Sociedade

Pai acusado de violar filha de um ano e meio

André da Costa

Jornalista

Um cidadão, 24 anos, residente na comuna de Catuio, município de Caimbambo, foi detido pela Polícia Nacional, há dias, por estar a ser acusado de abusar sexualmente a própria filha, uma menor de um ano e meio.

16/09/2021  Última atualização 08H25
Unidades policiais precisam de melhores condições para acolher efectivos em Caimbambo © Fotografia por: Alberto Pedro | Edições Novembro
O comandante municipal da Polícia Nacional em Caimbambo, superintendente Abel Chiambissa, que passou a informação, disse que a agressão sexual causou ferimentos e outras lesões nos órgãos genitais da criança.

A menina vive com a avó, mãe do acusado, desde a separação dos pais. Por precisar de ir à moagem, deixou a criança sob cuidados do pai, tendo este aproveitado a situação para agredir sexualmente a própria filha, tal como ele mesmo confirmou o acto à mãe, quando esta o abordou sobre o assunto.

"O pai levou a filha ao quarto e forçou a relação sexual”, lamentou o comandante, acrescentando que a avó, ao chegar à casa, notou manchas de sangue, inflamação dos órgãos genitais e a neta a contorcer-se de dores.

Segundo explicações da mãe, que denunciou o próprio filho às autoridades tradicionais e estes à Polícia, o acusado terá justificado o acto, pelo facto de ter ficado muito tempo sem uma relação sexual, depois da separação com a esposa.
Abel Chiambissa garantiu que o acusado foi detido e indiciado no crime de agressão sexual, estando encarcerado na Cadeia do Cavaco, onde aguarda julgamento.

Além desse caso, o município registou, igualmente, um outro crime de agressão sexual, em que foi vítima uma cidadã, de 43 anos, quando esta e uma amiga decidiram tirar e comer cana-de-açucar numa lavra.

Surpreendidas pelo proprietário da lavra, as jovens foram obrigadas a pagar cada cem mil kwanzas pela invasão ao espaço e consumo do produto. Por indisponibilidade desse valor, o camponês decidiu manter relações sexuais com uma das vítimas.
"Ao notar a demora, a amiga foi ver o que se passava no interior da lavra e encontrou o camponês sobre a companheira. Assustada, meteu-se em fuga e denunciou o caso junto às autoridades tradicionais, que accionaram a Polícia Nacional para deter o acusado”, explicou Abel Chiambissa.

Um outro caso que abalou a comunidade de Caimbambo tem a ver com a morte de um jovem, que foi brutalmente espancado, por acusação de assaltar uma cantina. Minutos depois de ser agredido, por dois cidadãos, supostamente a mando do dono da cantina, o acusado sucumbiu na via pública, quando procurava por ajuda.

O crime ocorreu, na comuna de Catengue, quando o dono da cantina desconfiou que o agredido, que tinha ido à cantina comprar algo, era o mesmo que dias antes tinha assaltado a loja.
Neste momento, os dois agressores estão foragidos e o suposto mandante detido e presente ao Ministério Público, aguardando por julgamento.

 Segurança pública

Apesar desses casos, o comandante municipal da Polícia Nacional do Caimbambo caracterizou a situação da segurança pública como calma.
O superintendente Abel Chiambissa avançou que, de Abril a Agosto, foram registados 12 crimes de natureza diversa, dos quais três furtos de motorizada, um homicídio voluntário, duas agressões sexuais e furtos de bois e cabritos.

O facto de o município ser um dos maiores criadores de bois, o comandante mostrou-se preocupado com a ocorrência de acidentes que envolvem esses animais, durante a travessia desordenada nas estradas daquela parcela da província de Benguela, na procura de pasto.

Para inverter esse quadro, a Polícia Nacional reuniu com as cooperativas e a Associação dos Criadores de Gado Bovino, no sentido da tomada de medidas de prevenção de acidentes na via pública.

Em Caimbambo, onde a prática da agricultura e pecuária é comum, o furto do gado, uma espécie de riqueza para muitas famílias, é outra preocupação dos criadores de animais e das autoridades.
Há dias, a Polícia deteve, na povoação de Ningue-Ningue, comuna de Catengue, dois indivíduos que furtaram seis cabeças de gado, a partir do município do Cubal.

 Mais policiamento

O policiamento de proximidade realizado no município com as comunidades tem permitido uma maior aproximação entre a população e as forças da Ordem, onde os efectivos levam a mensagem sobre a segurança pública, a partir de igrejas e nos bairros.

A par disso, também, há denúncias sobre a existência de engenhos explosivos em determinadas povoações, que tem resultado na sua desactivação.
O município de Caimbambu, que fica a 116 quilómetros de cidade de Benguela, tem uma superfície de 3.285 quilómetros quadrado. Conta com as povoações de Ningue-Ningue e Pupira, 53 aldeias e quatro comunas (Canhamela, Catengue, Cayawe e Wiyangombe).

A municipalidade tem quatro postos policiais, numa altura em que precisa de reforço de efectivos e de reabilitar o edifício onde funciona o Comando Municipal do Caimbambu, por estar completamente degradado.
"Na verdade, as instalações da Delegação do Ministério do Interior têm servido só para despachar os assuntos correntes. O município precisa de mais meios de trabalho, como material informático, viaturas, entre outros”, apelou o comandante municipal.

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