Sociedade

País regista escassez de vacinas

As principais unidades de saúde materno-infantil da rede pública do país estão a registar escassez ou, em alguns casos, falta de vacina da primeira infância, com particular realce para a BCG (Bacilo Calmette-Guérin), que protege as crianças contra as formas mais graves da tuberculose.

19/05/2022  Última atualização 11H20
Pais têm dificuldades para vacinar crianças no sector público © Fotografia por: DR

Por causa dessa escassez, nos últimos dias, as famílias têm estado com dificuldades para vacinar as crianças. É o caso de Ana Nsamba, que viu a neta receber alta médica na Maternidade Provincial do Uíge, sem que antes fosse administrada a vacina da BCG. 

Ao tentar avisar a equipa médica em serviço de que a neta não tinha sido submetida à vacina, geralmente dada aos recém-nascidos, Ana Nsamba foi informada sobre a falta da BCG e que deveria voltar dias depois, a fim da bebé apanhá-la e estar protegida da tuberculose. 

O mesmo cenário viveu Eduarda Alexandre, na Maternidade Lucrécia Paim, em Luanda, onde deu, ontem, à luz ao primeiro filho. Esta parturiente também regressou a0 casa sem que o primogénito recebesse a vacina da BGC, tendo em conta que faz três dias que a unidade materno-infantil não recebe este produto.   

Eduarda Alexandre foi aconselhada a procurar a vacina da BCG em outras unidades de saúde espelhadas pela província ou voltar depois de uma semana à maternidade. 

Na Maternidade Augusto Ngangula, também localizada na capital do país, as famílias enfrentam, igualmente, essa problemática da falta de vacinas para a primeira infância. Durante a nossa reportagem, técnicos da referida unidade de saúde ainda ligaram para a área de vacinas da Maternidade Lucrécia Paim a pedir ajuda, no sentido de minimizar a carência. 

Para esclarecer o caso, a coordenadora nacional do Programa Alargado de Vacinação (PAV), Alda de Sousa, disse ao Jornal de Angola que a falta da BCG e das demais vacinas da primeira infância nos hospitais se deve à redução do stock no Depósito Central de Medicamentos, mas alegou não se tratar de uma rotura total. 

Alda de Sousa explicou que a situação é passageira e, dentro em breve, as coisas voltam à normalidade, ao assegurar que "todas as vacinas da primeira infância já estão pagas e apenas se espera que cheguem ao país, mas tudo em obediência a uma escala”. 

A coordenadora nacional do PAV realçou que já foi recebido o primeiro lote da vacina contra a febre amarela e, ainda hoje, chegam ao país quantidades de imunizantes da poliomielite oral. É um processo que vai continuar até que sejam entregues todas as vacinas, incluindo a da BCG”. 

Alda de Sousa realçou que o baixo stock no Depósito Central de Medicamentos não tem nada a ver com alguma falha do país, tendo em conta que as restrições impostas pela pandemia da Covid-19 provocaram uma redução na produção de todas as vacinas. 

Por isso, a responsável pediu a compreensão dos pais e aconselhou-os a procurarem por outras unidades de saúde, sempre que as instituições públicas se mostrarem indisponíveis. Mas, tranquilizou ao dizer que "a primeira dose da vacina da BCG pode ser administrada até um ano de vida da criança”. 

 


Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade