Opinião

Os transportes públicos

Luanda está a crescer demograficamente a uma velocidade que precisa de ser, pelo menos, relativamente proporcional aos desafios que a administração, a governação e a tomada de decisões na cidade capital impõem.

17/08/2021  Última atualização 08H15
E não há dúvidas de que uma das áreas que maior desafio tende a acarretar tem a ver com a mobilidade numa urbe que caminha para os dez milhões de habitantes e à medida que "zonas satélites" exigem, cada vez mais, uma rede de transportes públicos consentânea com as necessidades.

A apresentação da frota de autocarros, que vai operar em Luanda, representa uma nova e encorajadora realidade que, tal como esperamos todos, venha a servir não apenas para viabilizar a transportação de milhares de munícipes, mas também impactar nas questões ambientais.

Na verdade, se formos bem sucedidos a estabelecer uma rede de transportes públicos, com autocarros que sirvam as linhas mais exigentes em termos de passageiros, que permitam uma fluidez e comodidade aos usuários, em horários flexíveis, mas satisfatórios, não há dúvidas de que essa realidade impactará no fluxo de carros em circulação.

Em Luanda circulam, segundo dados da Direcção Nacional de Viação e Trânsito, mais de dois milhões de viaturas e se calcularmos as taxas de emissões dos gases dos sistemas de escape, além da poluição sonora, nalguns casos, certamente, os danos ambientais, ainda que aparentemente invisíveis, são colossais.

Precisamos também de reflectir sob essa perspectiva, independentemente de não termos um mecanismo em funcionamento para medir a qualidade do ar em Luanda, porque os mais de dois milhões de viaturas  em funcionamento e em circulação, muitas delas em mau estado técnico e fumegantes, contribuem negativamente para as metas do desenvolvimento sustentável.

Com a previsão de a capital do país contar com 650 novos autocarros até Dezembro deste ano, tal como anunciou há dias,  em Luanda, o ministro dos Transportes, Ricardo Veigas d’Abreu, acreditamos que estaremos a dar um passo na direcção certa a vários níveis.
Para frente, ficam outros desafios, nomeadamente da melhoria gradual das vias de circulação para viabilizar maior longevidades aos meios circulantes, maior responsabilidade da parte dos motoristas, civismo da parte dos utentes.
 
Para assegurar o crescimento da economia de Luanda, basicamente caracterizada pelos serviços, a mobilidade é instrumental para a sua viabilização e manutenção.
Tal como sucede em muitas urbes, o funcionamento dos transportes  públicos é condição sine qua non para a efectivação de outros serviços, a começar pela necessidade por parte dos funcionários públicos e privados, terão em chegar em tempo útil nos locais de trabalho.

Quando as pessoas têm confiança, segurança e horários a cumprir, tendo como aliado a rede de transportes públicos funcional, a circulação em massa de autocarros constitui um ingrediente até para deixar todo o mundo descansado.

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