Opinião

Os quadros, o desemprego e as empresas

Anualmente formam-se muitas centenas de jovens nas nossas universidades. Muitos chefes de famílias têm investido, por vezes com muito sacrifício, na formação dos seus filhos na esperança de eles no futuro conseguirem um emprego, que lhes proporcione uma vida estável. A realidade, porém, tem mostrado que ter canudo não significa que se tem imediatamente uma porta aberta para ser absorvido pelo mercado de trabalho.

18/05/2019  Última atualização 10H03

É verdade que a crise levou à falência muitas empresas, não estando o mercado de trabalho em condições de contratar um elevado número de recém-formados pelas diferentes universidades públicas e privadas. A crise que atravessamos afecta o sector empresarial privado, que, sem financiamento para a actividade produtiva, não pode constituir-se em factor de redução da taxa de desemprego no país.
A redução da taxa de desemprego terá de passar por políticas que incentivem a actividade empresarial, se se tiver em conta que deve ser o sector privado a absorver os milhares de jovens desempregados que procuram trabalho.
É grande a frustração de muitos jovens que acabaram os cursos e que não têm perspectiva de conseguirem, a curto e médio prazos, um emprego. Muitos destes jovens já constituíram família e pode-se imaginar os problemas que daí resultam.
A redução da taxa de desemprego tem de ser uma prioridade. Uma das vias para obter esta redução é o crescimento da actividade do sector empresarial privado, que se deve constituir no principal empregador.
Um enorme esforço deve ser feito para que surjam o mais depressa possível no país um elevado número de pequenas e médias empresas. As nossas universidades e escolas médias podem continuar a formar quadros, mas estes não terão qualquer possibilidade de conseguirem emprego se não se prestar atenção à actividade empresarial.
Que as instituições de fomento da actividade empresarial privada gizem políticas que possam facilitar o surgimento de empresas que possam ter um tempo de vida longo. O Estado, é sabido, não pode continuar a ser o principal empregador, pelo que se justifica que haja incentivos para que os agentes económicos privados possam ter um peso considerável na economia.
Angola é um país com muitas oportunidades, sendo importante que, nesta fase de grave crise, o Estado intervenha na economia para, por via de incentivos de vária ordem (como a redução de taxas de impostos em determinadas circunstâncias), contribuir para o crescimento económico. Sem crescimento económico não se vai reduzir a taxa de desemprego. E as empresas são essenciais para esse crescimento.

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