, caso haja alívio das medidas restritivas de prevenção da Covid-19. 

Afirmou que a direcção analisa estratégias e prepara as condições de biossegurança para a observância das orientações das autoridades sanitárias para que "não haja perigo de contaminação” dos guerrilheiros e seus descendentes. 

"O recadastramento foi discutido no último encontro do Ministério, tendo em atenção as medidas de biossegurança. Estamos a procurar formas para que não haja perigo de contaminação”, afirmou, referindo ser importante recadastrar e actualizar a base de dados.

"É preciso realizar a prova de vida, porque ao longo destes anos muitos não actualizaram os documentos pessoais e sabemos que todos meses morrem pessoas. Daí ser necessário o recadastramento para termos a certeza que o assistido está vivo e a receber a sua pensão, para não corrermos o risco de pagar pessoas falecidas”, argumentou.

Verónica Rito informou que o trabalho realizado nos anos anteriores mostra a existência de 412 antigos combatentes e veteranos da pátria, cujos processos pessoais foram confirmados e homologados em 2018 e que até ao momento não foram inseridos no sistema para o pagamento de pensões.

Na Huíla estão registados 5.404 assistidos, entre antigos combatentes, veteranos, deficientes e viúvas de antigos guerrilheiros. A directora informou que a província realiza, por mês, uma despesa avaliada em mais de 100 milhões de kwanzas para pagamento de pensões aos assistidos. 
Sensibilizar para dignificar

As jornadas comemorativas do 4 e 15 de Janeiro visam sensibilizar a sociedade sobre a importância de dignificar e materializar os direitos dos antigos combatentes e veteranos da pátria e seus familiares. Outro objectivo é promover acções de melhoria das condições socioeconómicas dos antigos combates e veteranos da pátria, de modo a reduzir a fome e a pobreza no seio deste grupo, incutir nos cidadãos o respeito pelos heróis da luta pela Independência e conquista da paz.

Verónica Rito disse que se pretende, igualmente, exaltar o papel e feitos históricos relevantes protagonizados pelos antigos combatentes e veteranos da pátria, ao longo do processo de luta pela Independência Nacional. 
Lojas comunitárias na Humpata

A criaçao e a atribuição de lojas comunitárias aos cooperativas de ex-militares está a impulsionar a reintegração dos antigos combatentes e veteranos da pátria em actividades geradoras de renda no município da Humpata. 

A primeira fase do projecto, orçado em 12,5 milhões de kwanzas, à luz do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza, permitiu a criação de seis lojas comunitárias atribuídas a 36 ex-militares, filiados nas cooperativas controladas no município. Nesta fase, acrescentou Verónica Rito, o projecto vai beneficiar mais de 250 famílias dos antigos combatentes.

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