Cultura

Óscar Gil defende incentivos à produção cinematográfica

Manuel Albano

Jornalista

O realizador Óscar Gil alertou, em Luanda, o Executivo a fazer mais investimentos nos audiovisuais, pela importância do cinema no contexto do desenvolvimento do país.

26/07/2022  Última atualização 07H35
Ao longo do percurso como realizador, Óscar Gil viu reconhecido o seu trabalho estando reflectido nas inúmeras distinções que já recebeu no país © Fotografia por: Dr

Neste processo, explicou, é necessário a participação dos realizadores e organizações interessadas em contribuir para o crescimento da indústria cinematográfica.

Os audiovisuais, realçou, constituem um poderoso veículo importante, longe do entretenimento, muito valioso, que se revela como uma fonte de conhecimento e um meio didáctico para apoiar na mudança de mentalidades e na construção da identidade.

O realizador, que foi o homenageado da segunda edição do Festival de Cinema, denominado "Cine Fest”, realizado de 19 a 24 deste mês, em Viana,  disse, por outro lado, que o cinema é, também, uma forma de diplomacia e de divulgação do país e das suas potencialidades desde, obviamente, as culturais, minerais, turísticas, agrícolas, e Viana pode muito bem socorrer-se do cinema para divulgar o que tem de bom e melhor nessas esferas, em particular.

O contributo à promoção e desenvolvimento da sétima arte angolana, em particular, e da cultura, em geral, foi um dos grandes ganhos da presente edição do "Cine Fest”, de acordo com o homenageado deste ano.

Em declarações ao Jornal de Angola, Óscar Gil felicitou as produtoras SEDFILMES e a SADIBA, que em parceria com a Direcção Municipal do Turismo e Cultura de Viana, realizaram o Festival de Cinema, no município de Viana.

Segundo o cineasta, o festival permitiu a centenas de espectadores ter contacto com a produção cinematográfica nacional, tendo considerado de uma iniciativa meritória, pelo contributo à promoção do cinema nacional.

Para o homenageado, é motivador e gratificante "quando o nosso trabalho artístico é visto e apreciado por uma diversidade de pessoas dedicadas ao cinema”. Na sua visão, a segunda edição da "Cine Fest”, na qual foi o homenageado, constitui um incentivo para continuar a trabalhar e a lutar por projectos. "Junto a minha voz a todos quantos lutam pelo desenvolvimento da cultura angolana”, afirmou o cineasta, acrescentando que "eu e outros colegas de profissão percorremos o país registando acontecimentos, entre os quais destaco a histórica invasão sul-africana, nas províncias do Sul de Angola”.

Depois de alguns anos e munido da experiência adquirida, disse, teve a oportunidade de trabalhar em Portugal com profissionais renomados como Nicolau Breyner e o realizador brasileiro Avancini. "Foi nesta época que solidifiquei o gosto pela imagem e pela técnica cinematográfica. Foi uma fase de grande crescimento profissional, sobretudo no domínio do cinema documental e da ficção”, destacou o realizador.

De regresso ao país, lembrou, estava dotado de um manancial de conhecimentos bastante válidos. Com essas valências, disse, permitiu-lhe criar a "Óscar Gil Produções”, uma produtora que desde 1999, tem intervindo nas diversas vertentes do cinema e do  audiovisual, na produção de ficção, documentários e publicidades , recorrendo à técnica e tecnologia actualizadas.

Ao longo desse percurso, adiantou, o reconhecimento das produções resultou em muitos benefícios, com destaque para as inúmeras distinções . Óscar Gil lamentou o estado actual do audiovisual no país. "Apesar das dificuldades económicas que o país vive, é possível produzirmos filmes de reduzido orçamento, recorrendo a uma linguagem cinematográfica simples e linear”.

Óscar Gil já foi distinguido com o prémio de carreira no Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC-Luanda), outorgado pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente. O Prémio Nacional da Cultura e Artes (PNCA), pela realização da mini-série "Caminhos Cruzados”, o Prémio "Africa is More”, pela participação no exterior, como operador de câmara, em telenovelas portuguesas, e várias distinções pela União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP).

Curta-metragem "Elo” de Edgar Cláudio foi o grande vencedor

O filme nacional "Elo”, do realizador Edgar Cláudio, foi o grande vencedor da segunda edição do Festival de Cinema, denominado "Cine Fest”, realizado de 19 a 24 deste mês, inserido nas actividades da Feira Artesanal de Viana (FAV), em Luanda.

Segundo a organização do festival, o filme foi distinguido com o "Grande Prémio Município Satélite”, pelo conjunto de prémios arrebatados nas categorias de melhor actriz, música original, realizador e sonoplastia.

O filme "Elo” aborda a história de Maria, mulher devota a Deus, que tenta educar a filha adolescente com princípios cristãos.

Para dar vida ao drama, a actriz Sharon Primo, mostra, em 25 minutos, as aflições de uma mulher em busca da filha. Na história, o realizador procura dar ao público uma ideia do sofrimento ao qual é sujeita a personagem principal para encontrar a filha, assim como para a proteger de algumas tendências sociais.

O curta-metragem foi gravada em várias localidades de Luanda, como o Rangel, Viana e Camama, sob direcção de Denis Miala. O filme, que contou apenas com técnicos e actores nacionais, é a estreia de Edgar Cláudio na sétima arte. A produção conta com as participações dos actores Carlos Alves, Letícia Almeida, Nelma Valdez e Valércya Nzollani.

O curta-metragem esteve nomeado para a terceira edição dos prémios "Teranga Movies 2022”, que decorreu de 29 de Junho a 2 de Julho, no Grande Teatro de Dakar, no Senegal.

O Festival de Cinema em Dakar visa premiar filmes de curta e longa metragem, ficção e documentários de produção africana.

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