Opinião

Os quadros em África e a investigação científica

Um dos grandes problemas de África é a qualidade dos quadros que são formados nas universidades do continente, que dificilmente recebem dos Estados recursos financeiros suficientes para levar programas destinados a potenciar o ensino universitário em diversas áreas do saber.

02/09/2019  Última atualização 08H18

Há em África investigadores ligados a instituições de ensino superior dispostos a levar a cabo um trabalho que possa ajudar os seus países a desenvolver-se, mas há ainda muitos obstáculos no acesso a recursos financeiros, por falta de vontade política dos poderes públicos.
Tendo em conta os desafios que África tem de enfrentar, os governos dos países do continente deviam prestar uma maior atenção aos programas de investigação científica, para que os africanos não estejam permanentemente dependentes de países doutros continentes, para onde vão até trabalhar os poucos cientistas de África, por diversas razões, entre as quais avulta a pouca valorização destes quando trabalham nos seus países.
Em face dos problemas que a África enfrenta, deviam os países do continente prever maiores verbas orçamentais à investigação científica, de modo a combaterem problemas diversos, como as doenças.
Segundo as estatísticas, apenas 2,4 por cento de cientistas africanos figuram entre os investigadores existentes no mundo, havendo sempre a tendência de os estudiosos do continente partirem para outros continentes em busca de melhores condições de vida.
Na era do conhecimento, importa que os governantes africanos priorizem a criação de um ensino universitário de elevada qualidade no nosso continente. Há em África jovens talentosos, cujas habilidades podem ser potenciadas e colocadas ao serviço do crescimento económico. É necessário encorajar os melhores quadros africanos a trabalharem no continente, por via de acções práticas orientadas para a melhoria das suas condições de vida e de trabalho. Não devemos valorizar apenas os quadros do continente depois de países de outros continentes dizerem que este ou aquele filho de África é um excelente técnico. Temos de ser nós, africanos, os primeiros a acarinhar os nossos quadros que atingiram a excelência, sob pena de continuarmos a ver partir para outros continentes os nossos melhores “cérebros” .
Que os governos africanos não subestimem a ciência. Vale a pena afectar recursos financeiros à educação, porque o retorno dessa alocação é benéfico para muitos milhões de pessoas. Muitos países que realizaram investimentos públicos avultados na educação têm hoje uma boa qualidade de vida. O investimento em capital humano é essencial para o desenvolvimento, que proporciona melhor qualidade de vida. Os países africanos devem passar a ver as instituições formadoras de quadros como entes indispensáveis para a concretização dos grandes objectivos, como o combate à pobreza, que afecta muitos milhões de habitantes do continente.

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