Reportagem

Pandemia da Covid-19 é um rude golpe ao Turismo

Edna Mussalo

Jornalista

A pandemia da Covid-19 constitui um rude golpe para o turismo internacional, pelo que levou à queda de 86 por cento de turistas e perda de 700 milhões de dólares no sector em 2020, afirmou, ontem, em Luanda, o Ministro da Cultura, Turismo e Ambiente.

28/09/2021  Última atualização 08H05
O ministro Jomo Fortunato, durante a sua intervenção na abertura do evento © Fotografia por: Vigas da Purificação| Edições Novembro
Jomo Fortunato, que falava na abertura da celebração do Dia Mundial do Turismo, referiu que a Organização Mundial do Turismo considera a pior crise da história do turismo, estimando-se que até ao final de 2021 haverá uma perda de 4 trilhões de dólares no produto interno bruto mundial.
O governante realçou que o turismo internacional verificou um abrandamento ao nível das chegadas, de 2008 à 2009, provocado pela crise económica e financeira internacional.

"Desde esta altura, o seu crescimento vinha sendo contínuo, até 2019, ano em que foram registados 1,5 mil milhões  de turistas pelo mundo inteiro, um crescimento na ordem dos 4 por cento, relativamente a 2018", disse.

Segundo o ministro, os dados referidos são alarmantes e preocupam pelo facto de o turismo ser um sector que gera vários empregos, directos e indirectos. Jomo Fortunato ressaltou que este cenário, teve um impacto negativo no sector que dirige.

"Angola também tem-se ressentido dos impactos da pandemia da Covid-19, uma vez que muitas empresas paralisaram as suas actividades, particularmente as agências de viagens, pelo que, para muitas delas, a solução foi despedir os seus trabalhadores de forma compulsiva", destacou.
Estímulos

A autoridade avançou que, face a este cenário, o Ministério tem envidado esforços para promover a recuperação da actividade turística nacional, através de estímulos para a recuperação das empresas, bem como do fomento do turismo doméstico.

"Temos que encontrar estímulos para a recuperação das empresas do sector, medidas que visam o apoio financeiro à tesouraria das empresas, a redução da carga fiscal, o apoio à manutenção ou recuperação dos postos de trabalho e a flexibilização, relativamente ao cumprimento das obrigações dos operadores turísticos, inerentes ao crédito e pagamento da prestação de serviços ao sector bancário e empresas públicas", disse.

Para o ministro, o sector considera imprescindível a aprovação destas medidas, para que se garanta a sobrevivência das empresas, se salvem postos de trabalho, se perpetue a inclusão das famílias e comunidades no crescimento do sector e se estimule o desenvolvimento do turismo para o tão almejado sucesso da política de diversificação económica.

Para o alavancar do sector, Jomo Fortunato anunciou o projecto "Juntos e Todos pelo Turismo", com foco no mercado de trabalho, que, entre outros objectivos, visa a valorização da oferta turística existente no país, transformando os recursos naturais e culturais em produtos turísticos de excelência para a venda no mercado externo.

Jomo Fortunato salientou que a iniciativa apela à união dos vários sectores, para a retoma da actividade turística nacional, e está associada ao lema das festividades da efeméride.
"O mote desta campanha é acreditar no turismo como uma actividade integradora, capaz de valorizar a cultura, contribuir para a valorização das políticas ambientais, com destaque para o ecoturismo e gerar empregos e receitas para o crescimento económico", destacou.


PACIÊNCIA MANUEL
Prioridade para o Turismo interno

O presidente da Associação de Guias e Interpretes Turísticos de Angola, Paciência Samuel, acredita que, no contexto da Covid-19 em que vivemos, para impulsionar o sector, a aposta deve ser para um turismo interno.

"Temos que valorizar o nosso folclore, artesanato, turismo local, gastronomia, moda e as nossas bebidas tradicionais" sublinhou. "Com a venda do artesanato, por exemplo, trazemos o emprego para os guias locais", considerou.

Paciência Samuel referiu ter sido proposto o turismo de lazer, cultural, religioso, escolar e rural. Segundo o responsável, o lema deste ano foi bem pensado, pois o turismo deve beneficiar as populações locais.

Para o presidente, com o turismo interno, o empresário ou investidor poderá levar às aldeias energia eléctrica, água potável, lojas, postos médicos, estradas asfaltadas e outras vantagens.
A necessidade da criação de uma caixa imobiliária hoteleira, para acudir os empresários da área, e uma isenção aduaneira, numa espécie de período de graça para levantar o sector, foi igualmente aventada por Paciência Manuel. O responsável avançou que, a pandemia, gerou desemprego no sector  onde 75 por cento dos hotéis e restaurantes fecharam ou faliram.


 HÉLDER MARCELINO SECRETÁRIO DE ESTADO DO TURISMO
"Investimento no turismo pode alavancar a economia nacional”

O Turismo é um sector que se poderá tornar num dos pilares para o crescimento da economia nacional, com as significativas contribuições ao Produto Interno Bruto (PIB) e o papel complementar aos sectores do petróleo, da agricultura e das pescas, afirmou o Secretário de Estado para o Turismo, Hélder Marcelino.

Em entrevista ao Jornal de Angola, no quadro das comemorações do Dia Mundial do Turismo, assinalado ontem, salientou que o sector pode desempenhar um papel importante no relançamento da economia do país.

Para tanto, o Secretário de Estado entende ser preciso promover o investimento nos recursos turísticos e praias  e que as pessoas possam viajar sem restrições, adaptando-se ao contexto da pandemia da Covid-19.

"Precisamos de trabalhar para atrair mais investimento no sector hoteleiro, qualificar mais os serviços, através da capacitação e personalização dos recursos humanos e de todo o pessoal que trabalha nos hotéis, bem como promover preços acessíveis", destacou Hélder Marcelino.

O responsável sublinhou que o sector do Turismo tem dado algum contributo para a economia, embora reconheça que muito ainda pode ser feito, para o seu desenvolvimento, dando-lhe mais robustez, com a aposta no segmento hoteleiro e da restauração em todo o país, reduzindo a concentração em Luanda.

Hélder Marcelino referiu que, a par de Luanda, as províncias de Benguela e Huíla são as que concentram quantitativa e qualitativamente número de hotéis e restaurantes, numa altura em que é intenção do Executivo promover o fomento em todo o território nacional, evitando as actuais assimetrias e dando lugar a um quadro de maior equilíbrio.

Na sua visão, o turismo gera empresas, riqueza e cria postos de trabalho, o que resulta em arrecadação de receitas para o Estado, com o pagamento de impostos. Lembrou que o agravamento da crise económica e financeira internacional e a pandemia  travaram o crescimento e o desenvolvimento do sector do Turismo, por causa do encerramento das viagens por conta das restrições impostas pelas medidas sanitárias.

De acordo com o Secretário de Estado, a pandemia da Covid-19 provocou a perda de muitos postos de trabalho, embora não se saiba um número exacto, por  empregadores terem dispensado os trabalhadores de forma provisória.

"O Turismo é um sector transversal. Para o seu desenvolvimento, é necessária a interligação com os sectores dos Transportes, Energia, Comércio, bem como a criação de projectos que visem a educação e a implantação da cultura do ecoturismo em Angola”, disse o Secretário de Estado.

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