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Ouattara e Gbagbo reúnem em Abidjan

O Presidente da Côte d’Ivoire, Alassane Ouattara, recebeu, quarta-feira à tarde, no Palácio Presidencial, em Abidjan, o antigo Chefe de Estado Laurent Gbagbo, naquilo que está a ser entendido como um passo para a reconciliação entre os dois principais protagonistas políticos do país.

30/07/2021  Última atualização 04H15
Antigo Chefe de Estado afasta ódio e aceita encontro com o seu sucessor na Presidência © Fotografia por: DR
"Decidimos ser importante restaurar a confiança e reconciliar os ivoirienses”, afirmou Ouattara à comunicação social, numa conferência de imprensa conjunta com Gbagbo, após a reunião no Palácio Presidencial, na capital económica da Côte d’Ivoire, citado ontem pela Efe.

Ouattara saudou o encontro, que, segundo ele, era aguardado pela população "com muita impaciência” e que decorreu de forma "cordial e fraternal”. "Claro que houve esta crise que criou divergências, mas isso ficou para trás. O que importa é a Côte d’Ivoire, a paz para o nosso país, para nós próprios e para as próximas gerações”, acrescentou.

Ouattara e Gbagbo decidiram, também, reunir-se de forma ocasional e integrar outras pessoas nesses encontros, com o objectivo de reforçar a coesão e reconciliação nacionais.
Gbagbo disse estar "muito feliz” com este encontro e desejou a realização de outras reuniões semelhantes que "relaxem o ambiente” político e social da Côte d’Ivoire.

O antigo Chefe de Estado insistiu também junto de Alassane Ouattara para a libertação dos prisioneiros detidos durante a crise eleitoral entre 2010 e 2011 ainda em prisão.

A reunião realizou-se depois de Gbagbo ter regressado à Côte d’Ivoire, em 17 de Junho, quase dez anos depois de ter sido extraditado para Haia para ser julgado por alegados crimes contra a humanidade, na sequência da crise pós-eleitoral que se seguiu às eleições presidenciais realizadas no final de 2010.

Gbagbo foi preso em 2011 e enviado seis meses depois para Haia (Holanda) para que pudesse ser julgado no Tribunal Penal Internacional (TPI). O ex-Presidente foi libertado há dois anos, mas tem vivido na Bélgica enquanto aguardava o resultado do recurso dos procuradores do TPI.

Uma semana após a absolvição de Gbagbo, Ouattara disse que as despesas de viagem do antigo Presidente, bem como as da sua família, seriam cobertas pelo Estado. Gbagbo recebeu oficialmente quase 46 por cento dos votos em 2010 e mantém uma forte base de apoiantes que alegam ter ficado de fora do processo de reconciliação nos anos que se seguiram à sua expulsão.

O TPI confirmou em 31 de Março a absolvição, pronunciada em 2019, de Laurent Gbagbo, considerando-o definitivamente inocente de crimes contra a humanidade e abrindo caminho para o seu regresso à Côte d’Ivoire.
Em nome da "reconciliação nacional”, as autoridades concederam a Laurent Gbagbo dois passaportes, um comum e um diplomático, no final de 2020.

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