Sociedade

País melhora acesso aos testes do VIH/Sida em 87 por cento

Manuela Gomes

Jornalista

A melhoria do sistema de informação e a maior disponibilidade de testes permitiram um crescimento de 87 por cento ao acesso aos exames para avaliar a situação serológica, no ano passado, em relação a 2017, revelou, em Luanda, o secretário de Estado para a Saúde Pública.

29/11/2022  Última atualização 06H00
Governo aperfeiçoa as estratégias de combate ao Sida, com vista a manter Angola na lista dos países com taxas de prevalência mais baixas © Fotografia por: Edições de Novembro

Carlos Alberto Pinto de Sousa destacou, ainda, melhorias no programa de controlo do vírus da Sida com a implementação em todo o país da estratégia Testar e Tratar (TT), expansão da oferta da carga viral, diagnóstico precoce infantil, adaptação de esquemas terapêuticos mais eficazes (baseado em Dolutegravir) e a adopção da estratégia de Caso Índice para Diagnóstico do VIH, entre outras.

Com a introdução de "Dolutegravir” para adolescentes e adultos, desde Fevereiro do ano passado, o secretário de Estado considerou existir uma melhoria considerável na logística de medicamentos antirretrovirais e na qualidade de vida e aceitação dos utentes ao tratamento, que tem posologia confortável e drástica diminuição de efeitos colaterais.

Carlos Alberto Pinto de Sousa reafirmou que o país tem investido na Resposta Nacional de Combate ao VIH/Sida, além da melhoria gradual de disponibilidade de recursos locais e do compromisso político.

Ao encerrar, sexta-feira, o Seminário de Balanço do VI Plano Estratégico Nacional de Resposta às ITS/VIH SIDA e Hepatites Virais, o secretário de Estado referiu que, nos últimos anos, implantaram-se estratégias consideradas de excelência pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e demais organismos internacionais, para alcançar as metas globais.

Apesar dos avanços no período 2017/2021, o responsável ministerial esclareceu que, ao analisarmos os três indicadores das metas globais 95/95/95, o país ainda está muito longe de atingi-las e, por isso, defendeu a necessidade de estratégias de aceleração para melhores resultados.

 

Baixa prevalência

Carlos Alberto Pinto de Sousa disse que Angola continua a ser um dos países com a prevalência do VIH mais baixa da região Subsaariana.

Segundo o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2015/2016, o país tem 2% de prevalência na média nacional e grandes assimetrias regionais, sendo as províncias de fronteira as que apresentam as maiores taxas.

No que toca à disponibilidade de medicamentos de combate à doença, Carlos Alberto Pinto de Sousa explicou que o aumento do número de pessoas em tratamento tem contribuído para manter as pessoas vivendo com maior tempo e qualidade de vida.

Além disso, as evidências científicas demonstram que uma pessoa que vive com VIH e que adere a um regime efectivo de tratamento antirretroviral e mantém a carga viral suprimida não transmite o vírus por relações sexuais.

Quanto às barreiras que impedem o sucesso do tratamento da doença, o secretário de Estado apontou factores sociais como a baixa compreensão, o estigma e discriminação, pobreza, questões de género, charlatanismo (falsas curas), além de situações ligados à qualidade de assistência.

Estes e outros factores, disse, fazem com que 43% das pessoas que vivem com VIH no país ainda não saibam o seu diagnóstico. Por isso, defende que, com vista ao alcance de todas as pessoas para o diagnóstico e redução das perdas de seguimento, são necessárias intervenções comunitárias e apoio social, além da organização e melhoria da qualidade dos serviços.

 

Respostas de combate

Em 2021, foram adoptadas a nova Estratégia do ONU/Sida, visando a Aceleração da estratégia 95/95/95 até 2025 e a Declaração Política, aprovada na Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a Sida, realizada em Junho do ano em curso, em Nova Iorque.

Foi, também, adoptada a eliminação da Sida até 2030 como parte do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável e a Declaração Política, que os considerou compromissos específicos e indispensáveis para se perspectivar o fim da doença como ameaça à saúde pública.

O secretário de Estado realçou que Angola se comprometeu em reduzir as novas infecções nos adolescentes, o estigma e a discriminação, mitigar o impacto do VIH/Sida na população-chave e melhorar a comunicação e o envolvimento dos sectores sociais-chave, assim como melhorar a coordenação da resposta nacional do VHI/Sida com todos os parceiros.

O VII Plano Estratégico Nacional de Resposta ao VIH/Sida vai priorizar o envolvimento coordenado de todas as partes interessadas no planeamento, gestão, implementação e monitoria das intervenções integradas de VIH/Sida com a saúde sexual e reprodutiva e co-infecção VIH/TB.

O programa vai estabelecer, também, bases para medir os progressos e o impacto das intervenções e servirá como uma ferramenta de mobilidade de recursos e de apoio para todas as intervenções VIH/Sida, ITS e co-infecção VIH/TB em Angola.

 

Cuidados primários de saúde

Carlos Alberto Pinto de Sousa avançou que os cuidados primários de saúde, em particular, estão a prestar atenção à mãe e à criança, por continuarem a ser prioridades em todo o país.

O secretário de Estado destacou a forte aposta da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, ao abraçar a campanha "Nascer Livre para Brilhar”, que permitiu reduzir a taxa de transmissão do VIH de mãe para o filho, de 26%, em 2018, para 15%, em 2021.

O responsável aproveitou a ocasião e divulgou o lema que vai nortear as comemorações do Dia Mundial da Sida, a assinalar-se a 1 de Dezembro: "Acabar com as desigualdades, Já!”.

Para Carlos Alberto Pinto de Sousa, este lema serve para chamar a atenção à sociedade de que é necessário unir forças, com vista a acabar com as desigualdades e dar oportunidades para que todos tenham acesso aos programas de saúde.

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