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OTAN procura estratégia para lidar com a China

O secretário-geral da OTAN disse, numa entrevista ao jornal “Financial Times”, que lidar com a “ameaça à segurança” que acarreta a ascensão da China vai ser parte importante do futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

19/10/2021  Última atualização 03H35
Secretário-geral da OTAN disse que a ascensão da China tem impacto na segurança europeia © Fotografia por: DR
Numa entrevista ontem publicada, Jens Stoltenberg referiu que a ascensão do país asiático já está a ter impacto na segurança europeia, face às suas capacidades cibernéticas, novas tecnologias e mísseis de longo alcance.
Como defender os aliados dessas ameaças vai ser abordado de forma "integral” na nova doutrina da aliança para a próxima década, apontou.

O repensar dos objectivos da Aliança ocidental reflecte o pivô geoestratégico dos Estados Unidos para a Ásia, que passou a envolver maior coordenação com países da região.
A relação entre Pequim e Washington, assente nas últimas décadas no envolvimento e diálogo, degradou-se rapidamente, nos últimos anos, marcada por atritos no Comércio, Tecnologia, Direitos Humanos ou Segurança.

Washington mudou então para uma política de "competição estratégica” integral com Pequim.
"A OTAN é uma aliança da América do Norte com a Europa. Mas esta região enfrenta desafios globais: terrorismo, cibersegurança, mas também a ascensão da China. Portanto, quando se trata de fortalecer a nossa defesa colectiva, trata-se também de como lidar com a ascensão da China”, disse Stoltenberg, citado pelo "Financial Times”.

A OTAN vai adoptar o seu novo conceito estratégico numa cimeira marcada para o Verão de 2022, que delineará o propósito da aliança para os próximos 10 anos.
A versão actual, adoptada em 2010, não contém qualquer referência à China. Stoltenberg disse que os aliados vão procurar "reduzir” as actividades fora das suas fronteiras e "aumentar” a resiliência defensiva doméstica, visando resistir melhor a ameaças externas.

"A China está a aproximar-se de nós... Vemos no Árctico, no ciberespaço, no forte investimento em infra-estrutura crítica nos nossos países”, descreveu.
A China testou um míssil hipersónico com capacidade nuclear em Agosto, demonstrando uma capacidade avançada de armas de longo alcance que surpreendeu a inteligência dos Estados Unidos e destacou o rápido progresso militar que Pequim fez nas armas de próxima geração.

Stoltenberg lembrou, também, que a Rússia e a China não devem ser vistas como ameaças separadas. "A China e a Rússia trabalham juntas”, disse. "Quando investimos mais em tecnologia, estamos a pensar em ambos os países”, justificou. "É um grande espaço de segurança e temos que lidar com isto todos juntos. O que fazemos na prontidão, na tecnologia, na cibersegurança ou na resiliência é importante para todas estas ameaças”, acrescentou.


Míssil hipersónico

Entretanto a China nega que tenha testado míssil hipersónico com capacidade nu-clear, em Agosto passado, garantindo que se tratou de "testes de rotina”, para verificar tecnologias de reutilização aeroespacial.

"Eram testes de rotina para verificar tecnologias de reaproveitamento de naves espaciais. Neste caso, o equipamento de suporte da nave separa-se, entra em combustão e desintegra-se, durante a sua queda na atmosfera e em alto mar”, apontou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Zhao Lijian.

As declarações vieram em resposta a informações avançadas pelo jornal britânico "Financial Times” e retomadas ontem pela imprensa mundial, que davam conta que a China testou um míssil hipersónico, com capacidade nuclear, em Agosto.
O jornal indicou que a China lançou um míssil com capacidade nuclear que circulou a Terra em órbita baixa, o que "surpreendeu os serviços de inteligência dos Estados Unidos”.

De acordo com o jornal britânico, este teste revela o grande progresso da China no desenvolvimento de armas hipersónicas, que são mais avançadas do que os norte-americanos acreditavam.

Mísseis ou veículos hipersónicos, tecnicamente, quebram a barreira do som pelo menos, cinco vezes em voo. Ou seja, ultrapassam os 6.177 quilómetros por hora. O facto de poderem voar em baixa altitude e traçarem trajectórias não parabólicas torna-os numa arma muito táctica, difícil de interceptar.

Este tipo de tecnologia continua a ser desenvolvida internacionalmente e poucos países parecem tê-la totalmente operacional.

No final de Setembro, os Estados Unidos afirmaram ter testado com sucesso a arma hipersónica Raytheon, enquanto a Rússia já tinha o míssil hipersónico Avangard.
O Presidente russo, Vladimir Putin, designou-o como a "arma do futuro”.

A Coreia do Norte também disse que testou o seu primeiro míssil hipersónico no final de Setembro. Zhao disse que o teste efectuado tem como objectivo "reduzir o custo das missões espaciais”, e que estes tipos de testes são realizados em todo o mundo.

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