Economia

Países emergentes impulsionam crescimento económico mundial

A economia mundial cresce 3,7 por cento em 2019, segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), patamar semelhante ao registado nos últimos dois anos, numa evolução suportada pela expansão nos países emergentes e economias em desenvolvimento.

06/01/2019  Última atualização 12H00
DR © Fotografia por: Poço de petróleo na Líbia, uma das economias em desenvolvimento que mais cresce

A directora-geral do FMI, Christine Lagarde, disse em Outubro que “se as actuais disputas comerciais evoluírem para uma escalada, isso poderia causar um choque económico num número maior de economias emergentes e em desenvolvimento”.
Uma análise publicada pelo jornal espanhol “El País” afirma, entretanto, que enquanto se espera para ver como se desdobram os acontecimentos, as economias emergentes que registarão o maior aumento do PIB em 2019 são, segundo o FMI, o Iémen e a Líbia, que crescerão mais de dez por cento.
No primeiro caso, as estimativas da instituição  internacional colidem com a realidade de um dos países mais pobres do mundo árabe, também imerso numa crise humanitária que afecta 19 milhões de pessoas. A Líbia, por sua vez, atravessa uma instabilidade desde há sete anos, depois da morte de Muammar Kaddafi.
Entre as grandes economias emergentes - os BRICS - a Índia continuará em expansão pelo terceiro ano consecutivo: o PIB cresce 7,4 por cento, enquanto o Brasil vê a economia avançar 2,37 por cento. A expansão da economia da África do Sul duplica e a da Rússia aumenta ligeiramente.
Se em 2017 e 2018 as economias avançadas impulsionaram o crescimento mundial, passando de uma expansão de 2,34 por cento para 2,36, experimentam uma desaceleração este ano, caindo para 2,13 por cento devido ao comportamento dos Estados Unidos e da Zona Euro.
Com a preocupação com a desaceleração económica em alta, o espanhol Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) Research alerta para o aumento das dúvidas sobre o crescimento mundial nos próximos trimestres.

Focos da incerteza
Os efeitos da reforma fiscal promovida pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na economia interna começam a esgotar-se - em 2019, o PIB norte-americano cresce 2,5 por cento, quatro décimos abaixo do de 2018 –, o que levou a Reserva Federal a desacelerar o ritmo de aumento das taxas de juros previsto para o próximo ano.
Depois de um ano de 2018 em que a instituição elevou o preço do dinheiro nos EUA em quatro ocasiões, este ano prevê apenas mais duas e reduziu a margem da adopção de uma política monetária neutra.  O Banco Central Europeu (BCE) reconheceu a desaceleração da economia europeia, mas mantém a programação inalterada, com o que pretende acabar com a política de juros super-baixos no segundo semestre de 2019.
Tudo isso poderia levar a uma ligeira depreciação do dólar diante das outras moedas, ao esgotar o impulso que teve em 2018 e que tem sido o factor impulsionador da forte depreciação das divisas de países emergentes como o peso argentino e a lira turca, também esta afectada por um conflito diplomático com Washington.
Os analistas do BBVA Research concentram-se em dois acontecimentos que ocorrem no início deste ano: o diálogo entre Washington e Pequim para tentar deter a guerra comercial, e a consumação do Brexit.
O BBVA considera que estes dois aspectos são suficientes para “reduzir a prolongada e elevada incerteza que poderia inviabilizar o esperado pouso suave da economia mundial”.
O Parlamento britânico decide a 14 de Janeiro se vota a favor ou contra o acordo de saída da União Europeia alcançado com os demais países do bloco. Desse voto dependerá a contenção da economia britânica e da Zona  Euro em maior ou menor grau. Assim, enquanto o FMI prevê que o PIB britânico aumente nos próximos cinco anos, o Banco da Inglaterra alertou para uma possível contracção de 8,00 por cento até 2023. Na Zona Euro, o motor da economia alemã vai manter o ritmo de crescimento em 1,9 por cento, tal como o francês se mantém em 1,6, esperando-se que o efeito das mobilizações dos coletes amarelos reduza.
Malta continuará a ser o país do bloco com o maior crescimento (4,6 por cento), embora reduza o ritmo em nove décimos. Chipre (4,2 por cento) e República da Eslováquia (4,1) melhoram em dois décimos, enquanto a Zona Euro como um todo crescerá 1,9.
Xavier Hovasse, analista dos consultores Carmignac, ressalta que independentemente da forma  como a disputa comercial com os Estados Unidos será resolvida, a China “está a tentar amparar a economia com políticas anticíclicas, que certamente entrarão em vigor em 2019”.
Mas observa que “a flexibilidade do gigante asiático é cada vez menor [o crescimento do PIB abranda este ano e no próximo], uma vez que deixou de ter o excedente da conta corrente e esse financiamento de longo prazo na forma de investimento estrangeiro directo caiu drasticamente, o que prejudica a balança de pagamentos do país”.

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